Mire-se no não exemplo

Tenho acompanhado todo o enredo que se desenrola desde que a jovem paulista Mayara Petrusco resolveu publicar em seu twitter que a “culpa” da Dilma ter sido eleita era dos nordestinos e que alguém deveria fazer o favor de matar um destes, afogado.

A boa notícia é que, mesmo com a exclusão do seu perfil e das redes sociais de que faz parte, a moça não ficará impune. A OAB de Pernambuco entrará com uma representação criminal contra a mocinha.

E porque eu trouxe esse assunto aqui neste blog que discute dança do ventre?

Porque, caras leitoras, há alguns meses eu recebo comentários extremamente preconceituosos de alguém que se dirige a uma bailarina que já homenageei aqui com um post. O motivo? A moça é gordinha.

É difícil acreditar, não?

Mas, tentem lembrar: quantas vezes tivemos oportunidade de ler comentários ácidos a respeito da dança do ventre executada por homens em diversas comunidades do orkut? O exemplo das mulheres gordas e das maçãs podres ditado por um nosso velho conhecido? A ridicularização de uma bailarina porque ela não se veste com figurinos de marca? Ou porque mora fora do eixo RJ-SP? E quantos e quantos mais exemplos de preconceito e discriminação poderemos nos lembrar?

Infelizmente esse é um mundo tosco, mas que também está muito próximo da gente.

O que essas pessoas não entendem é que arte não tem cor, nem gênero, não tem religião, nem etnia.

A arte deve ser o passaporte para a pluralidade cultural e não veículo de condução de manifestações preconceituosas.

Eu continuarei acreditando que é possível seguir em frente. Ainda que pra isso seja necessário utilizar de artifícios legais.

E aqui fica o meu recado para minha leitora preconceituosa: seus comentários são excluídos, porém continuam no meu painel. Tenho seu IP, por isso, sei de que cidade você escreve. A polícia pode muito mais. Sossega seu coração e segue com a tua dança. Ódio não leva a gente pra lugar bonito, não.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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11 respostas para Mire-se no não exemplo

  1. Nat disse:

    Lory, frases como “A arte deve ser o passaporte para a pluralidade cultural e não veículo de condução de manifestações preconceituosas” me fazem bater cartão no teu blog sempre. Beijo.

  2. Laurinha disse:

    Lory, ando assustada com esse preconceito contra nordestinos que está dando as caras depois das eleições… e ainda sem entender bem porque resolveram colocar os nordestinos de bode expiatório, já que matérias mostram que Minas Gerais, por exemplo, também teve muito peso na decisão… Enfim, vai ver que o preconceito já está lá e aí tem gente que se aproveita de qualquer oportunidade pra externá-lo.
    Quanto à tal moça que fala mal da dançarina gordinha, também é lamentável. Infelizmente tem muita mulher que não percebe que certas coisas podem se virar contra ela a qualquer momento. Hoje ela alimenta o preconceito em relação a aparência feminina, mas sem pensar que isso torna as coisas difíceis pra todas nós.

    Abçs Lory!

    • lorymoreira disse:

      Esse preconceito é secular. Eu não sei pq, mas parece estar incrustado no ser do ser humano, se diferenciar das pessoas com julgamento de valores.
      Achar que uma bailarina, só pq não está dentro dos padrões estéticos ocidentais de beleza, não deveria dançar em público, é tão esdrúxulo, que quem pensa assim, no mínimo, deveria ter profunda vergonha de manifestar isso até em pensamento.
      Somos mutáveis. Eu espero que padrões como esse se transformem ao longo do tempo. É a minha esperança.

  3. LuArruda disse:

    obrigada por esse post e parabens por escrever com objetividade, sem ser ofensiva. isso é para raros. e é o que me faz voltar, sempre.

    • lorymoreira disse:

      Lú, as vezes acho que não consigo domar minha agressividade. Obrigada pelo feedback. Quando ele for corretivo, também será bem-vindo. Beijão!

  4. Samyaju disse:

    Lory,
    Esse post é muito importante. Vou te dizer que não aguento mais continuar andando feliz e de repente bater de cara nesse velho muro (the wall). Quando a gente pensa que já ruíu, tem alguém tentando reconstruir – numa tentativa de apego. Acredito que o mundo será melhor quando as pessoas colocarem esse esforço no amor.
    Obrigada por sintetizar. Bjo carinhoso

  5. Vivi disse:

    Flor de maracujá.

    O primeiro fato que vc narra é absurdo, descabido na minha mente. Misturam-se alhos com bugalhos e ainda tentam disseminar uma espécie de “ódio” conta um grupo ou outro. Triste, privinciano, um involução.

    Quanto ao segundo fato, tão triste e retrógrado quanto o primeiro. Sinal do quanto ainda existem pessoas de mentes formadas pelo discurso cruel da mídia (e pouco entendido de arte). No fundo são descontentes consigo mesmas,vazias.

    Que ela entenda o teu recado. E preocupe-se com a própria vida.

    Beijocas azuis.

  6. Nassih sari disse:

    Lory,
    Parabens pelo post, é de passo e passo que chegamos a libertação da dança do ventre, hoje no seu texto demos um grande passo!

    Somos nós que escravizamos a arte ao acreditar e comprar ideias antiquadas e preconceituosas 😉

    Libertam a mente, só assim deixaremos para trás toda essa ignorância!

    Bj

  7. Camilla D'Amato disse:

    Cansei dessa luta inglória … ainda bem que você continua na resistência !!! Aquele abraço

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