Ya Masafer Wahdak

Ya Masafer Wahdak

Uma música, três leituras totalmente diferentes.

 

Lá no multiply, vira e mexe eu fazia uma coisa que chamava de Reconhecendo Estilos. Pegava dois ou três vídeos de bailarinas diferentes dançando uma mesma música para estudarmos, juntos, a riqueza de interpretações, estilos e movimentações.

 

Os primeiros posts foram bem animados, com discussões interessantes. No entanto, com o passar do tempo, as pessoas foram se limitando a dizer qual bailarina/leitura mais se identificavam. Fui desanimando porque a intenção era que tivessemos material para estudo e não apenas só assisti e ver se gostou mais da fulna ou cicrana.

 

Como estou de casa nova, vou retomar essa idéia do Reconhecendo Estilos aqui no wordpress e vê no que vai dar. Pra iniciar, escolhi a linda canção Ya Masafer Wahdak.

 

A primeira interpretação fica por conta das bailarinas Inas e Nesrin e corografia do cobra-ninja-cuper-mega-tchuchuco Mahmoud Reda. Detalhe para figurino, expressão, cabelos, além, é lógico, da sublime melodia e da voz da cantora (coisa linda, minha gente!).

 

 

Preciso dizer que essa coreografia me transporta para um conto de fadas e que me encanto toda vez que a assisto. Nem só pela sutileza da expressão das bailarinas ou pela combinação rica de movimentos. Nem só pela música tocante, ou pela delicadeza dos vestidos. O que me toca de mais significativo nela é ver de forma tão evidente a dança do ventre ser usada como a manifestação profunda dos sentimentos humanos. Nesse sentido, eu diria que ela é diáfana.

 

A segunda interpretação é da russa Natalia Strelchenko. O que há de interessante nessa performance está no fato dela ser bem parecida com o que eu já vi fracassar, mas que aqui dá certo: fusão com flamenco.

 

Ya Masafer Wahdak é uma música com toque andaluz e, por conta de ter uma linha de construção que perpassa o oriente e a Espanha, a galera endoida e resolve fazer dela uma performance flamenco-árabe.

 

Graças ao bom-senso, talento, presença de palco e, lógico, um tantinho bom de técnica, a russa do vídeo consegue se virar bem.

 

 

No entanto, pra mim, falta um tiquinho de emoção. Sem dúvida, ela tem uma dança muito bem marcada, com evolução elegante e precisa. Mas, por exemplo, na hora do baladi (2:15), onde ela poderia ter explorado toda a alegria no seu básico egípcio, ela opta por ficar de costas para a platéia. Uma opção bem estranha, diga-se de passagem. Depois disso, acho que ela dispiroca um pouco: se limita a ficar explorando a saia. Ela já a tinha usado tão bem, porque escolheu persistir nisso quase durante todo o restante da música?

 

Sem dúvida, é um vídeo de referência para estudo pela forma precisa e criativa que usa nas marcações da música. Gosto muito da marcação final.

 

No terceiro vídeo, resolvi fazer uma provocação. Eu já até tinha postado esse vídeo no meu multiply, mas ele mexe demais comigo. Resolvi colocá-lo de novo aqui.

 

Engana-se quem acredita que a dança tribal esteja limitada apenas a performances com músicas psicodélicas. Aqui temos uma prova incontestável de que ser tribal é muito menos que a música que se escolhe ou a roupa que se usa. Tribal é atitude. Leitura diferenciada, estilo completamente diferente.

 

Observem a leitura musical, a precisão dos movimentos, as ondulações, a expressão facial. A graciosidade dos braços e marcação nos giros. Isso é tribal.

 

 

A Mira Betz é realmente fantástica. Tiveram pessoas que quando viram esse vídeo no meu multiply questionaram que isso não era tribal. Mas por que mesmo? Por que você gostou?

 

Agora me digam uma coisa: não dá pra ficar confusa se é mesmo a mesma música? Como pode haver tantas possibilidades numa única melodia? A delicadeza das meninas do Reda, a fusão da russa e a força do tribal em Ya Masafer Wahdak, sem dúvida nenhuma, uma das mais belas músicas que já ouvi na minha vida.

 

Certamente se procurarmos no Youtube encontraremos outras tantas interpretações. Um universo de possibilidades essa tal dança que a gente inventou fazer, hein?

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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12 respostas para Ya Masafer Wahdak

  1. C. de Lola disse:

    Obrigada Lory por disponibilizar esses videos e colocá-los em comparação como possibilidade de estudo. Como dançarina, e acho que isso é natural, ví um pouco de mim em cada um. No primeiro lembrei da expressão “ar”, leve, romantica, como quem se entrega ao destino, ou ao amor como entrega inevitável. Não conhecia a versão com o canto e acho que muda muito o sentido da música. Achei os vestidos lindos, mas que estilo é esse, parece-me um clássico arabe, existe? No segundo video vivenciei o contrário: uma energia reativa “fogo”, muito yang. Admirei muito os passos e a utilização da saia como possibilidade de fusão flamenco/arabe, ao mesmo tempo, fiquei atenta aos riscos de deixar que um elemento sênico, “saia”, sobreponha a interpretação. Acho que os elementos são como armas, usamos ao nosso favor, mas qualquer discuído pode fazer com que nos machuquemos.
    Por último, encontrei o que procuro desenvolver em mim nesse video de tribal, e essa apreciação não tem a ver com estilo, mas com a interpretação da bailarina. Muita força interpretativa colocada em uma vivência interiorizada, fala muito, muito, com um simples golpe de munheca ou virada de rosto. Muito lindo, sabio, traiçoeiro, fascinante, em fim: “ÁGUA”.

  2. C. de Lola disse:

    Obrigada Lory por disponibilizar esses vídeos e colocá-los em comparação como possibilidade de estudo. Como dançarina, e acho que isso é natural, vi um pouco de mim em cada um. No primeiro lembrei da expressão “ar”, leve, romântica, como quem se entrega ao destino, ou ao amor, como coisa inevitável. Não conhecia a versão com o canto e acho que muda muito o sentido da música. Achei os vestidos lindos, mas que estilo é esse, parece-me um clássico árabe, existe? No segundo video vivenciei o contrário: uma energia reativa “fogo”, muito yang. Admirei bastante os passos e a utilização da saia como possibilidade de fusão flamenco/árabe, ao mesmo tempo, fiquei atenta aos riscos de deixar que um elemento cênico, “saia”, sobreponha a interpretação. Acho que os elementos são como armas, usamos ao nosso favor, mas qualquer descuido pode fazer com que nos machuquemos.
    Por último, encontrei o que procuro desenvolver nesse vídeo de tribal, e essa apreciação não tem a ver com estilo, mas com a interpretação da bailarina. Muita força interpretativa colocada em uma vivência interiorizada, fala muito, muito, com um simples golpe de munheca ou virada de rosto. Muito lindo, sábio, traiçoeiro, fascinante, enfim: “ÁGUA”.

    • lorymoreira disse:

      Chuquita! Que bom lhe ver por aqui!
      Olha, pelo pouco que sei, o estilo da primeira música chama-se andaluz.
      Vou convidar a Maíra Magno pra tirar essa dúvida pra gente.
      Concordo com vc quanto a terceira interpretação… uma coisa, assim, divina!
      Te adoro, C. de Lola!
      Beijos de Lola de Lola!

  3. Janita ! disse:

    Oi, colega!
    Aqui estou eu acompanhando seus comentários no novo blog!
    Lory, gostei muito dessa sua idéia de reconhecer estilos buscando interpretações de dança da mesma melodia .
    Continueeeeeeeee! Se jogue! Vá fundo! Mto legal! rsrsrs.
    Vou me abster de comentar o assunto agora pois ainda não ví os vídeos, vim só dizer um “olá, amiga”!
    Bjs!

  4. Rayzel disse:

    Olá Lory, eu acompanhava seu multiply, e fico feliz com a sua mudança. Acompanharei este aqui também. Gosto de reler seus posts antigos, vejo que temos muitas opiniões em comum…

    Um beijo de Osasco – SP

    Rayzel

  5. vivi amaral disse:

    Ok, bonita, vamos lá!

    De todos os vídeos, o único que eu tive vontade de ver até o final foi o da Mira, do tribal.

    Tenho um respeito enorme pelo Mahmoud, pelo trabalho que ele fez/faz e sua contribuição inestímável para a dança oriental, que fique claro. Estudo Mahmoud, e considero as adaptações das danças folclóricas que ele faz algo de valor altíssimo. Seus bailarinos são impecáveis, limpos, levíssimos, não há o que se falar. Mas confesso que assistir suas coreografias me cansa depois de um tempo… As sequencias coreográficas repetem-se e é tanta limpeza de movimento, tanta precisão, é uma dança tão “higiênica” que me cansa! Olha só, uma heresia, eu, uma ocidental, falar desse jeito, né? Mas é isso que eu sinto, fia… E como não poderia deixar de ser, nessa coreografia todos esses aspectos que eu citei sobre o estilo Mahmoud, afloram. Sinto falta de pausa, de inspiração e expiração nessa coreografia…

    No segundo vídeo, vejo uma interpretação bem “aflamencada” e matemática. Gostei dela em alguns momentos, da postura, mas a preocupação com a coreografia sobressaiu à expressão (Vejam… Não estou dizendo que não se deve precupar com coreografia). Desisti dela no meio do caminho.

    A interpretação do tribal foi a que mais me agradou, pois ela respeitou o “humor” da música de forma clara… Apesar de não estar vestida da maneira óbvia como se imaginaria para uma música dessas, depois de um certo tempo me esqueci desse detalhe e parti com ela na viagem da dança e da música. Foi a que mais gostei, a que mais me inspirou e não cansou.

    No meu entender, “Ya Masafer Wahdak”, é uma música forte, densa, que exige uma leitura minuciosa de seus humores, de suas respirações… Ela tem uma “voz” espanhola e isso precisa ser respeitado, lembrado. Eu imagino interpretar essa mísica com um lindo e grande leque! Olé! rsrsrrss…

    Beijos, minha neguinha.

    Vivi Amaral

    • lorymoreira disse:

      Entendo suas colocações referentes ao Reda, mas confesso a vc que para uma estudante ele é perfeito pq é tão limpo que dá pra ver tudinho claramente. E essa performance tem emoção, sabe? Talvez pela música em si, que me toca demais. Também acho essa uma música difícil pacas. Não me ousaria dançá-la sem comer muito feijão antes! Bjos, fia!

  6. Assinei embaixo do que disse a Vivi.

  7. Mila disse:

    Oi prima! Amo seu seu blog e sempre passo por aqui (quer dizer, estava acostumada ao multiply… rs). Estou começando a dançar agora (tem um mês só!) rs! então ainda não tenho fundamentos para analisar tecnicamente os vídeos. Mas de pronto digo que o ultimo vídeo, da Betz, é perfeito! Que expressividade! Achei fantástico! Também achei mto legal a mistura flamenco e dança do ventre, mas achei que a DV ficou um pco sacrificada… a gente percebe mais a saia que os movimentos mesmo. Enfim, adorei passar por aqui! Muita coisa a aprender… rs!
    beijos carinhosos!

  8. samara72 disse:

    Oi, Flor, como você deve estar notando, saí da minha caverninha e estou explorando o conteúdo por aqui, que é muito e muito bom. Você é mesmo porreta, desculpe ficar tanto ausente.

    As coreos: as meninas do Reda são mesmo impecáveis. Amo aquele figurinos. E concordo contigo que há emoção, mas, para mim, a emoção das dançarinas está uma oitava menor que a emoção da música, o que me incomoda um pouco…

    A russa é realmente, excelente coreógrafa. Mas como performer, tava gelaaada. É acabei analisando essa parada via emoção mesmo. Porque técnicamentes, as três são de alto nível, mas muito diferentes.

    A Betz, o que posso dizer? Mata a pau. Coreografia econômica, contida, mas emocionada em cada milímetro. Tudo o que eu queria pra minha dança. É minha eleita.

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