Curso de formação de professoras em dança do ventre – uma idéia.

Ser professora é uma das atividades mais bonitas e sérias do mundo e, mais do que ter vocação é necessário que se tenha um mínimo de auto-investigação para adentrar nesse universo.

Embora não dê aulas de dança do ventre, sou instrutora de uma universidade do serviço público voltada para a capacitação de servidores e uma das coisas que mais faço quando estou (e também quando não estou) em sala de aula é analisar o meu comportamento diante do comportamento dos grupos que facilito.

aula

Pode parecer muito simples. Mas não é apenas entrar, trabalhar um conteúdo e ir embora. Quando estamos no papel de professores, temos uma gama de projeções direcionadas para nós. São inúmeras expectativas, desconfianças, receios… Costumo dizer que uma sala de aula é uma sala de espelhos – todo mundo projeta algo de si mesmo para aquela pessoa que ocupa esse lugar de “ensinante”.

E para nos sairmos bem, é necessário estarmos atentos ao nosso comportamento e, principalmente, a forma como nos comunicamos, ou melhor, para que fim estamos utilizando aquele poder que temos naquele momento porque, não se enganem, por mais participativo e democrático que seja um professor, ele tem um poder, um status que pode levá-lo a inúmeras insanidades.

Graças a Deus e a uma boa chefe, não me falta supervisão e, toda vez que saio da sala de aula, tenho uma pessoa com experiência esperando para me ouvir, para me ajudar a entender certas posturas dos alunos ou minhas, para me direcionar tecnicamente em relação ao conteúdo e me estimular a ir adiante mesmo quando as coisas não acontecem da maneira como eu desejava. Rola um feed-back genial para meu crescimento profissional e pessoal. Supervisão é tudo de bom!

Lógico que preciso muito dessa supervisão porque o meu trabalho consiste em não apenas transmitir um conteúdo. Nosso principal objetivo é modificar comportamentos dos participantes e, por conseqüência, modificar a cultura organizacional. É punk mesmo, mas delicioso! Um hiper-desafio!

CursosCapacitacao

Mas o que eu fico pensando é que essas projeções que rolam quando estou em sala de aula, também rolam em qualquer outra sala de aula. E como elas não devem ser interessantes numa sala de dança, hein? Quem dirá numa sala de dança do ventre!

Mas quantas professoras/bailarinas de dança estão realmente preparadas para assumir este papel? Ou melhor, quantas têm noção da responsabilidade e implicações inerentes a essa atividade? E indo mais adiante – quantas têm um espaço para discutir os problemas enfrentados em sala de aula no que diz respeito não apenas às relações, mas a metodologia de ensino?

Já vi diversos cursos de formação de professoras de dança do ventre por aí, mas nenhum que fornecesse um conteúdo mais sério no que se refere a estes quesitos.

Me assusta vê a propagação de pessoas sem qualificação, não apenas técnica – diga-se de passagem, dando aulas de dança do ventre. Gente, ser professor é sério!! No entanto, não acho que para dar aulas de dança a pessoa tenha que ter formação em pedagogia ou necessariamente uma licenciatura, mas investir um pouco de seu tempo em estudos não apenas da própria dança do ventre (tecnicamente e culturalmente falando), mas sobre o tema aprendizagem, educação de adultos e educação do corpo. Mas essa é a minha opinião.

Lógico que nem sempre a gente vai aprender a ser alguma coisa tendo apenas teoria. É necessário que haja prática. Mas prática sem teoria também não é lá grandes coisas…

Eu já pensei inúmeras vezes em dar aulas de dança do ventre, mas nunca levei essa idéia adiante. Não que não acredite no meu potencial, nem no meu esforço e dedicação para estudos. Acho que sou uma aluna bem dedicada, gosto de pesquisar, assisto vídeos com o objetivo de aprender mais e faço as aulas com muita seriedade. Quando posso, também faço o workshop que considero interessante. Mas acredito que somente isso não é necessário para me tornar uma professora de dança.

Sempre me lembro que a partir do momento que me tornar professora de dança do ventre, terei uma responsabilidade muito grande porque pessoas confiarão seus corpos (e muito mais que isso) a mim.

Sei que tem muita gente por aí, com bem menos preparo que eu, exercendo esta atividade. Não cabe a mim julgá-las. No final das contas, talvez se trate apenas de se sentir apta para exercer essa função. E se sentir apta não é, necessariamente, estar preparada tecnicamente, mas ter a coragem para assumir o desafio e, acredito eu, ter suporte – assim como o suporte que recebo toda vez que saio da sala de aula após mediar uma capacitação.

LivrosMaterialdidatico

Ando com uma idéia na cabeça e fico querendo que, um dia, alguém ainda invente alguma coisa assim: um curso de formação de professoras de dança do ventre bem consistente que ensinasse não apenas técnicas de ensino, mas um pouquinho de relações interpessoais, relação professor-aluno, e uma noção de processo grupal em sala de aula. Além disso, ter, ao final do curso, um tipo de estágio supervisionado onde a aspirante a professora pudesse dar aulas e ter uma profissional a acompanhando, orientando metodologicamente, enfim, dando uma supervisão de fato.

Pode ser viagem minha. Muita gente vai achar piração. Mas, se toda profissão requer estudo e qualificação técnica, porque pra ser professora de dança do ventre tem que ser diferente?

Bem, a idéia surgiu, saiu da minha cabeça, foi publicada aqui na net e agora virou propriedade do mundo. Tomara que o universo leve adiante. Se tivesse um curso assim aqui em Salvador, eu faria. E se fosse bom mesmo, indicaria. Sem pestanejar!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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5 respostas para Curso de formação de professoras em dança do ventre – uma idéia.

  1. ket disse:

    Acho que a dança do ventre como ‘disciplina’ não é levada tão a sério. Lembro q às vezes qnd parava p assistir uma a uma de balé, ficava até com medo! haha Pq havia uma rigidez, uma cobrança, uma questão de principios q eram levados a sério pela professora quanto à sua profissão. Raras professoras de DV têm isso. Algumas se aproveitam dos conceitos ‘feminilidade’, ‘milenar’, ‘sagrada’ pra dar aulas que escapam muitas vezes de princípios e regrinhas básicas de boa convivência. Jogam a falta de profissionalismo nas costas da desculpa ‘é sagrada milenar vem da alma’ ¬¬
    fala sério.

    dançar com alma não significa dançar sem métodos e disciplina.

  2. Elaine disse:

    Oi Lory, gostei das reflexões, esse curso seria praticamente uma graduação em dança do ventre e ele seria realmente importante em nossa formação, mas não conheço muitas profissionais capacitadas para ministrá-lo e isso seria um problema.
    Muita sorte sua essa surpevisão que vc recebe, eu adoraria ter isso mas, infelizmente, não confio no trabalho de ninguém o suficiente para tal, sem contar que é raro encontrar alguém que oriente sem tentar controlar vc, sem “determinar” o caminho que vc deve tomar.
    Eu nunca me senti preparada para ser professora e sequer gosto desse trabalho, mas sempre que tento sair me vejo enlaçada pelas alunas que se tornam amigas ou por novas alunas com os olhos cheios de expectativas, mas vou falar mais sobre isso depois no meu blog e a gente troca mais ideias.
    bjocas

  3. Eduarda Garcia disse:

    OI Lory, aqui em Niterói (RJ) tem um curso exatamente assim( q eu estou cursando). Tem 2 módulos, um sobre dança e outro sobre didática, O curso dura 1 ano com aulas toda semana de 2h… E temos estágio supervisionado, aprendemos tb sobre organização de eventos e outras coisinhas mais…
    BJus

  4. Rachel disse:

    Olá Lory. Enquanto esse tipo de curso não é viável vejo muitas profissionais buscando a saída disso em cursos de graduação que oferecem licenciatura em dança ou em algo próximo.

    Didática para a dança, psicologia da educação, arte-educação e temas próximos a estes podem ser encontrados nos cursos de graduação. Como a maioria das professoras de dança do ventre não possuem essa formação acho difícil achar alguém que possa efetivamente ministrar o tipo de curso que você busca.
    Trocar idéias com professoras mais antigas ou coisas do tipo podem te levar a ter uma percepção interessante sobre o tema, mas embasamento teórico e prático só vejo mesmo na área acadêmica. Porque qualquer bailarina profissional que não possua embasamento teórico em didática dificilmente está capacitada pra falar sobre isso em termos sólidos, mas estas podem lhe dar uma gama enorme de experiências reais da sala de aula que o mundo acadêmico talvez não possa. Eu penso, de forma humilde, que o ideal é unir os dois.

    Enquanto não é viável acredito que seja uma boa idéia você buscar cursos livres ou alguma outra graduação que possa completar essa lacuna. Abraços!

  5. Nayara disse:

    Olá Lory, tudo bem?
    realmente voce tem razão, a dança do ventre no Brasil infelizmente não é tão levada a sério no Brasil como outros estilos de dança, mas nós profissionais da área temos o dever de mostrar que esta dança não é apenas mexer o quadril pra lá e pra cá que ela desenvolve muito a mulher tanto fisicamente como mentalmente e espiritualmente, relmente também sempre pensei em um curso assim e me sentia desiludida por nao existir alguem com experiencia e competencia suficiente para tal curso, mas Deus colocou no meu caminho um profissional maravilhosa a Elis Pinheiro da casa de chá Khan EL Khalili aqui em Pinheiros – SP e faço com ela o curso de formação para professoras de dança do ventre e realmente percebi que me não estava preparada o suficiente para ministrar aulas , mas depois desse curso com ela que tem suração de 1 ano, agora sei que o que faço em sala de aula é qu realmente tem que ser feito e estou muito mais confiante..é um curso indispensável para todas bailarinas que desejam dar aulas…..façam o curso para mais informações a respeito entre no site…..www.elispinheiro.com.br….espero ter ajudado

    bjão

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