María Fux e a Dançaterapia

O primeiro contato que tive com o trabalho da María Fux foi quando, ao passear pelas estantes de uma livraria, descobri o “Dançaterapia“, de sua autoria. Levei pra casa e devorei em segundos. A narração da experiência descrita pela María mexeu com todos os meus poros de terapeuta ocupacional e aspirante a bailarina de dança oriental.

Em seguida, adquiri todos os seus livros e devorei cada letrinha! Mas ainda era pouco: queria conhecê-la, queria conhecer seu trabalho de perto!

Foi assim quem em 2006 fui a São Paulo participar de um workshop facilitado pela María Fux e me apaixonei de vez: ela é ainda mais maravilhosa ao vivo! Ver aquela senhora de mais de 80 anos se movimentando plena de vitalidade e amorosidade é uma das recordações mais bonitas que guardo aqui na minha memória.

Pra quem não conhece, María Fux é uma conceituada bailarina argentina, que  começou a desenvolver um método de dança que seria utilizado como terapia.

“Maria Fux se considera uma artista que descobriu com sua experiência de vida e profissional, um método que se utiliza da dança e movimento para melhorar e transformar a vida dos praticantes. Acredita que através do movimento há mudanças não somente físicas e externas, mas também internas, o que ajuda as pessoas a lidarem com suas limitações sejam elas físicas ou psíquicas. Seu método de dançaterapia não interpretativo estimula o reconhecimento do próprio corpo a aceitação e a alegria. Trabalha com a “idéia do espelho interior”, para que a pessoa entre em contato consigo e descubra seu ritmo interno e suas próprias respostas.

Fux desenvolveu um eficaz trabalho de dançaterapia com o público não-ouvinte. Partindo do pressuposto de que todos somos iguais, descobriu que no silêncio existe uma vasta possibilidade de movimento e dança. O uso de imagens, bem como as cores e formas geométricas como linhas (ondulantes, retas, ascendentes ou descendentes, abertas e fechadas), são fortes estímulos que proporcionam variados ritmos e conseqüentemente diversos movimentos. Maria considera que tudo que está em nosso exterior, assim como o que há em nosso interior como sentimentos, batidas do coração, respiração, entre outros, são possibilidades de movimento e de uma linda dança. Outro aspecto fundamental de sua metodologia é a integração dos seres, não há distinção entre o são e o enfermo, o surdo e o não-surdo, durante suas aulas as pessoas estão sempre integradas” (CEFID).

Pra quem tem interesse por um trabalho com dança que extrapole o viés artístico, recomendo a leitura de suas obras. Não há nada de rebuscado ou excessivamente técnico. Ao contrário, a María nos mostra que para fazer  da dança uma possibilidade de cura e auto-conhecimento, basta sensibilidade, experimentação, maturidade e intuição.

Isso não quer dizer que após ler seus livros você se tornará um dançaterapeuta. Para isso, existem algumas escolas especializadas na formação de pessoas que queiram aprender a trabalhar com o metódo da Fux. Mas, conhecer seu trabalho é se aproximar de uma dimensão da dança pouco explorada e rica em potencial.

Infelizmente a María não vem mais ao Brasil. Mas deixou aqui um belo legado e pessoas capacitadas para a formação. E, graças a internet, é possível vê-la em ação, bailando em companhia de outras professoras do seu Centro de Formação na Argentina.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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Uma resposta para María Fux e a Dançaterapia

  1. LuArruda disse:

    suspiro! ela é ‘um gênio’.
    ^^

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