Mais um post que ninguém lê

“A arca de Nóe foi construída por amadores, mas o Titanic foi construído por profissionais”.

Interessante como essa frase pode ser aplicada a nossa dança, hein? Afinal de contas, quantas apresentações de profissionais já vimos esvaziadas de sentimento e até de técnica enquanto desconhecidas dão banho de talento?

Eu não faço apologia à dança amadora, mas acredito que os eventos de dança costumam se tornar diferentes quando abrem um (mesmo que pequeno) espaço para aquelas pessoas que não vivem só de dança – que se dedicam por amor ou aquelas que até vivem de dança, mas que não são tão pop´s.

Por que eu estou dizendo isso? Por que é inacreditável que ainda vejamos dezenas de festas de dança do ventre que têm como objetivo divulgar o trabalho de quem já é bem conhecido no rol dos quadris sem abrir espaço nenhum para, pelo menos, uma nova convidada, pouco conhecida, mas com um estudo bacana e/ou uma boa história na dança.

E falo isso não como amadora querendo palco (embora muitos possam achar que esse é o real motivo do meu post), mas como público mesmo. Sabe… por mais que tenhamos excelentes bailarinas, é meio cansativo ver sempre as mesmas pessoas dançando… os nossos olhos precisam de novos estímulos. E essas mesmas pessoas que dançam nestes eventos são sempre as mesmas há alguns anos… aff! Até meu marido que só faz me acompanhar em eventos de caju em caju já disse o quanto acha chato ver sempre as mesmas bailarinas dançando.

Iniciativas no sentido oposto podem dar certo. Um exemplo acontece recentemente pelas terrinhas baianas: uma bailarina daqui de Salvador criou um evento bem legal onde 3 a 5 bailarinas se apresentam e, em seguida, é servido um jantar tipicamente árabe (isso pode ser muito comum no Sul/Sudeste, mas, por aqui, é novidade). Entre as convidadas, uma sempre costuma ser uma aluna da organizadora. Alunas num nível mais avançado, é verdade, mas alunas. Meninas pouco conhecidas mas com certa maturidade técnica. Eu ainda não tive condições de prestigiar o evento, mas ele já ganhou pontos comigo pelo fato de trazer carinhas novas. Como público, eu agradeço! E fico desejando que esse tipo de exemplo seja repetido por aí.

Entendo que quando organizamos um evento queremos que o público saia satisfeito e aí não dá para chamar para dançar alguém que não confiamos, mas, olhe bem, quantas pessoas têm ao seu redor que dançam com amor, têm técnica, mas não aparecem nos costumeiros eventos de dança? Perdemos muito quando criamos eventos de dança exclusivos para quem se propaga profissional ou está na mídia – é pop, como diz uma amiga minha. Que espaços estamos criando para novas bailarinas se continuarmos nesse caminho?

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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8 respostas para Mais um post que ninguém lê

  1. Vera disse:

    Lory,
    essa questão é interessante. De fato aqui em São Paulo eventos como esse tornaram-se comuns de uns tempos para cá, com abertura de novos espaços de dança para… profissionais. Funciona assim: as professoras que trabalham nessas casas fecham uma noite para seus convidados e elas mesmas produzem o evento. As alunas que dançarão têm de levar pelo menos dois ou qtos convidados quiserem a um preço X. Frequentadores da casa de origem árabe tbém são convidados e, para surpresa geral, toleram bem as apresentações de bailarinas amadoras, até das que não têm um nível assim tão avançado. Essas meninas, assim como eu, têm seu momento glorioso ao tirar fotinha no “Bar Fulano” (onde nem eu nem muitas amadoras que dançam já há um bom tempo têm a manha de ir fazer um teste) ao lado do seu ídolo músico ou bailarino(a). No final as profs também dançam. Todos vão pra roda de dabke, onde os arabedescendentes dão show e todos ficam felizes. É bacana e incentiva o surgimento de novos talentos. Mas ainda assim tenho impressão de que o Mercado, pelo menos por aqui, talvez respondesse a essa bela epígrafe que inicia o seu post: Só que não há provas concretas da existência da Arca de Noé, ao passo que o Titanic, embora tenha naufragado… muita gente viu e fotografou. Ele existiu mesmo.
    Outra coisa: acho que muita gente lê os posts que a gente escreve, mas não deixa comentários por motivos diversos. Outro dia uma amiga disse que leu meu post e a chou legal e eu perguntei por que ela não deixou comentário. Ela respondeu” Ah, pque eu tenho vergonha. Todo mundo lê os comentários!” Vai entender…

    • lorymoreira disse:

      Verinha, quando comento que é mais um post que ninguém lê é, na realidade, para indicar que, apesar de lerem, as pessoas não vão se importar. Cada um no seu próprio universo. Afinal, quem vai dar importância a voz de uma simples amadora? É mais nesse sentido mesmo. Beijos, flor. Obrigada pela participação.

  2. Ket disse:

    Das minhas andanças aqui pelo sul vejo bastante caras novas em espetáculos variados. Não sei se é a região, ou a coisa mudou nos últimos tempos, mas em td evento que vou, entre as bailarinas mais conhecidas sempre há um toque para alguem que está despontando, ou ainda alunas em potencial… Não tenho muito o que falar contra por aqui…
    Mas concordo sobre a necessidade de ocorrer, em todooo o lugar. bjooones!

  3. Deborah disse:

    Graças a Deus as coisas mudam…
    e quem vai a um espetaculode alunas deve ser avisado, respeitando quem está aprendendo !!

    bjokas e sucesso

    • lorymoreira disse:

      Eu não estou pedindo que transformem espetáculos “profissionais” em exibições de alunas ou amadoras. O que tentei dizer é que trazer carinhas novas é bom. E o público agradece.

  4. Rachel disse:

    eu vejo mais shows amadores do que profissionais. a dança do ventre tem um público pequeno e ao chamar alunas automaticamente os produtores estão ganhando público: família e amigos que pagarão o ingresso ou a consumação do restaurante. mas acho que isso varia de região pra região.

  5. Samara disse:

    Eu concordo com a Ket, aqui no Sul é mais comum ter caras novas. Minha profe atual era uma, quando a conheci num festival. Mas sim, tem que ser nacional. Todo mundo merece espaço. Eu sou uma amadora que dispenso o palco, mas gosto de ver amadoras no palco. E emoção. Sempre

  6. Em Brasília isso acontece também. Meu estúdio (Ayuny) faz eventos e convida as professoras para selecionarem alunas do intermediário e do avançado para fazerem duos e solos. Outros estúdios também fazem isso. É uma proposta pedagógica que permite às alunas desenvolverem coreografias próprias e aprenderem a se apresentar com o apoio de suas professoras e dos estúdios em que investem seu esforço.

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