Acorda, menina!

Porque esse é um assunto que muito nos interessa!

Texto enviado pra mim por Carlinha. Obrigada, flor!

 ***

 As mulheres estão famintas, mas têm medo da comida.

Entrevista com Susie Orbach.

Marianne Piemonte (colaboração para a Folha )

 

A inglesa Susie Orbach é autora do clássico “Fat is a Feminist Issue” (gordura é uma questão feminista). Mas ficou famosa por ter salvo a princesa Diana da bulimia.
Sempre em cruzada contra padrões de beleza e distúrbios alimentares, a psicanalista vem em setembro a São Paulo, para um congresso.

É sua segunda vez. Logo depois de sua primeira visita ao Brasil, há dez anos, disse ter ficado chocada com a quantidade de colegas de “cara puxada” que encontrou nas palestras.

Susie é fundadora do Centro de Terapia para Mulher, em Londres, e do site Anybody (www.any-body.org), onde critica empresas que propagam imagens de mulheres perfeitas.

Na sua visão, as mulheres modernas perderam o padrão da alimentação normal.
“Estão famintas, mas têm medo de comida.” Seus novos alvos são produtos “saudáveis”, jovens mães preocupadas demais com a alimentação dos filhos e mídias sociais.
“Produtos com a palavra “orgânico” na embalagem têm mais interesse no seu dinheiro do que na sua saúde”, disse à Folha, nesta entrevista por e-mail. Sobre as redes sociais, afirma que as pessoas fazem photoshop até em foto de bebê para colocar no Facebook, e que esse tipo de site contribui para uniformizar a percepção da beleza.

Após o casamento de 30 anos com o escritor Joseph Schwartz, com quem teve duas filhas, Susie, 64, assumiu a relação com a romancista Jeanette Winterson.

 

Folha – Como distinguir vaidade saudável de doença?

Susie Orbach – Boa pergunta. Na maioria das vezes, um programa alimentar saudável é movido por interesses comerciais. As indústrias da beleza, da alimentação e das cirurgias estéticas tentam enquadrar seus produtos de maneira que eles respondam a questões de saúde. Fazem o consumidor acreditar que comprar aquilo é saudável. Mas isso tem mais relação com ganhar dinheiro do que com cuidar da saúde.

Muitas coisas feitas em nome da saúde geram dificuldades pessoais e psicológicas. Dietas são emocionalmente perigosas. Olhar fotos de corpos que passaram por tratamento de imagem e achar que correspondem à realidade cria problema de autoimagem, o que leva muitas às mesas de cirurgia. Está difícil diagnosticar uma atitude saudável hoje.

 

O que significa, hoje, ter uma relação sadia com o corpo?

Na geração das minhas filhas, há garotas que gostam e outras que não gostam de seus corpos. Elas têm medo de comida e do que a comida pode fazer aos seus corpos. Perderam o prazer de comer quando estão com fome e de parar quando satisfeitas. Essa é a nova norma, mas isso não é normal. Normal é a não-dieta, é a atitude relaxada com relação à comida.

 

Há pouco, você assumiu ter uma parceira. É mais fácil para mulheres homossexuais desafiar a ditadura da beleza?

Infelizmente, não. Essa é uma cultura que atinge a todas nós. Fomos criadas por mulheres que tinham obrigação de serem lindas em tempo integral. Isso afeta a maneira como nos relacionamos com nossos corpos e com os de nossas filhas.

 

Por que você diz que há uma regressão da emancipação?

As mulheres não são livres para desfrutar seus corpos. Elas têm pânico de ter apetite e de atender aos seus desejos. É uma completa contradição com a luta pela emancipação. Ganhamos mais espaço, mas esperam que nossos corpos ocupem menos espaço físico. Assim vamos parecer sempre sensuais e belas, aos olhos do mundo.

 

Por que você diz que mídias sociais (Facebook, Orkut, Twitter) são vilões na luta pela autoimagem saudável?

Essas mídias espalham a uniformidade da imagem. Indianas querem ser iguais às inglesas que querem ter a cintura das brasileiras. É mais poderoso do que publicidade de marcas globais.

Há ainda os sites em que as pessoas são julgadas, aceitas ou não, por suas fotos, como o hotornot.com. E há sites em que meninas compram cirurgia plástica on-line para bonecas [missbimbo.com]. A criação de um corpo perfeito tem muita relação com as novas mídias.

***

E você, mocinha, diz o quê disso?

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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13 respostas para Acorda, menina!

  1. Rachel disse:

    Eu não terminei de ler o gordura é uma questão feminista mas até aonde li o livro gostei muito de todos os relatos. Vale a pena ler. Abraços.

  2. Shaide disse:

    Muito bom o texto! Mas eu até que gostaria de ter medo de comida… não é o meu caso… rsrrs

  3. Denise disse:

    Lory, comer de forma totalmente relaxada realmente é um lance raro hoje em dia!
    Passei por uma “fase” de dieta acompanhada por nutricionista (sempre focando a saúde e não a neura do padrão de beleza).
    Veja minha saga: http://decorpoealma.wordpress.com/2010/08/13/dieta-de-pontos
    Agora tento manter minha reeducação alimentar sem me privar do prazer da comida, afinal de contas, dieta não ter que ser pra sempre!!!
    Mas você há de convir comigo que no meio bellydancer, quem estrapola os padrões perde público, né? (o que não é o seu caso, você tem um corpasso)

    Adorei o post!
    Beijos da nega…

  4. LucianaArruda disse:

    Assunto importantíssimo! Vi uma cena no hotel a ultima vez que estive em SP:a menina tinha uma maçã e um copo de suco de laranja, era o café da manhã, antes de comer ela telefonou pra alguem e disse: ‘desce logo, porque não me pesei ontem e to ficando com fome’. ela ficou parada só olhando a bandeja e em seguida uma ‘amiga’ a tirou da mesa e saíram. Eu fiquei ali, atônita, vendo a cena e me perguntando o que eu deveria ter feito.a gente acha que isso só ocorre na tv ou em modelos, mas é vida real. parabéns por tocar no assunto!

    • lorymoreira disse:

      Lú, acho que vc não podia ter feito nada mesmo. Nem a conhecia. Podia ser tida como intrometida e ser mal interpretada. Acho que esse assunto é delicadíssimo e deve ser comido pelas beiradas. Falar disso aqui no blog é uma forma de tentar instigar as bellydancers que passam por aqui a pensar no assunto. É uma forma de tentar fazer alguma coisa…

  5. Laurinha disse:

    Muito boa a entrevista e muito realista também, sinto que as mulheres são cada vez mais cobradas em relação a aparência, magreza, como se a gente fosse entrando cada vez mais em uma armadilha sem nem nos darmos conta. Baixei esse livro uma vez, Gordura é uma questão feminista, mas ainda não li, está na fila, rs, e tinha até esquecido dele… Nesse momento em que tento dar uma afinada e percebo essa minha relação estranha com a comida, vou até deixar outros pra depois e me concentrar nele…

    Abração!!!

  6. ro salgueiro disse:

    Sou muito fã da Susie Orbach. Coloquei o vídeo de uma entrevista dela há alguns anos no meu blog em que ela falava da obsessão pela imagem. Fiquei interessadíssima por suas novas pesquisas com o universo do “saudável”. Mulé porreta!

  7. Carol Murad disse:

    Ahhh eu mudaria alguma coisa em meu corpo sim, mas “jamé” passaria fome por causa disso! Adoro comer!
    Por sorte eu sou vegetariana e meu metabolismo ainda é ótimo, e eu engordo poucos graminhas, mesmo exagerando às vezes. Mas caso o bichinho (metabolismo) um belo dia pare de funcionar do jeitinho que eu gosto, tenho educação alimentar suficiente p/ me manter na linha, graças a uma nutricionista que eu já fui várias vezes (quando estava 10 kg acima do peso p/ fazer ballet O.o).

    Agora, EDUCAÇÃO ALIMENTAR ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ SE MATAR DE FOME!
    A mocinha da história da Luciana Arruda fez bobagem, pq o corpo dela agora vai reclamar da falta de alimento na hora certa, e qdo ela comer, vai absorver o dobro das calorias que absorveria se ela tivesse respeitado o relógio biológico.

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