Questiono, logo existo.

Tenho recebido alguns comentários bem ácidos relativos ao meu post sobre o ballet.

Interessante perceber que fanatismo e falta de educação não são exclusividades do público da dança oriental, como algumas vezes a gente desse meio acaba achando. O ser humano é mesmo capaz de tudo (de bom e de ruim).

Lógico que esses comentários são deletados. Esse espaço aqui, babys, não é para isso. É meu blog, meu respeito, meu lugar. Só pra lembrar: aqui eu escrevo a minha opinião. Se você não gosta, dispense. Se discorda, participe. Com respeito, tudo é possível, ok?

Tem um dos comentários deletados, de uma moça muitooooooo educada, que gostaria de deixar aqui para nossa reflexão: “se você quer questionar o ballet, procure uma escolinha de esquina”.

Não questione. Se aprisione.

Pois bem, que tipo de dança estamos ensinando quando optamos pelo militarismo em detrimento de uma relação adulta? Quando damos ao aluno apenas o dever de engolir goela abaixo as condições impostas por uma escola/professora, sem dar a ele a possibilidade de entender o motivo da condição, que tipo de cidadão/sociedade estamos ajudando a construir?

Certamente não uma sociedade democrática e participativa…

Questionar faz parte da condição humana. É assim que a gente aprende sobre o mundo e sobre nós mesmas.

De minha parte, enquanto estiver viva, o farei. Quando questiono, espero respostas inteligentes e, se possível, convicentes e coerentes. Acredito que é com base nessas conversas que a gente cresce e se entende.

E aqui uma resposta para minha leitora agradabilíssima: se na escolinha da esquina houver uma boa professora, disposta a uma relação adulta e madura com suas alunas, não dispensarei. É na esquina que a vida da gente literalmente muda de perspectiva.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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17 respostas para Questiono, logo existo.

  1. Shaide Halim disse:

    clap clap clap clap clap… belo post!

    É nessas horas que eu acredito q tem gente que precisa mesmo de um tanque de roupa pra lavar!

    A sua frase disse tudo: quem não questiona, se aprisiona. É a partir desses questionamnetos que vamos filtrando o que convém e o que não convém para nossa vida. Mas infelizmente tem muita ovelhinha que apenas segue o fluzo, sem parar pra pensar, sem considerar que foi a partir da quebra das regras (que vieram, obviamente, pelo questionamento) que tanta coisa boa foi gerada nesse mundo!

  2. Daiane disse:

    Não nos preocupemos com o instinto de rebanho. Que seria do potencial criativo sem aqueles que mantém as regras para que possamos desafiá-los? Hehehe! Beijos Lory!

  3. maíra magno disse:

    lory esta questão é tão antiga quanto a roda e tão insolúvel quanto o paradigma do ovo e da galinha
    quem é realemente profissional em dança, quem vive disso, tem um nível competitivo, esta na ativa e em especial com nível técnico de elite, sabe por A+ B que não é possivel sem a estrura e a diciplina do clássico, mesmo que a pessoa nunca tenha feito uma aula de balet, o que é realemnete raro levando em consideração os bailarinos de elite e aqui me refiro a todas as linguagens, mas sem uma diciplina militarizante e um método de estudo extremamente bem organizado, que são fundamentos básicos do ballet, pode esquecer não rola.
    então a afirmativa de que o clássico é base para tudo, se considerarmos este tudo, um nível técnico de eleite em qualquer tipo de dança possivel, não é uma inverdade.
    porém, ha algumas pessoas e escolas artisticas e de pensamento que não esperam da dança virtuose, vêem a dança como um mecanismo de transformação da sociedade, como uma forma de livre expressão, como uma maneira de auto conhecimento, etec. Esse tipo de mentalidade, e eu creio que vc se inclui neste tipo, vê o classico com extremma seleuma, pois este é militarizante, estratificado, duro e sem possibilidade de mudanças.
    e ai desde que o mundo é mundo esses 2 tipos de pensamento se duelam e nem sempre o duelo é educado.
    Mas o cerne da questão é que de fato estamos tratando de 2 assuntos distintos, nós do classisismo ( veja que estou me colocando neste grupo) queremos virtuose, e para esta não foi inventada ate agora uma metodologia de trabalho tão eficiente como o clássico
    vcs os humanistas ( se é que este é um termo cabivel) querem a expressão humana, e o clássico de inicio realmente parece encarcerar as pesonalidades dentro de um rigor tecnico militar
    a dança de vcs não é a nossa, então esta discução toda é inválida, ou seja ado ado ado cada um no seu quadrado

    • lorymoreira disse:

      Maíra, flor, não acredito num mundo tão cartesiano, onde as tendências não possam se mesclar e, a partir daí, surgir uma nova linguagem artística. Eu realmente acredito que a dança pode proporcionar pequenos espaços para a construção de um novo modelo de sociedade, mas não acho que isso deva ser levado assim tão ao pé da letra, da mesma maneira como não acredito que o excesso de virtuosismo técnico do ballet seja tão irredutível. Tô com Morin até a última gota: acredito piamente na base do pensamento complexo.

  4. Lucy disse:

    Não dá atenção, amore. Existe todo tipo de gente. E, que eu saiba, temos liberdade de expressão garantida pela constituição do Brasil. Ora bolas.

  5. Elaine disse:

    Flor, tem gente que adora ser gado, já me conformei!

  6. Vivi Amaral disse:

    Baby…Não tome como pessoais as ofensas, até porque isso não é possível uma vez que não conhecem você.

    Vamos lá. Dessa vez vou falar.

    A dança – como expressão humana, que vem antes da artística – é um tronco de onde saem diversos ramos. Cada um desses ramos tem uma forma, um peso, uma cor e um jeito de balançar com o vento totalmente diferente do outro ramo.

    Mas todos eles tem a mesma origem.

    Infelizmente, o ensino da dança – sobretudo o ballet, clássico ou contemporâneo – ainda está voltado para a formação e descoberta de talentos (ou virtuoses para falar o vocabulário do meio). A partir dessa mentalidade, utilizam-se metodologias que acabam por ‘ensacar’ seus aprendizes e embotam sua capacidade de criar em cima da técnica aprendida. O resultado é que vemos muita cópia, muito mais do mesmo.

    Esse é um ponto da questão.

    As regras do ballet (assim como as de outras danças) foram criadas a partir de uma demanda. O cabelo preso facilita o giro, a malha clara expõe melhor o corpo do bailarino e assim por diante. Isso é fato e tem sua pertinência. Porém, estamos tratando dos exageros, daquilo que estrapola a necessidade e torna-se preciosismo desnecessário (como estipular a cor da redinha que segura o coque) e que vem para atender (ainda que de forma velada), a vaidade daqueles que estão num grau/posição acima de seus aprendizes.

    Dança é expressão natural do ser humano. O que fazemos ao entrar para cursos de ballet, jazz, dança do ventre, forró é aprender uma forma de movimentação específica que corresponde àquela modalidade que procuramos, em outras palavras, técnica. Nisso tudo, o virtuosismo é a exceção, porque se trata, dentre outras coisas, de uma habilidade além da média que uma pessoa tem para realizar os mesmos movimentos que o outro faz.

    Esse é o outro ponto.

    A problemática disso tudo que vc traz aqui e que gerou tantas defesas à favor da ‘militarização’ do ballet é que a maioria das pessoas já está tão condicionada a que pensem – e coreografem – por elas, que qualquer discurso que aponte para a quebra desses paradigmas (ou nem isso, que aponte então para a flexibilização dessas regras)é visto como leviano e insubordinado.

    Sim, dá nos nervos. Sobretudo porque estamos tratando de dança, de algo cuja finalidade é, acima de tudo, ser lúdica, prazerosa, promotora do auto-conhecimento e da qualidade de vida, seja para quem faz ou para quem assiste, seja um virtuose ou não.

    Mas não desanime, flor. Questionar incomoda porque cutuca as vaidades e as ‘verdades’ estabelecidas. Mas faz o mundo girar.Por isso é sempre necessária.

    Imagine se Isadora Duncan não tivesse questionado?

    bjbjbj.

    • lorymoreira disse:

      Não me ofende, flor. Só acho que a gente pode aproveitar a deixa para ter uma discussão boa. E olha como rendeu bem esse post? Estamos aqui, de fato, discutindo sobre a condução do ensino do ballet, mas poderiamos estar também olhando pro nosso umbigo bellydance – cheio de excessivas “liberdades” metodológicas. O extremo oposto do ballet. E, por isso, igualmente problemático.

  7. Samara disse:

    Tô contigo até a medula.
    E com todos os que não fazem questão de dar a última palavra sobre questões. E que não fazem análises reducionistas. E que encaram a discussão da diversidade e complexidade.
    Beijo.

  8. maíra magno disse:

    lory e colegas, agora deixa só eu fazer uma perguntinha pra vcs, se o ballet é tão restritivo á criatividade humana, como alguns dos maiores criadores em dança da humanidade, conseguiram ser oriundos do ballet?
    nijkisk, martha graham, mahmou reda, abdull halim caralalla, ivaldo berazo, maurice brejart, fred astair, limon, balanchine…e dai segue uma lista infinita.
    a questão é vista com simplismo de ambos os lados, tanto os que acham que não ha verdade fora do ballet, quanto os que acham que o ballet é a cadeia da individualidade e da livre expressão. Se verdade como justificar tantos gênios criativos?
    o ballet é só uma técnica só isso

    • lorymoreira disse:

      Mas eu não disse que o ballet era restritivo a criatividade humana, Maí. Se acreditasse nisso, jamais me matricularia numa escola de ballet. A minha questão é o militarismo. Morro de inveja de quem tem a base do ballet, aquela postura linda-de-morrer, a flexibilidade… etc. Só acho que a maneira como algumas escolas e pessoas conduzem a questão não é a mais adequada para uma sociedade como a nossa…

  9. maíra magno disse:

    bom, o ballet é sim anacrônico, é algo da sociedade do sec 18, mas funciona. Isso é incontestavel.
    Na verdade nao foi criado até hoje uma maneira realmente eficaz de se trabalhar com o corpo que ao seja de certa forma militar. Pois o corpo é por natureza indiciplinado e na maioria dos casos mais resistente à mudanças que a mente. Até hoje todas as técnicas que realmente são efetivas no trabalho corporal ( quando eu falo efetivas , quero dizer as que levam à virtuose, e aí depende do ponto de vista que eu coloquei no 1º post, para saber o que vc espera de uma atividade corporal)são de certa forma militares: artes marciais, método depreparação de atores de stalislawisk, esporte de elite, acrobacia, ballet até mesmo yoga de alto nível.
    muito se contexta o militarismo, mas se o que se espera e a virtuose, até hoje não criaram nada melhor, a não ser que não se queira a virtuose, aí sim, outros métodos funcionam muito bem.
    é como a crítica ao método cartesiano. até hoje no sec 21, não houve outro método que seja passível de produção de tecnologia, ou seja: se vc espera progresso tecnológico, e nisso eu incluo todas as tecnologias, esquece, só descartes foi capaz de criar um método que gera vacina, avião, creme anti age, subprodutros do petróleo, carros anti poluentes, agricultura eficaz, tecidos inteligentes e etc…
    mais uma vez ele é só um método, um ferramenta, e como toda ferramenta, depende do uso ela nao serve pra nada.
    Se eu quero prender uma quadro na parede a melhor chave inglesa do mundo me é inútil.
    o Ballet é a mesma coisa. O que vc quer? virtuose? esquece então, não háo outro método, ou adaptaçãoes deste mesmo método, como o moderno ou o jazz.
    se vc quer outra coisa, essa ferramenta não serve muito bem.

  10. Samara disse:

    E eu continuo achando, como geminiana e pentelha, que para uma boa discussão rolar, os dois lados tem que se dispor a ouvir. Senão beira o constrangedor.

  11. maíra magno disse:

    a sim se ouvir é logico se não vira ditadura, mas infelizmente até hoje só o militarismo leva á virtuose, em qualquer tecnica que seja.
    Mas volto a questão, será que o que se procura é realmente virtuose?

  12. maíra magno disse:

    tá vendo que a questão se resolve?
    virtuose não é tudo.
    e ha lugar pra cada um de nos no mundo, ha os que não toleram o militarismo e trilham sua estrada com resultados distintos, ha os que nao se incomodam e procuram resultados padrões e aí esta a verdadeira dialética da vida, não existe de fato uma única forma de encarar um objeto
    em cada prisma que se olha uma realidade podemos ter objetivos e resultados diferentes.

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