Quanto vale?

Você foi convidada pra dançar numa festa e vai cobrar um cachê. Vai dançar só uma música mesmo. Provavelmente, uma grande clássica com entrada com véu, uns 20 arabesques e os frufrus e tremidinhos de sempre que o povo gosta de ver.

Ok. Tudo acertado, mas na hora de cobrar o cachê, você se baseia em quê?

Dia desses passei por uma experiência dessa e confesso ter ficado cheia de dúvidas. Veja só, a gente não vai dançar com unha sem fazer, nem cabelo sem ajeitar, ok?

Então, façam as contas comigo: só no salão, ficam 50 reais. E nem estou levando em conta a depilação, porque senão, o preço ainda é maior.

Bom, daí calcule uma porcentagem de auxílio-maquiagem, afinal, a gente já tem a nossa maletinha pronta, mas quanto precisamos investir ocasionalmente para nos mantermos com produtos bacanas e indispensáveis na maletinha de odalisca?

Eu, pelo menos de 2 em 2 meses, compro uma sombra nova ou um rímel diferente… é um investimento que não tem fim.

Além disso, se a gente fosse levar tudo na ponta do lápis, iria pensar no valor dos nossos figurinos (incluindo o véu de seda) e do investimento que fizemos durante anos de aulas e workshops.

Agora, pensem comigo.

Se a gente fosse cobrar como cachê um valor justo, que pagasse todo esse arsenal, quem iria querer/conseguir pagar?

E é nessa hora que me pesa essa coisa de cobrar pra dançar… se a gente cobra um valor justo, não dança e se cobra um valor não justo, a gente não se valoriza, nem valoriza a nossa arte.

Bom, comigo, acabei optando por um preço nem tanto nem tão pouco. Levei em conta que era uma festa mais simples e coisa e tals… mas não finalizei a questão. Ou, como se diz em psicologia, não fechei a gestalt.

Me contem como vocês fazem aí pelo Brasil afora, meninas. Vamos trocar experiências sobre o assunto?

Beijocas!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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13 respostas para Quanto vale?

  1. disse:

    Lory, no estado de SP tem muita bailarina. E como você disse, não é justo cobrar uma miséria pra dançar… MAS, sempre tem quem cobre muito pouco (ou nada). Conclusão: Os donos de casas de chá e de clubes (de qualidade questionável) acabacam contratando quem cobra menos. Isso é revoltante, mas acontece muito por aqui!!!
    Faz só três anos que eu danço como profissonal e no começo eu tinha até “vergonha” (no melhor sentido da palavra) de combinar o cachê. Até que eu conheci um produtor musical, enviado por Deus, que me ensiou a fazer um cálculo interessante sobre o “valor da sua arte”.
    De acordo com ele, devemos fazer uma pesquisa de mercado, analisando o preço médio da concorrência (o termo “concorrência” é estranho quando se trata de arte, mas pra fins financeiros funciona). Concomintantmente, faça o cálculo do gasto médio que você tem por apresentação (escova, unha, maquigem…)e analise o tempo (se vai dançar uma música ou várias durante o evento). A esse custo acresente 100% do valor equivalente a sua “força de trabalho” ou esforço. Faça uma média entre o custo da concorrência e o seu custo e veja se o valor é adequado. Faça uma tabela constanto os valores em horas de apresentação (exemplo: R$… por 10 minutos, R$… por 30 minutos e assim por diante).
    Dessa forma você terá a noção exata do valor do seu trabalho. Mas é claro que isso é apenas uma dica de cálculo, pois tudo isso varia muito de região para região e da relação que os contratantes tem com as bailarinas…
    Espero ter ajudado!

    Desculpe pelo texto enorme…

    Beijo do interiorrrr

  2. vamos abrir o jogo e falar de valores, moçada? Lory, me deu vontade até de escrever sobre isso!! aqui no interior de SP, região Noroeste é um pouco defasado. 100,00 por show qdo é individual, grupos cerca de 250 a 300 dependendo do numero de pessoas..jantares é mais, eventos municipais tbm… mas não há uma tabela! gostari de saber nos outros locais tbm, mas $$$ valores!!
    🙂
    beijocas

    • lorymoreira disse:

      Então, Lú… eu cobrei 100 reais pra uma música só. Veja bem, levei em consideração que não sou nenhuma Kahina, mas pensa? Só no salão foi 50 reais. 100 ficou muito pouco…

  3. Shaide disse:

    Segundo o Sindidança, para dançarinas (pq para bailarinas clássicas é maior o valor, é claro!) o valor mínimo é 180 reais por cada música que se dança. Eu sigo a tabela do sindicato, ou seja, por menos de 180 eu nem saio de casa. Mas é óbvio que se for um show mais longo, às vezes não rola cobrar 180 por musica, dá pra rolar um desconto e, para 4 músicas, ao invés de cobrar 720 reais, fazer uns 600, por exemplo!
    Mas isso para dança mesmo… já pro burlesque o valor é muuuuuuuuuuito mais alto e ninguém chora pra pagar. É a lei de oferta e procura… tem muita gente que quer show de burlesque, mas pouca gente fazendo isso por aí. Ou seja, quem faz o valor são as performers – e graças aos deuses esse mercado ainda é super valorizado (aqui em SP só tem eu, a Fascinatrix e a Sweet Birdy trabalhando com isso com regularidade). Vale muito a pena sair de casa pra dançar uma musiquinha que seja!

  4. Vivi Amaral disse:

    (apaga o anterior, baby,please, tem uns errinhos. Ê, hj eu tô bem!!!!! rsrsrs)

    Minhas colegas acima falaram bem. Saliento apenas dois aspectos que devem ser levados em conta quando vamos estipular o cachê: 1º) a média de preço cobrada na região (que varia muito de estado pra estado) e, 2º) o grau de reconhecimento que o mercado dá à bailarina, que normalmente funciona assim: se for famosa ou antiga tende a ser aais cara (o que não implica num show de ótima qualidade, mas isso é outra questão, né fia…)

    Pelos estados que andei (AC, BA, SP, RJ, MG e RS) vi bailarinas cobrando de 50 a 200 reais por 1 música. Como dá pra perceber, a variação de preço é imensa. Mas acho que uma regrinha deve valer pra todo mundo, independente do lugar onde mora: verifica a tabelinha do sindicato dos profissionais de dança (Sinddança, olha a tabelinha aqui: http://www.sinddanca.com.br/informacoes.htm). Daí faz os ajustes necessários, levando em conta seu tenpo de estudo, investimento na preparação, deslocamento até o local do show….

    Eu sempre me guiei por isso e sempre deu certo.:)

  5. Laurinha disse:

    No começo do ano a Carla Silveira deu um workshoop na minha cidade, minha amiga não foi porque achou um absurdo pagar uns cem reais. Ainda tentei explicar pra ela que estava era barato, já que a Carla é uma das mais reconhecidas do meio e que ela vivia disso, então não fazia sentido cobrar menos. Mas não teve jeito. Acho que cada um pensa no seu próprio lado. Minha amiga achando caro dar cem reais que conseguiu com o trabalho dela, mas sem pensar que a Carla também estaria ali trabalhando…
    Sobre preços de apresentações aqui em Minas não sei ao certo. Mas pelo que já ouvi mais ou menos, parece que costumam pagar mesmo por volta de cem, duzentos reais por uma apresentação de duração curta ou média.

  6. Vivi disse:

    tenpo? que professora é essa que escreve tenpo? Óh céus, não escreverei mais nada até trocar as lentes!!!!!!!!!!

  7. ro salgueiro disse:

    É uma luta, Lory. Bom, aí vai meu relato como produtora (ou seja, dona de escola que passa shows para as professoras) em Brasília. O show básico de uma professora da minha escola (ou seja, 3 músicas e um bis totalizando aproximadamente 20 minutos de show, sendo este realizado no Plano Piloto, que é onde as bailarinas moram) sai por R$250 para a bailarina. Se o show é em uma cidade-satélite (mais longe), acrescenta-se R$30,00 para gasolina e tempo de deslocamento. Não calculamos por música, pois a preparação, o figurino e, claro, a formação da bailarina não se alteram com uma, duas ou três músicas. Quando a escola fecha o show, acrescento 10% ao caché.
    As roupas são caríssimas, a bailarina precisa estar com unha feita, perfumada, bem penteada e obviamente precisa saber dançar muito bem, o que implica estudo constante. Acho barato.
    Tem quem reclame e tem quem faça muito mais barato. Mas garanto pontualidade e qualidade do show. O contratante não vai ver uma réplica de bailarina famosa, mas uma artista autônoma. Vai ter uma linda atração, com figurino impecável, beleza garantida e terá segurança de que seus convidados terão uma experiência única.
    Não fecho shows de grupos. O máximo é de 4 bailarinas, quando a festa é corporativa, em um salão gigante. Não fecho shows para alunas.
    Agora, quando se trata de restaurantes, o bicho pega. Porque eles oferecem pouquíssimo e tem sempre quem topa. Isso é, inclusive, assunto de reunião de professoras. Não aceito. Se vai dançar barato, não fala que é da minha escola. Fico chateada com pechinchas. Enfim, a conversa é super comprida.
    P.S.: lembrando que não danço mais comercialmente; apenas em chás e espetáculos da minha escola ou como convidada em eventos similares.

  8. Daiane Ribeiro disse:

    Oi, meninas! Primeiramente, essa questão foi sempre um assunto muito difícil pra mim. só que eu acho que a questão de valores amadurece mesmo depois que tu ganha a confiança que teu trabalho precisa ter de você mesma. Eu hoje até dou uns descontos, mais ou menos como a Shaide faz. Não me baseio por tabelas, mas pelo que eu acho justo. Para dançar no restaurante, como é toda semana, aceito o valor deles, que é bem baixo, mas garantido e ainda assim, é mais que o das outras que já dançaram lá. As gurias me indicam sempre que podem e daí sim, nestes outros shows eu cobro mais. O valor mínimo é de cento e cinquenta, máximo duzentos. Para grupos, quatrocentos pra cima. Um show com o Masala, com três solos e três coreografias de grupo, seiscentos.
    Às vezes recuso propostas não por ser chata ou esnobe, mas por não ter condições básicas necessárias para uma boa apresentação. Uma coisa que eu sempre peço e aconselho sempre para vocês é: CHÃO LIMPO. A gente dança descalço e já aconteceu de eu ter que lavar os pés entre uma música e outra e ter que calçar com papel por dentro do sapato tamnha sujeira do chão. Aí tu faz um arabesque e o pé mais preto do mundo surge, hehehe! Outra coisa: se vai dançar num restaurante, doutrine os garçons. Eles não tem a mesma noção que nós, estão sempre correndo e preocupados com as mesas, se a gente não falar com eles às vezes, eles não vão se dar conta e ainda vão pensar que vc é que está atrapalhando o espaço de trabalho deles. Para os guris do Lubnnan eu não precisei falar nada, só que às vezes eles se esquecem e passam na minha frente e fica muito engraçado por que eu brinco com a situação: incluo na dança uma expressão ou algum movimento bem humorado que se encaixe com o deslize e fica bem legal. Hoje em dia, quando eles não estão na correria, curtem ficar assistindo!
    E tem a situação do cinturão descendo…dá pra brincar com isso, sabia? Aliás, vamos fazer um tópico com esse assunto de novo? Problemas que parecem impossíveis de solucionar na hora da dança e que as bailarinas se ajeitam com sucesso? Já passei por tantos… Rsrsrrs

  9. Daiane Ribeiro disse:

    E falando em restaurante…descobri por que somos “hostilizadas” às vezes, como eu já previa, é em função das colegas mesmo, infelizmente, quando chegam antes de nós, rsrsrs. As gurias do restaurante (árabe), disseram que uma vez foi uma criatura que levou um lenço cheio de perfume no show e puxava o pescoço dos clientes com ele. Já imaginou a vulgaridade? E o perfume misturado com a comida? Argh! E outras que vão com a roupa esmagada no corpo tapando só o mínimo, com rachas até o umbigo, danças provocativas, SENTANDO NO COLO…o público odeeeia isso, pelo menos num restaurante familiar e de público misto, com famílias tradicionais…já pensou!? Confesso que fiquei bem preocupada, espero que isso já tenha mudado…estou tentando recuperar o público de antes, que curtia a dança de uma época mais decente. Graças a Allah, tá dando certo! Beijos

  10. Hanna Aisha disse:

    Oi, Lory
    já ha algum tempo estou para vasculhar seu blog… cheguei.

    Enfim.
    Falando do Rio, eu sigo a tabela do SPDRJ com ajustes, sempre (http://www.spdrj.com.br/tabela_de_caches.htm). Ali diz 140,00 (porque sou considerada dançarina e não bailarina), mas meu mínimo é de R$ 200,00, em torno de 15 a 20 minutos de apresentação. Se for longe, acrescento mais R$ 50,00, pelo menos de deslocamento. Já perdi trabalho por conta disso, não queriam pagar mais que R$ 150,00 e eu neguei porque era longe pacas.

    Restaurante, se for contrato fixo, são R$ 80,00 a 100,00 por noite, com umas 6 músicas no mínimo.
    Se for couvert, é couvert, custa em torno de R$ 8 a 10,00.

    Acho que o preço da tabela tá um pouco abaixo da realidade, mas não tão abaixo.

    Beijos, nos revemos.

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