As loucas criaturas que dançam

Com certeza, cada uma de vocês, leitoras, aí do outro lado da tela, conhece alguma doida que dance.

E não tô falando daquela doida gente boa, que arrebenta na boca do balão ou aquela moça cara-de-pau que se apresenta no shopping de saia transparente e pouca condição técnica. Tô falando daquela horda de pessoas seriamente comprometidas mentalmente que fazem dança do ventre e que, por um acaso do destino, você conheceu na sala de aula ou num blog da internet (ops…! Será que me entreguei? Rs!).

São pessoas que até à primeira vista podem parecer “normais”, mas que se revelam grandes surpresas do universo em termos de sanidade mental e, nada melhor que uma pitadinha de bom humor para transformar as coisas num post, não?

Pra começar, um casinho: há muitos anos atrás, conheci uma moça que fazia uma aula junto comigo numa universidade onde fiz determinado curso. Ela ia lá de mini-saia verde, blusa frente-única laranja, sapato de salto agulha vermelho, maquiagem roxa com azul e inúmeras pulseiras de plástico amarelas. A árvore de natal da minha tia era muito clássica ao lado dela. Como se o visual chamasse pouca atenção, ela, às vezes, no intervalo das aulas, subia numa cadeira e ficava fazendo tremidinho se dizendo a melhor profissional da área, chamando as meninas para uma aula experimental com ela – resta saber se era mesmo da dança que ela estava falando. Uma cena hilária e inesquecível!

Uma outra dessas doidas que o destino me fez cruzar apareceu com umas botas de couro e um chicotinho. Dizia ela que ia fazer uma coreografia com estes elementos dançando Alf Leyla naquela versão mixada. Sabe? Ô dia que quase infartei! Depois dessa, do coração eu não morro!

Os dois casos são reais, embora não pareçam. Há casos menos graves, mas sobre esses não convém comentar publicamente. O que importa mesmo é revelar pequenas mostras do que podemos encontrar por aí.

Eu poderia ficar aqui me queixando do destino, que me fez conhecer uma série delas, ou ficar tentando classificá-las numa das patologias do CID-10, no entanto o que eu quero mesmo é prestar uma homenagem a todas essas meninas, por hoje, passado o susto inicial, me fazerem entender que qualquer pessoa, mesmo as mais desprovidas de razão, têm todo direito do mundo de dançarem e de serem felizes – seja fazendo tremidinho numa cadeira, seja fazendo a dança do chicote! E, mais ainda, de me fazerem até reconsiderar meus conceitos – no fundo, talvez a doida mesmo sejamos nós, as normais, que se divertem muito pouco com a dança, gastam rios de dinheiro e nunca estão satisfeitas consigo mesmas!

Resumindo: um pouco de loucura não faz mal a ninguém! Tá a fim de provar?

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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12 respostas para As loucas criaturas que dançam

  1. Denise disse:

    Lory, concordo plenamente.
    Se a menina tá feliz, deixe que ela pire na paçoca.
    Cada louca com sua mania…

    Beijo, seu blog é uma delícia!

  2. maíra magno disse:

    minha nega eu tenho radar pra doido, ja tive uma meia dezena de alunas que encaminhei pra pisiquiatra, tenho esquizofrenica, dda, depressiva, aluna com sindrome de panico, aluna com toc e messes quase 15 anos de magisterio mais uma dezena cuja patoligia eu desconheço. Me perguntei milhoes de X pq doido gasta tanto de dv?
    pelo menos agora eu sei que nem todas estudam comigo. Que alivio!

  3. Shaide disse:

    hahahahaha… eu conheço muita gente assim… mas acho que sou tão doida qnto elas! rsrsrsrs…

    • lorymoreira disse:

      Eu tenho sérias dúvidas sobre em que categoria eu me encaixaria… pq, no fundo, escrever em blog (o que inclui acordar de madrugada com ideéias mirabolantes), ser fanática por cds de música árabe, e passar horas assistindo dvds não é uma coisa assim tão perto do que eu chamaria de normalidade… risos!!!!!!!!!!

  4. Laurinha disse:

    rsrsrs… Nunca conheci uma mais doida assim, deve ser engraçado! Mas sei lá se todo mundo que gosta de dança, seja qual for a modalidade, não guarda um pouco de Cláudia Raia dentro de si, esperando qualquer oportunidade pra sair (aquele mulherão espalhafatoso, glaumouroso, que não dá pra não enxergar) rsrs

  5. Carla disse:

    xi… nunca fiz nada de louco como o q vc descreveu, mas será que estou no hall da insanidade? Mas vamos combinar, ser normal é chato!

  6. Samara disse:

    Bom, eu sou suspeita pra falar porque já tenho minha classificação no CID-10 há cinco anos. Prefiro o epíteto de cachaceira que de doida, mas fica ao gosto do freguês…^___^

  7. Lucy Linck disse:

    Bah, eu conheço um monte de bellydance fora da casinha. Na realidade, nunca tinha parado pra pensar nisso…
    Dei uma sumida, mas estou lendo os posts anteriores, muito bacana!!!
    Beijos, amore!

  8. Elaine disse:

    Adorei o post flor!
    Eu acho ótimo rever esses conceitos, eu mesma estou revendo muita coisa, é fantástico amadurecer ideias e ideais.

  9. Aisha disse:

    fantástico!!

    Eu que vim do gueto da dança do ventre, onde tudo isso, desde botas até as pulseiras amarelas, era quase que normal, tenho que admitir que você tem muita razão nas tristes palavras finais. Talvez elas nem se abalem e não se entristeçam tanto quanto nós. E mais ainda, talvez elas tenham a certeza de que a maluquísse aparente mantém a mente sã para continuar dançando.
    bjs

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