Ser simples é tão difícil!

Parece afirmação de doido, né? Mas nem tanto…

Uma das reflexões que mais têm seguido comigo nos últimos 3 anos de dança do ventre é como tornar minha dança simples e, ao mesmo tempo, rica. Rica num sentido de valorosa, abundante de consistência ao invés de passos.

Ontem estive no workshop de baladi e melea-laf com a Roxxanne Shelby promovido pelo Projeto Elements de Gal Sarkis, Selene Nefher e Marcos Ghazalla.

Roxxanne Shelby

Roxxanne Shelby

Pra quem não conhece, a biografia da Roxy é algo assim: pai libanês, mãe brasileira. Nasceu e foi criada nos Estados Unidos e, desde os 5 anos, dança. Sua principal professora foi a minha “ídala” Sahra Saeeda e, mais tarde, conheceu a Farida Fahmy e o Mahmoud Reda que a convidaram para dançarem no Egito. Foi a esse país inúmeras vezes e fez aulas com grandes mestras, entre elas, a fuderosa Fifi Abdo. Pouco, né?! Rs!

O work veio como uma excelente oportunidade para alguém faminta de conhecida e dura de dinheiro como eu: 3 horas de aulas com a Roxy a um precinho super acessível. Um parênteses – preciso agradecer publicamente aos mentores do Elements. Se não fosse uma oportunidade dessa, certamente esse ano passaria batido sem um workshopzinho sequer pra a pobretona aqui: muito obrigada, meninos!

Bem, mas voltando a Roxy. Uma bagagem monstra de cultura e vivência egípcia e muitos anos de estudos e investimento. Um workshop de qualidade maravilhosa. Mas não pensem vocês que isso queira dizer que aprendi novidades. N-a-d-a de novo. Pasmem… Sabe o que aprendi? Que ser simples é um luxo!

Na aula de baladi, a Roxy trabalhou com movimentos fortes, simples e despreocupados com a classe e elegância que o padrão ocidental nos exige. Já no melea-laff desconstruiu todas as viagens que tinhamos e meio que caímos do cavalo.

Há muita especulação e pouca verdade nesse nosso mundo de miçangas, viu? Mas falo mais sobre isso em outro post…

Roxy - feminilidade, delicadeza e simplicidade

Roxy - feminilidade, delicadeza e simplicidade

Enfim, o que queria dizer é que passei alguns minutos a observando e me dando conta de que tenho muito que aprender na dança. Mas não necessariamente o aprendizado, no meu caso, passará pelo aprimoramento técnico, mas pelo encontro da beleza do simples.

Jesus, como isso é difícil! Mas a Roxy estava lá, lendo a música lindamente só com oitos, tremidos e batidas laterais. Aff, que inveja!

Aqui no Brasil não vejo muito espaço para sermos tão simples, pois estamos com o cérebro lavado de tando padrão, de tanta caixinha, de tantos rótulos, (que aceitamos porque queremos) que já não conseguimos mais encontrar beleza na simplicidade. Já não nos bastam as batidas laterais e os oitos, queremos as pernas da Saida, os trancos da Randa, os giros da Ansuya.

Aí chegou a Roxy, com aquela cara linda, aquele sorriso gostoso e simplesmente me trouxe de volta para a mesma questão: o que eu faço para ser tão simples sem parecer simplória como ela?

Aff! Que work renovador. Quero mais! Mas, enquanto não tem repeteco, assistam um pouquinho o trabalho dessa mulher linda:

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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9 respostas para Ser simples é tão difícil!

  1. Vivi Amaral disse:

    Florzinha, me diga se este não era um work OBRIGATÓRIO a quem estuda seriamente a DV?
    Quando Marcos me contou sobre a empreitada de trazer Roxxy vibrei muito, e desejei ardentemente estar aí com vcs. Acredito que Roxxy tenha trazido ares novos com sua dança e seu conhecimento. Já estava na hora de mudar, né?
    Estudando a dança (meiguíssima!) desta mulher, noto que ela não é uma bailarina que explode, mas nem por isso sua dança se torna menor ou menos interessante. Vejo uma mulher muito a vontade com seu corpo, extremamente sintonizada com a melodia e o melhor, curtindo o que faz, sem aquela agonia de ler todo acento, todo dum e todo tak. Vi uma mulher elegantérrima, o cabelinho nem saía do lugar!
    É uma dança que o espectador consegue desfrutar, saborear e entender. Diferente das performancers aceleradas e aflitas que se tornam cada vez mais frequentes.
    Fala mais sobre o que ela falou fia… Tenha piedade da gente que não mora em Salvador!
    Beijos com saudade do cê.

    • lorymoreira disse:

      Neguinha, bom te ver por aqui. Estou escrevendo mais sobre o work da Roxy. E sim, deveria ser obrigatório pra quem estuda DV, mas sabe que o povo tende a valorizar muito mais aquele perfil Casa de Chá, né? Ô tristeza…

  2. Márcia Mignac disse:

    Oi meninas. Fico muito feliz com a consciência das pessoas que estiveram com Roxy nesse final de semana. Eu, particularmente sou uma pessoa suspeita para falar dela…pois se o meu encantamento inicial em 2001 foi de dançarina, agora falo como uma irmã. Em 2005 organizei um Show e Work com ela (o tema foi bastão e Hagala). E da mesma forma que agora, foi impressionante o seu domínio sobre o tema e as informações da cultura egípcia que ela nos oferecia. Contudo, senti que poucas pessoas conseguiram acessar as informações ali passadas (me senti muito triste). Ontem, conversando com quem fez o work e assistiu o show, fiquei muito feliz pelo entendimento que agora os profissionais da dança do ventre começam ter. Que bom!!! Se passaram 4 anos e vejo que nós estamos amadurecendo. Volatndo a Roxy…Sabe o que mais me fascina na sua dança? O que ela me disse uma vez… a dança egípcia é como uma costura, uma linha de costura, seus movimentos são ligados como um caminho sem fim… Eu consigo ver isso nela, em fifi.. porque ambas têm a qualidade redonda da dança. E… sabem dialogar com a melodia da música… olha lory… não é apenas o simples que é difícil… ahhhh a ORGANICIDADE também… Roxy nos mostra uma dança orgãnica, natural, que brota sem esforço… sem efeitos… sem a necessidade de mostrar 10 passos em minuto. Sabe se vira nos 30? Ela não tem isso. Sua economia de movimento é um convite a reflexão. Sua organicidade é um desafio. Ufa!!!! beijos

  3. samara72 disse:

    Lory, tô deslumbrada.
    Primeiro porque a moça é tuda e eu, que todo mundo acha tão “do meio”, nunca tinha ouvido falar. Ela tem uma dança que fala tudo o que eu quero dizer, embora a maioria do público de dança do ventre ache chata e repetitiva.
    Segundo, porque eu tô tentando escrever um post sobre isso há uns quinze dias e não acho as palavras. Só consegui chegar a “não quero ser uma acrobata do ventre’. O resto é isso que você falou. Quero chegar numa dança simples, orgânica, que não corra atrás da música, altamente emocional, que respire. Porque é também uma dança que respeita minhas limitações de balzaca semisedentária, porque, por mais que eu goste de estudar, nunca vou chegar nas seis horas por dia de uma profissional, porque sou profissional de outra coisa e quero estar trabalhando com isso nesse tempo. O que não me impede de fazer arte -ainda que amadora.
    Mas como é difícil isso, né? Talvez mais difícil que a técnica. Obrigada pelo post.

  4. Márcia Mignac disse:

    Meninas… um presentinho… da outra vez q Roxy veio, nos filmamos. Posso pedir a ela, para passar os DVDS q tenho para vocês. Agora eles estão com parte das minhas coisas em São Paulo. Logo, se tiver o aval dela e assim que tiver com os DVDS em mãos, trago para vocês em uma dessas minhas passagens por SSA, ok? Então fica mais material para vocês estudarem um pouco mais. Biejos.

  5. Elaine disse:

    Oi Lory, que bacana esse workshop, gostaria de ter participado, então vou devorar as informações que você publicou.
    Sobre o “simples” eu também fiz essa descoberta nos últimos anos, e isso mudou completamente meu modo de ver a dança e de me relacionar com ela.
    Você perguntou “o que eu faço para ser tão simples sem parecer simplória como ela?”, a resposta é simples, se você não se sentir simplória não o será, nós somos nossas maiores críticas, a gente se boicota toda hora.
    Quando você acreditar de verdade nisso tudo que escreveu eu tenho certeza que vai ser (e se sentir) como deseja. Ao menos comigo tem sido assim.
    bjocas

  6. Pingback: Saldo positivo « (An)danças de Lory

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