“Eu quero ser tocada pela essa energia do feminino, estou cansada de só técnica”.

HS2229

Essa frase compõe o depoimento de uma conhecida minha. Por questões éticas, não mencionarei o nome da moça.

Ela faz aulas regulares de dança do ventre já há alguns anos e sempre com a mesma professora. Apesar do tempo de aulas, é visível que sua dança ainda precisa evoluir muito mais. É como se ela estivesse sempre travada. Ela diz estar cansada de ser cobrada de sua professora uma exigência técnica que ela não consegue alcançar e, para ser mais sincera, ela diz que não é esse o seu objetivo.

Confidencialmente, me conta que fica particularmente tocada quando vê uma mulher dançando expressando feminilidade e sensualidade e que ela gostaria muito de conseguir transmitir isso, mas que se sente incapaz de realizar tal façanha.

A moça em questão faz terapia já há algum tempo e tem chegado a conclusão de que as aulas de dança do ventre, ao invés de ajudá-la no seu processo de descoberta do feminino, têm a limitado enquanto pessoa – só acha espaço na sala de aula para expressar o conteúdo técnico que aprendeu ou não. No caso dela, é o não aprendido.

E, sendo assim, ela quer largar a dança pois não entende mais como casar a sua busca pelo eterno feminino com a dança do ventre.

Eu, que já tinha escutado um punhado de coisas nesse mundo de miçangas, fiquei surpresa. Sugeri a ela trocar de professora, mas ela não acredita muito que possa ser diferente.

Neste caso, a dança do ventre foi para um sentido contrário a tudo aquilo que eu imaginava que ela fosse capaz de causar. E eu que pensava que essa era a dança da libertação da mulher…

***

Tocada por essa história, vou começar a publicar alguns posts voltados para a questão da sensualidade na dança e do despertar do profundo feminino por outros meios que não necessariamente a dança oriental… afinal de contas, há outros caminhos para encontrar seu feminino e sua sensualidade.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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4 respostas para “Eu quero ser tocada pela essa energia do feminino, estou cansada de só técnica”.

  1. lailashadows disse:

    Mexeu demais comigo esse post. Meda.

  2. Elaine disse:

    Oi Lory, essa surpresa que você demonstrou com o caso de sua amiga eu não demonstro mais, para mim esse relato não é novidade, eu mesma vivenciei isso.
    Algumas professoras focam apenas no feminino e esquecem bastante da técnica e outras vão na contramão disso, um equilíbrio seria bom, mas é bem difícil de se encontrar (eu ainda não vi).
    Eu acredito que as professoras, em sua grande maioria, estejam preocupadas com suas alunas, mas não conseguem encontrar um meio termo e acabam cobrando excessivamente, no caso do foco na técnica, e isso acaba incomodando quem não está com a intenção de se tornar profissional, de competir em concursos.
    Por outro lado se a aluna está buscando técnica e a professora focar no feminino ela vai ficar louca da vida porque não encontrou o que buscou.
    Acho que a troca de professora possa sim ajudar, e a terapia certamente também será fundamental, mas se afastar de algo que está fazendo mal também pode ser importante na busca do equilíbrio, sempre há tempo para retomar os estudos.
    No meu caso, eu busquei a terapia também, primeiramente por uma enorme curiosidade, e depois por estar me sentindo sufocada por algo que eu tanto amava, a dança.
    Depois que eu avaliei a minha relação com a dança, pensei sobre o que eu buscava e coloquei tudo em seu devido lugar, me senti muito melhor dançando.
    Na verdade o dilema de sua amiga é o de muitas mulheres que buscam a dança, mas nem dá para lamentar quando alguém abandona a dança nessas condições, pois a dança dá a cada uma o que ela buscar e, por vezes, não dá nada a não ser um enorme stress mesmo, cada pessoa reage de um modo às mesmas situações, cada um tem uma necessidade, o importante é que ela está, de fato, buscando o equilíbrio e esse é o primeiro passo para que ela o alcance.

  3. Vivi Amaral disse:

    Ai Lory, que sinuca…

    Acho que rola uma confusão sobre o significado do que vem a ser esse tal de “feminino”.

    Eu entendo que essa expressão tem a ver delicadeza, sensualidade, docilidade, aconchego… Não entendo isso como algo que esteja “fora” do ser humano (sim, porque homem também tem o seu feminino, mas isso é outra prosa). Eu noto no discursos de algumas profissionais da dança um equívoco ao associar a ideia do feminino à algo místico, no sentido de existir uma “divindade” que lhe dá essas características. Ainda que seja num sentido figurado essa alusão, dá a conotação de algo que vc necessita buscar fora, quando na verdade, tudo o que compõe o feminino está dentro da pessoa, na sua psiqué.

    A questão é como fazer emergir esse feminino.

    A forma como uma mulher expressa a sua sensualidade, a sua delicadeza tem estreita relação com a sua história de vida. Se ela se sente mais masculinizada ou menos feminina, e se isso a incomoda, precisa investigar o por quê disso acontecer. A dança pode ajudar, mas eu, particularmente, não acredito que só a dança auxilie nesse processo.

    Nesse caso, trocar de professora ou sair da dança não ajuda, nem piora esse quadro.

    Retomando, como a expressão do feminino tem toda ligação com a história de vida de uma mulher, não se pode esquecer então que cada uma expressará esse feminino de uma forma. Ora, somos todos diferentes, cm suas particularidades, peculiaridades… Não há como se formatar um padrão de expressão! Simplesmente impossível. Eu posso enquadrar movimentos, sequencias coreográficas, mas algo tão subjetivo como o expressar feminino, não, impossível. Cada um é um.

    Talvez a professora dessa sua amiga não enxergue a forma como ela expressa o femino dela. Imagino, pelo seu relato, que esse mulher deve ser uma pessoa retraída na aula, até pelas cobranças que ela recebe e se faz. Bom, só isso já seria um bom motivo p/ a expressão se enclausurar e não sair nada.

    Bom, se o caso é de limitação da professora de não enxergar as nuances pelas quais sua aluna se expressa, então, nesse caso, é melhor ela trocar de professora mesmo.

    Tá vendo como é uma sinuca?

    Preciso sair,depois volto e proseio mais…
    Beijo.

  4. vimorrison disse:

    Me identifiquei com esse post. Tenho essa mesma sensação, por isso um ano atrás larguei a dança. Não vejo mais sentido e não sinto inspiração mais de procurar a tal magia da dança do ventre.

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