Sobre fusões

Tenho estudado algumas possibilidades de fusionar a dança árabe com os ritmos nordestinos, mas especificamente o forró, já faz alguns meses.

Meu interesse surgiu quando, há cerca de uns 3 anos atrás, Bela Saffe, minha professora na época, criou uma coreografia de tribal em que mesclava elementos da cultura nordestina e árabe ao som de Feira de Mangaio, de Sivuca. Um trabalho que, na minha opinião, ficou extremamente bem feito e original.

Mas de lá pra cá tenho visto muita coisa: boa ou esquisita. Mas o que mais me chama a atenção é que a palavra fusão vem sendo utilizada erroneamente.

Exemplifiquemos: se você pega uma música de Luiz Gonzaga e faz uma performance de dança do ventre, sem mesclar elementos de forró, pode ficar lindo como for, mas você não está fazendo uma fusão – está fazendo uma apresentação de dança do ventre com uma música diferente da usual.

Fui procurar um conceito de fusão pra trazer aqui pra vocês:

subst. f.
1. ação de fundir metal: temperatura de fusão
2. ato de se unir: a fusão das empresas

No nosso caso, convém adotar o segundo conceito: fusão é o ato de unir dois ou mais elementos distintos, ou melhor dizendo, duas ou mais formas de dança, numa única performance.

Mas aí você me diz: “ah Lory, eu não sei salsa, mas me deu uma vontade louca de dançar com uma música do Buena Vista. Quer dizer que não posso?”. Pode, meu bem. Pode, deve e dance. Só não diga que é fusão.

Outra coisa, se vai fazer realmente uma fusão, faz direito, please? Estuda beeeeem os elementos da outra dança que você vai inserir na sua performance pra não ficar meia-boca. Faz bem feito, faz com gosto, faz pra gente sentir orgulho do que está vendo. E, sim! Bom senso é fundamental!

Outro dia, vi uma menina dançando Asa Branca, do Luiz Gonzaga, com véu de seda e toda odalisca borboletinha…

Na boa? Se quer continuar borboletando, usa uma música clássica mesmo, ou então escolhe uma música ocidental diferente, uma do Vivaldi, uma da Marisa Monte, sei lá! Eu acho meio sem cabimento, mas há quem diga que em arte, tudo é permitido e possível, então… se está com vontade, se joga!

É que o ano é novo, mas a minha ranhetice é velha.

E o aprendizado de hoje vem em forma de rima: não usemos a palavra fusão em vão.

Deixo aqui excelentes exemplos de fusão pra vocês.

Beijocas!

Fusão com Contemporâneo – Bailarinas da Khan el Khalili

Fusão com bollywood – Luana Mello (quer estudar fusão? Assista todos os vídeos da Luana, please!)

Thriller do Michael Jackson (também é possível, acredite!)

Salsa e Dança do Ventre

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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3 respostas para Sobre fusões

  1. Hanna Aisha disse:

    Oi, Lory

    já escrevi um post sobre isso (http://hannaaisha.blogspot.com/2009/05/sobre-fusoes-com-danca-do-ventre.html) e concordo com a Dunia (SP) que na sua retrospectiva 2010 disse que nunca viu tanta fusão como ano passado.

    Eu particularmente não costumo gostar, são poucas as que me chamam a atenção. Esse video da Chrystal Kasbah, que felizmente pude ver ao vivo, foi uma das mais lindas que vi: http://www.youtube.com/watch?v=coMqoMuFCBk

    • lorymoreira disse:

      Flor, não gostei dessa fusão que vc curtiu.
      Gosto é assim mesmo. Doido.
      Cada um com o seu.
      Já passei lá no seu post. Comentei. Espia.
      Beijocas!

  2. Vivi disse:

    Concordo com a sua opinião. Tá a fim de mesclar, vai lá estudar! (só pra continuar com a sua rima, rs…)

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