A dança que liberta almas

Talvez vocês já tenham escutado falar disso. Pra quem já viu, vale a pena relembrar. Pra quem não viu, fica aqui a notícia: existe um presídio nas Filipinas onde, ao invés da prática de atividades físicas convencionais, foi implantado um programa de dança e  construção coreógrafica com a participação dos detentos.

O responsável pela idéia foi o diretor Byron Garcia. Segundo ele, a participação dos detentos é voluntária e só ocorre após o arrependimento por parte do preso do crime cometido.

Eu, que sempre fico pensando em como modificar essa “despolítica” social brasileira em relação a infratores, me emociono toda vez que assisto esse vídeo. E não é porque está bem coreografado ou porque são 1.500 homens dançando Thriller, mas porque me dou conta de que muita coisa pode ser mudada no mundo pelo viés da arte: almas podem ser libertadas.

Segundo reportagem do UOL, graças a divulgação dessa ação, o presídio tem recebido inúmeras doações que estão ajudando a modernizar suas instalações. Além disso, uma vez ao mês são feitos shows abertos ao público – que sempre estão lotados. Os dançarinos tornaram-se admirados. O sucesso foi tão grande que alguns bailarinos receberam ofertas para fazerem anúncios publicitários. Há, inclusive, rumores de turnês ao redor do país.

Vocês já conseguiram imaginar alguma coisa assim no Brasil? Não? Pois bem… existe um caminho. Aqui, é a arte que mostra seu potencial de libertar almas.

Os resultados extrapolam o objetivo inicial do diretor de “disciplinar com compaixão”: resgata a vida dessas pessoas e coloca-os como sujeitos dignos, respeitáveis e possíveis de serem amados pela sociedade novamente.

Taí uma idéia que precisa ser copiada. Acorda, Brasil!

About these ads

Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

17 respostas para A dança que liberta almas

  1. Ana Carol disse:

    Nossa! queria t parabenizar pelo blog.. Maraaa!!!
    o conheci por acaso na verdade e estou A.M.A.N.D.O!!!!!!
    comecei a dançar tem pouco tempo.. uns 9 meses mais ou menos… estou apaixonada pela dança…e estou estudando, na medida do possivel.
    gostaria q vc m adicionasse no msn anacarol_almada@hotmail.com
    se der. claro!
    bjos e parabens!!!

    • lorymoreira disse:

      Oi Ana Carol. Bem-vinda! Fico feliz que vc tenha descoberto o blog. Espero que aproveite bastante ele. Quanto ao MSN, não sou adepta. Me falta tempo e paciência mesmo. Risos! Um abraço.

  2. Elaine disse:

    Que bacana Lory, eu já tinha ouvido falar desse trabalho mas nunca tinha visto o vídeo inteiro.

  3. tania disse:

    Lory

    Amei seu blog ele é alegre, inteligente, crítico, tudo de bom, é a sua cara.
    bjs
    Tania

  4. julimoreira disse:

    Adorei isso!!!! Vamos implantar no Brasil?

    • lorymoreira disse:

      Vamos quem cara pálida? Risos!
      Eu não vou mentir: morro de vontade de participar da construção de um novo modelo de presídio, onde as pessoas realmente tenham condições de serem reabilitadas socialmente. Mas ainda acho que temos muito a caminhar antes de inserir um trabalho com linguagens artísticas em presídios brasileiros. Primeiro é preciso garantir a dignidade daquelas pessoas: elas precisam ter camas individuais, comida decente, banheiro de gente. Precisam ter celas com capacidade máxima respeitada. Precisam ter direito a bons advogados. Depois disso, aí sim, é possível conversar sobre outras ações de valorização.

  5. Vivi disse:

    Já conhecia este vídeo, tem outros da série também, eles gostaram da brincadeira.
    Eu não curto, é uma coisa dada pronta, vinda de cima. Se querem oferecer dança, por que não fazer dentro de uma perspectiva onde os mesmos possam criar seu repertório de gestos, desenvolver a expressão dentro disso, CRIAR É A PALAVRA CHAVE e o termo que efetivamente transforma. Quanto à isso, esses homens estão passivos neste processo. O trabalho reflexivo que se pode ter através da dança é desprezado. Mais uma vez. Talvez o único ponto positivo seja um suposto “reconhecimento” social , mas ainda assim é inquietante pensar na natureza dessa admiração: ela reconhece o valor da dança ou se estabelece a partir de um ponto de vista piedoso?

    Além do que, eu sinto um cheiro de marketing nisso tudo… Posso estar sendo leviana até, mas não sei. Algo nesse tipo de iniciativa desafina.

    Gosto mais de iniciativas de trabalho como Ivaldo Bertazzo faz, junto à camada mais pobre da sociedade – cuja ideia poderia ser levada p/ dentro dos presídios. Ali sim existe algo que poderia propiciar a transformação dessas pessoas. Mas a coisa do “eu faço – vocês repetem” é muito pobre e frívola diante do que a dança oferece.

    Ah, tem muito mais a se falar… Esse assunto é polêmico, e não precisa concordar comigo não, hehe.
    bjbjbj

    • lorymoreira disse:

      Vi, acho que vc tem razão quando fala que é apenas uma dança repetição e que há uma forte jogada de marketing na ação. Mas ainda assim, acho que é uma iniciativa a ser valorizada. Ainda que de maneira pouco criativa, esses homens estão tendo outras oportunidades de experimentação do corpo.
      Eu não creio ser tão fácil implantar um sistema de dança criativa dentro de presídios. Ainda mais brasileiros. Não porque não acredite na proposta, mas pelo sistema judicial vigente, pelas relações hierarquicas estabelecidas ali, pela crença social de que quem entra por aquela porta, não tem mais oportunidade de ser alguém.
      É de passinho a passinho que se conquista outras possibilidades expressivas. A princípio, aceitam um professor de dança que trabalha com coreografia pré-determinadas. Mais adiante, com os avanços individuais e sociais, outras propostas serão feitas e bem aceitas. E quem sabe, não veremos o dia em que a dança criativa invada instituições fechadas e leve mais esperança e liberdade para quem lá se encontra?

      • Vivi disse:

        Fia, penso que a viabilidade de se implantar um trabalho mais proveitoso em dança é a mesma de qualquer outra vertente artística, o que falta é esclarecimento sobre a riqueza que se pode obter de um trabalho assim. Ninguém sabe, todo mundo apenas “faz ideia”. Eu tenho 50 páginas escritas sobre isso na minha mono e mostro que é possível, em qualquer ambiente que se queira, fazer da dança uma alavanca p/ a educação do ser sensível e também mais responsável e atuante na esfera coletiva. O problema é que as pessoas querem ouvir aquilo que case com os interesses delas, e que seja, de preferência, algo rápido e de baixo custo. Pra vc ter uma ideia, o próprio termo: ‘dança criativa’ é equivocado (toda dança é ato de criação, não é? O que muda é saber o qual será o rumo dessa criação: se será reproduzida mecanicamente, se haverá um reflexão sobre seu gestual…). O corpo é veículo de informação, de mensagens e intertextos vastos e tudo o que ele expressa é criativo, fruto de (re)elaboração sobre si e o mundo.
        Por isso que eu acho subestimação da dança uma coisa dessas, fia. Não, a gente não tem que copiar isso. A gente pode fazer melhor!

        É isso o que me move! rs.

      • lorymoreira disse:

        Ih amiga, acho que estamos em desacordo de novo. Não discordo do que vc acredita, mas tb não acredito que a dança criativa seja o único caminho possível de libertação através da dança.
        Esse papo rende, viu? Acho que pessoalmente daria umas boas horas de conversa!

  6. Daiane disse:

    Oi, Lory, também vejo por este aspecto, num trabalho com muitas pessoas no começo, pelo menos, a maioria sente necessidade de estruturar seus movimentos seguindo o caminho de um movimento específico, a arte da criação está inerente, mas amadurece com o tempo e a prática de algo já estabelecido também…ah, e o esquema do marketing, acho que é essencial! Por que não? Neste caso, pode ter sido um dos melhores meios de hoje a gente saber que tal pessoa existiu através deste trabalho! Como saberemos o nome de alguém se não for por seus méritos, sua divulgação? A dança precisa ter um marketing mais pesado que isso na minha opinião. Para que nós bailarinos, possamos ter mais espaço e reconhecimento na nossa arte. Imaginem o que este bailarino teve que suar a camisa pra até chegar neste nível? Imagina se ele não mostra? Fico muito feliz com este post Lory! Obrigada!

  7. Pingback: Ivaldo Bertazzo « (An)danças de Lory

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s