A nossa língua portuguesa acaba de passar por uma reforma ortográfica e eu, pouco antenada ao mundo da gramática, ainda não consegui estudar quais foram as mudanças que, com certeza, acarretarão ou em velhas palavras escritas de forma diferente por mim ou em uma Lorena que escreve como uma velhinha do século passado, tipo aquele pessoal que eu criticava porque ainda escrevia farmácia com ph… nada como o tempo pra nos mostrar que julgar o outro sempre é um troço que vai e volta…
Enfim… essa história toda é pra falar de duas palavrinhas que, na gramática do século passado (aí Jesus, já estou quase admitindo que estou ficando obsoleta), têm uma diferença muito sutil: forma e fôrma.
Como já contei a vocês, vou mesmo dançar um baladi na festa de 15 anos de dança de Bela. E pra não repetir antigos erros, me dediquei a ouvir muito minha música, coreografar apenas pequenos trechinhos, improvisar bastante e, lógico, estudar muitos vídeos do estilo para me inspirar.
E foi estudando pelo youtube e por DVDs que tenho em casa que descobri que existem diversos estilos de baladi, o que me deixou meio brôca de início, mas que depois foi só revisar a aula da Roxxanne Shelby para entender.
Se a gente assiste a Fifi Abdo e a Mona Said, por exemplo, dançando baladis, a gente tem uma dança mais carregada, mais cheia e intensa. São movimentos mais “pesados”, cheios de uma ginga muito própria e marcante. Os pezinhos estão quase sempre no chão, a variação de movimentos é discreta e a base são os quadris bem marcados.
Mas se a gente parte para estudar a Soraia Zaied, por exemplo, a gente já encontra uma dança mais elaborada, cheia de movimentos e pé na meia-ponta.
Me lembro que a Roxy falou que quando o baladi é levado pro palco, podem ser adicionados elementos como estes inseridos pela Soraia. Ela disse que não há certo, nem errado, que o baladi era muito mais um sentimento, uma dança mais rústica (não foi essa a palavra que ela usou, mas eu acho que ela cabe perfeitamente bem a proposta) do que simplesmente usar uma galabia.
Bom, aí partir para estudar também um baladi da Aysha Almée que é simplesmente lindo e depois fui ver a Maria Aya que amo! E foi assistindo esta última que me caiu uma grande ficha (outra coisa que denuncia minha existência obsoleta – as fichas não existem mais): alguns baladis que assisti no youtube e que a gente vê por aí estão atendendo à lógica do mercado porque simplesmente dançar com pé no chão e ficar só fazendo oitinho e shimmies “é muito pobre”. E dá-lhe milhões de movimentos juntos, pé na meia-ponta e haja motor pra tanto quadril! É uma dança que cabe numa fôrma porque tem que ser vendida.
Bom, o meu baladi e a minha dança vão ter que ser da minha forma, do jeito que meu corpo pede e dentro das minhas possibilidades criativas. Não tenho interesse em ser mais uma de tantas meninas que dançam iguais, nem tão pouco quero ser uma imitação de alguém. Mas também reconheço que é humanamente impossível fugir de alguns apelos modernos, até porque, vivo nessa mesma sociedade que nos imprime um código de barras na testa quando nascemos. E aí se encontra o meu desafio de sempre: encontrar uma forma de não ficar simplesmente restrita a fôrma – de transcender.
E agora a pergunta que não quer calar: as palavras forma e fôrma foram modificadas com a nova reforma ortográfica? Alguém sabe? Alguém viu? Tomara que elas continuem assim diferentes na escrita porque elas são muito distintas na essência!

Antes de mais nada vamos dizer que essa moça já serviu de inspiração pra Soraia Zaied sem a gente saber. Observem o figurino ao lado e vejam se não é idêntico ao utilizado pela brasileira no vídeo do Festival do Cairo de 2007?
Tá a fim de uma leitura light, divertida e que, de quebra ainda traga boas questões para refletir referentes a sua nada mole vidinha de mulher?


Mais tem algumas opções que são caseiras e podem ser deliciosas também:
