Melea-laff: desconstruindo os mitos

Sahra Saeeda e seu melea-laff

Sahra Saeeda e seu melea-laff

Compartilhando um pouco do work da Roxy e ajudando a divulgar a informação: melea-laff não é uma dança executada nas ruas de Alexandria, nem do Cairo. Ela é uma invenção do Mahmoud Reda que, observando as mulheres andando nas ruas enroladas com um véu preto, resolveu criar uma cena pra seus espetáculos de dança.

Ficou triste com a notícia? Eu também, embora já imaginava que a maior parte do que sabíamos era fantasia.

Esqueça a história dos portos, dos marinheiros, dos flertes. A egípcia não flerta. No máximo, pode levantar o olhar do chão uns 2 segundos para espiar o objeto de desejo… coitadas de nós, imaginando que as mulheres de lá paqueravam assim…

Segundo Roxy, o figurino utilizado nos placos pelas meninas do Reda foi baseado numa roupa que fazia muito sucesso na epóca: um vestido colorido de alcinhas que se usava por baixo do melea. Adicionou-se os babados porque a Farida achou que daria efeito visual a cena. Simplesmente.

Estilo melea de Orit

Estilo melea de Orit

Roxy deixa a dica: dá pra optar por uma galabia, mas nunca coloque uma roupinha normal de dança do ventre.

Pode ser dançado com qualquer música. Não tem necessidade de um ritmo específico: pode ser baladi, pode ser moderna, poder ser pop… fica a seu critério e bom senso. Um taksim de violino com melea seria bem esquisito, né?

Não necessariamente precisa ser dançado de pézinho no chão. Ou seja, se quiser, pode botar meia-ponta.

O chadô é outro mito. Na época que o Reda criou o melea-laf, estava na moda aquele chadô de furinhos, tipo crochê. Hoje em dia, o chadô é todo fechado, mas não há necessidade de usá-lo. Outra invenção.

Melea-laff de Roxy

Melea-laff de Roxy

A história do chiclete faz parte do imaginário de personagem que você quer criar pra sua dança. Se quiser criar uma suburbana que anda mastigando chiclete, fique à vontade. Se quer criar uma perua chique de celular, também pode. Sapatos de salto são excelentes para as performances.

Amarre um lenço na cabeça. Ajuda a segurar o melea. Mas não precisa ser aqueles com pompons, só se você optar por isso. Não tem que ser isso ou aquilo. É uma escolha que você pode fazer, ou não.

O que tem que ter: braço esquerdo SEMPRE coberto pelo melea, pois, segundo Roxy, o lado esquerdo, no Egito, é reservado para atos higiênicos. Nunca se oferece este lado para um aperto de mão e, se você optar pela entrada com o melea, apenas o lado direito deve estar á mostra.

Elegância até no melea - Nour

Elegância até no melea - Nour

Outras dicas: o melea, estando na altura da sombrancelha, deve atingir um comprimento, de, no mínimo, a altura dos seus joelhos e ter um espaço de cerca de meio metro de sobra nas suas mãos. Evite usar vestidos escuros, pois o melea já é preto, fica tudo escuro demais, embora, a gente veja que na foto acima a Nour esteja lindamente inserida num pretinho básico.

E pra deixar algumas boas inspirações, um vídeo da minha musa Amani…

… e outro da Sahra Saeeda, uma delícia de assistir!

Agora, é soltar a criatividade, pois o melea é uma cena. Foi criado pelo Reda. Ele não existe de fato. Divirta-se, dance e depois, volte pra contar a experiência.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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14 respostas para Melea-laff: desconstruindo os mitos

  1. Samara disse:

    Rô vai ter um treco…

  2. Ket disse:

    oie!
    haha ok,l deixei o twitter de lado uns dias =p
    Eu gostoo de Meleah, mas não sei se sei dançar haha. Ano passado qnd a proposta d core era um meleah eu cai fora. Porque não conseguiria-nakele tempo- expressar toda a meiguiçe e a brincadeira tipicas dessa dança.
    Um dia..um dia \o
    òótimo post!

  3. Lucy disse:

    Obrigada por dividir esses preciosos ensinamentos com a gente, Lory!

    Beijão!

  4. Dina disse:

    Lory..realmente muito diferente do que imaginavamos…por isso é bom “beber a água” direto da fonte…
    Adorei o que tu escreveu…
    Bjosss

  5. Vivi Amaral disse:

    fia, e aquele lance que o Mahmoud disse, de ser coisa de p***? Ela falou alguma coisa? Procede?

    • lorymoreira disse:

      Vi, lógico que comentei isso com ela! Não podia deixar passar batido. Como o Marcos falou, essa informação, segundo a Roxy, não procede…

  6. Lory meu anjo, vc fez o resuminho que eu estava querendo fazer, obaaaaaaa… Rs…

    Vivi, saudades nega! Então, segundo Roxxy, NÃO PROCEDE! A dança foi inspirada nos costumes do dia a dia de mulheres árabes que usavam o meleah para se esconderem dos olhares ao saírem nas ruas, para serem respeitadas uma vez que não estavam se mostrando. Foi um costumes de época. Ainda hoje é possível ver senhoras da terceira idade usando o meleah, preservando tal hábito. (Fiquei doido para poder observa-las ao vivo… Aiai).

    Xero grande galera!!!

  7. Najlah Zahle disse:

    Muito legal o texto! Já tinha lido alguma coisa nesse sentido no Gilded Serpent. Proponho que escrevas um pouquinho também sobre o trabalho do Mahmoud Reda, porque acho que é aí que residem as confusões… As pessoas assistem os espetáculos dele e tiram dali elementos que irão ser repassados como verdade-folclórica do Egito, quando na verdade são representações “inspiradas” no que ele viu no interior do Egito. O meleya se encaixa nisso…
    Um grande abraço!

  8. Pingback: O que você quer dançar? « Yallah!

  9. Rô Aziza disse:

    Gente!!! como assimmmmm????? e onde fica o folcloreeeee disssooooo??? ai meu Deus???? tenho uma coreo de meleah para fazer e agora deu um nó na minha cabeça!!!! o que considerar então? mesclar uma meleah, com informações diferentes??? criar um estilo de meleah diferente, inovar??? aiiiiiiiiii…….?!?!?! com certeza será isso…obrigada pela informação. Vou estudar mais para adaptar o real do inventado…será???bjins

    • lorymoreira disse:

      Quer um conselho? Faz tudo que vc tinha pensado em fazer mesmo. Se diverte e se joga. Dança é massa: o que não for uma tentativa de reprodução cultural, é arte.

  10. Amura Z. disse:

    “Folclore é um gênero de cultura de origem popular, constituído pelos costumes e tradições populares transmitidos de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios, canções, danças, artesanato, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos característicos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo.” Fonte: Wikipédia

    Oi Lory, gostei muito do que você escreveu a respeito do Mellea e acho que vários pontos são bem ao pé da letra mesmo. Estudo muito o Reda e sempre procuro conversar com ele a respeito dessas danças todas que nos rodeiam. Já ouví dizer que ele “criou” sim o mellea, mas essa criação dele foi baseada em diversos estudos que ele fez durante todas as viagens pelo Egito inteiro. Essas “estórias” contadas existem sim, só que serviram simplesmente de laboratório para a criação mais detalhade. São muitos detalhes misturados.
    Mellea, continua sendo um folclore então, até porque folclore não precisa ser necessariamente verdadeiro. Pode nascer de um mito, uma lenda…
    Pra gente se situar, as historinhas contadas ajudam muito como objeto de pesquisa além de nos divertir né?

    É isso. Gosto bastante de suas postagens apesar de conhecer a pouquinho tempo.
    Beijos

  11. Isis Delphino disse:

    Oi!!! Alguem saberia me dizer de onde e a Roxxy, me passar o site dela. Bjs

  12. Aisha Munria disse:

    Nossa. Meu mundo caiu rsrsrs. Bom, no final o Mahmoud Reda acaba criando um novo Folcorem assim como Hollywood criou as apresentações com duas peças em vez de galabias, e por aí vai. Isso mostra que devemos mesmo sempre buscar mais informações do que as que nos sao passadas em primeiro momento. Muito obrigada por compartilhar conosco. Beijos

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