A Bahia tribalizou?

Dia desses, conversando com Bela, me dei conta que praticamente todas as minhas companheiras de jornada de dança do ventre estão seguindo o caminho do tribal: Cecília Sepúlveda, Conça Rosado, a própria Bela Saffe, Drica Munford… e a lista continuaria se a minha frustração não me impedisse de continuá-la.

As que não aderiram ao tribal, pararam de dançar, vide Yane e Dominique. E a única que não aderiu foi Gal Sarkis – a minha amiga louca, companheira de Sarau. Daí fiquei pensando, serei eu louca também? Devo ser, sim. Só pode.

 

Bela Saffe

Depois desse balde de água fria que eu tomei, fiquei fazendo as minhas reflexões: o que aconteceu, no cenário baiano, para essa debandada pelo tribal?

Tenho algumas suposições, mas todas são exatamente isso – suposições:

  • O tribal proporciona uma maior liberdade de criação e o povo baiano é, culturalmente, um povo extremamente criativo e inovador. Daí a galera se identifica mais com essa dança mais livre. Bem menos enquadrada  que a dança do ventre.
  • A cultura nordestina é riquíssima e as imensas possibilidades de fusão estão super ao alcance de nossas mãos.
  • O tribal é moda? Não creio. Moda passa rápido. O tribal parece que veio pra ficar.
  • As pessoas se cansaram das relações no meio bellydancer.

Pode ser que todas essas coisas juntas, mais outras que desconheço, tenham contribuído para essa debandada.

Fico frustradinha, sim. Essas meninas que eu citei têm mentes extremamente criativas e inovadoras e  poderiam fazer uma imensa diferença no cenário local de dança do ventre. Acabou que quem continuou, ou luta pra não cair na mesmice que impera no nosso meio, ou já está dentro de sua caixinha de finitas possibilidades.

Bom, me resta comemorar um quesito: pelo menos, o que vem sendo feito aqui, em termos de dança tribal, é de dar gosto.

Embora Bela Saffe seja a minha referência maior de um trabalho bem feito nessa linha, há muitas outras meninas arrasando – inclusive no interior do Estado: Joline Andrade, Govinda Vallahba, Bia Vasconcelos (Feira de Santana) e o Grupo Zhar (Vale do Capão) são apenas alguns dos excelentes exemplos que eu poderia dar.

Resta à galera da dança do ventre reconhecer que o tribal ganhou espaço e que pode, sim, dividir os palcos dos eventos de dança oriental da terrinha de Jorge Amado. Por que não precisamos nos limitar a assistir performances de grandes clássicas e Oum Khalsoum. Porque até gente tradicionalista como eu, cansa disso.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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23 respostas para A Bahia tribalizou?

  1. Nat disse:

    Lory, acho que as duas artes cabem no cenário. Uma pena pra DV que perde mentes legais, como vc disse, mas abre novos horizontes pra quem está dançando, além de como vc tb disse, fazem um ótimo trabalho.
    O tribal não chegou a me conquistar. Gosto de ver, acho bonito. Já fiz umas aulas mas não me achei. E mesmo depois de conhecer a dança cigana eu fiquei no ventre, mas confesso que as vezes canso, bocejo e quero ir embora, juro.
    Força pra você que fica. Eu tambem fico com essa pontinha de “ahhh” quando minhas amigas, alunas e colegas largam a dv e saem por outros caminhos, mas a gente fica do lado de cá torcendo por elas, além de torcer pra que quem entra na dv agora tambem tenha a noção de qualidade de quem ainda está aqui e faz bonito e de quem foi e deixou um caminho admirável.
    Beijocas.

    • lorymoreira disse:

      Tô contigo, flor: também não me achei no tribal. Minto, o ATS me deixou encantada, mas ele esgota-se rapidamente, o grupo que eu estava começou a mesclar o ATS com o Fusion e aí acabou meu amor – eu não curto o Fusion. Tentei ballet, mas tb não morri de amores. Resultado: até hoje o que faz meu coração fazer tum-tum é mesmo a dança do ventre!

  2. disse:

    Lory, aqui na ENORME cidade provinciana em que vivo, existiam duas professoras de DV (no caso, eu e mais uma!)
    Essa uma, que sempre foi uma referência na área, pois faz 15 anos que ela dá aula aqui, resolveu debandar para a tribal. Ou seja, 50% da DV da minha cidade se foi…
    Se você se sente sozinha, imagine a minha vida!

    Beijooo

    • lorymoreira disse:

      Nossa, Denise! As coisas aí não estão nada promissoras, hein? Mas vc sabe os motios da mudança de área dessa outra professora? Conta aqui pra gente…

      • disse:

        Putz, Lory!
        Sabe que se eu der minha opinião eu não vou ser nada ética…
        Mas acho que por aqui, esse lance de tribal deu uma “ampliada” no business (pra ser mais amena). Mas deixa pra lá… (risos, risos)

        Beijo

        (Amei os posts e os comentários!)

      • lorymoreira disse:

        Ok, baby. Vc venceu. Batata-frita!

  3. Martinha disse:

    Faço aulas regulares de Tribal há 01 ano, fiz 04 anos de Dança do Ventre.
    Não escolhi deixar a DV, comecei 2010 conciliando DV e Tribal, mas precisei parar um mês com a DV e quando dei por mim percebi que não fazia mais parte daquele universo purpurinado.
    Continuo achando DV encantadora, mas o dom de encantar é para poucos. Técnica sem emoção, sem elegância, humildade e alegria, na minha opinião, não serve para nada!

    No Tribal temos muito mais liberdade, e para as criativas isso é alucinante! Num show de Tribal você pode até ver coreografias parecidas, mas não verá uma cabeça igual, uma maquiagem igual, um figurino igual, tribal é diversidade! Um espetáculo como a Caravana Tribal Nordeste é uma mostra do quanto plural é a Dança Tribal, uma profusão de cores, sons, estilos, culturas, etc.

    Minha mãe foi me assistir na Caravana Tribal Nordeste – Salvador e disse: “gostei, apesar de ser longo, não foi chato porque era tudo diferente, não é como na outra (DV) que é tudo igual”. (Dona Marli de 74 anos).

    Enquanto atividade física, NA MINHA OPINIÃO o Tribal é mais eficiente que a DV, os movimentos são mais fortes, mais marcados, utilizo grupos musculares que nem imaginava usar na DV.
    Em 01 ano de Tribal, minha flexibilidade aumentou muito mais do que em 4 anos de DV.

    Não estou fazendo apologia ao Tribal, muito menos jogando DV no lixo. O tribal hoje atende às minhas expectativas, tanto físicas quanto “artísticas”. Digo hoje, porque a seis anos atrás eu imaginava que por volta de 2010, 2011 eu já seria uma professora de DV, acredite!
    Hoje eu sou Tribal até o osso, mas pode ser que amanhã eu decida dançar no É o Tchan!!! kkkkkkkkkk

    • lorymoreira disse:

      Martinha, lendo seu comentário fiquei aqui pensando: será mesmo que em dança do ventre é tudo igual ou estamos tão acostumadas ao mesmo que paramos de ousar?
      E tem mais: podemos, sim, ver uma festa de tribal onde tudo é igual, até pq temos milhões de clones da Rachel Brice por aí.
      O que acontece, e isso é mero achismo meu, é que as pessoas mais criativas que eu conheço desistiram da dança do ventre, não pq não seja possível criar nela, mas pq o tribal dá uma aparente sensação maior de liberdade.
      E fico aqui pensando se essa sensação não se deve ao fato de não termos no tribal uma escola que ditas as normas de padrão de dança nacionais como temos na dança do ventre.
      Com isso, não estou querendo dizer que a “culpa” (se é que ela existe) da dança do ventre tender a cair na monotonia seja da Khan el Khalili, mas das bailarinas que se amoldam aos padrões da Casa e deixam de arriscar.
      Dança do ventre é arte e, como toda arte, tudo é permitido. O problema é que estamos vivendo um momento em que se enaltece a música clássica em detrimento dos outros estilos. Não se cria nada novo. Tudo cai na monotonia.
      Eu sigo firme na dança do ventre e me proponho a continuar seguindo uma linha mais tradicionalista, mas, sem isso, me limitar as possibilidades usuais de atuação: a clássica, o folclore, a moderninha e o derbake.
      Eu creio na possibilidade de inventar uma dança do ventre mais lúdica, que entretenha seu público, que tenha a marca da bailarina que a executa, que faça um passeio por outros estilos de dança e de arte, que fusione elementos, inove sem, contudo isso, deixar de ser dança do ventre.

  4. Sandra Rayzel disse:

    Eu tenho algo a dizer, e diga-se antecipadamente que eu fui e ainda sou apaixonada pelo tribal, mas talvez o que o direi não agrade. Acredito que o que atrai no tribal é a união da feminildade com a “força e o poder”, que são características masculinas. Uma característica de união e universalidade também. É isso que faz do tribal uma dança tão magnética. Porém, quanto a questão da feminilidade existe algo que difere da dança do ventre. Na minha opinião, não é uma feminilidade solta e natural e uma sensualidade desinteressada, não sei se me entendem… É quase caricata, algo idealizado, às vezes. Performática. Isso me preocupa pelo fato de que talvez estejamos fugindo novamente ao real propósito de aceitação do que somos, como verdadeiramente somos, entende? Não sei se fui clara, mas é o que sinto. Falei e tá falado.

    • lorymoreira disse:

      Não sei se entendi direito, Sandrinha… mas se entendi, tenho uma opinião: acho que essa coisa de feminilidade vai depender daquilo que cada uma busca. Tem mulheres que, de repente, se encontram melhor numa dança menos borboletinha que a dança do ventre. Tenho medo de conceitos únicos e fechados. Feminilidade, pra vc, pode ser suavidade, mas pra outra pessoa pode ser atitude… E aí, flor, acho que independe do que se vai dançar. Eu, por exemplo, não tenho um estilo mulherão e não teria mesmo que estivesse dançando burlesque – porque não cabe em mim. O tribal é sim performático e o vejo agregando muito mais quanto a questão da dança em grupos, em tribo – a coisa do matriarcado simbólico mesmo, sabe? São outras viagens, outra intenção, inclusive, outro conceito de arte.

  5. Sandra Rayzel disse:

    Concordo Lory! Mas eu acho que quando se têm uma sociedade ainda muito voltada para o masculino, onde as mulheres ainda estão às voltas com essa coisa de ter que ser poderosa, ter que tomar a iniciativa nas relações, ter agressividade, no sentido de ir em busca das coisas, eu acho necessário que se trabalhe muito ainda o feminino doce, a sensualidade sim, mas aquela que sai dos poros, não sei se consigo me expressar bem… O grupo também existe na DV, e deve existir em qualquer dança, mas até mesmo o tribal anda pendendo pro lado do individual! Vc falou lá em cima de Gal. Ela não deixou a dança do ventre por causa do compromisso que ela tem com a feminilidade. Pra ela é missão de vida ajudar outras mulheres a resgatar o feminino, é terapeutico. Tô errada? Vc a conhece melhor q eu. O tribal é massa, sim. Mas pra mim ainda não era o momento de acontecer…rs. Por isso retornei a DV. Pra mim também é uma questão de auto-conhecimento e terapia, até claro, da arte, pq não? Mostrar-se é legal!

  6. Daiane Ribeiro disse:

    Oi, meninas, adorei o post e os comentários!
    Eu fui uma das que primeiro migraram por aqui, e foi por uma razão muito interessante: parece que o que sentíamos falta na dança do ventre antes, nós conseguimos achar no tribal, que era o lance de usar mais o “elemento terra”, roupas com sementes, búzios, tudo mais roots, e a intenção que já tínhamos na dv em relação à expressão e movimentação, caiu como uma luva. Mas não foi o estilo fusion que nos guiou a princípio, mas sim a possibilidade que o termo “tribal” nos oferecia para criar. O que pensamos foi: O que é tribal pra mim? Não se resume a Rachel ou ATS meeeesmo!
    Então, a transformação e o aprendizado que tivemos na primeira coreografia de tribal, foram descobertas que a dança do ventre, por si só, talvez não proporcionasse, até por ter uma característica inicial de dança solo.
    No meu coração está a dança do ventre em primeiro lugar, respeito muito minha história com ela. Apesar de tudo que o tribal complementou pra mim,
    pelo visual, que eu amo, pela vivência de grupo, ou pelo ganho em consciência corporal, é num baladi que eu mostro quem eu sou.
    E creio que não existe monotonia em nehuma delas, se tivermos a mente aberta a aprender! Tem coisa demais pra gente agregar, se não nos fecharmos num estilo. Claro que tudo é uma questão de gosto, mas uma das coisas que adorei aprender é que se eu fecho os olhos para o que não gosto, posso deixar de descobrir que há algo muito legal ali…e é dentro dessas relutâncias que confrontamos nossos maiores desafios e obtemos as maiores transformações. Permitam-se…

    • lorymoreira disse:

      Então, Dai. Me permitir, sim. Experimentei, vivi e foi muito intenso.
      Dá uma olhada nisso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=op6QfdhmPeA
      Foi inesquecível!
      Acontece que esse amor não se sustentou. Eu costumo dizer que eu e o tribal tivemos um lindo amor de verão.
      O que me assusta é a migração definitiva pro tribal. Diferente de vc, que faz o tribal e continua na dv…
      Me assusta pq essas pessoas que citei são as mais criativas que já tive oportunidade de conhecer.
      E daí fico com aquela sensação de que perdi alguma coisa, sabe?
      Obrigada pela participação!
      Beijos!

  7. Carol Murad disse:

    Oi Lory! É uma pena que isso esteja acontecendo aí na terra de Jorge Amado, mesmo que eu admire profundamente o tribal. Cheguei a praticar durante alguns meses, devido à necessidade de fazer número no grupo que ia dançar no MP, e achei interessantíssimo, especialmente pelo fato de que nossa coreo tinha muitos elementos de dança contemporânea (meu eterno amor!).
    Sou levada a concordar que o tribal permite mais inovações e experimentos. Não que isso não seja possível na DV, mas creio que é um pouco mais difícil pelos próprios moldes nos quais a DV se baseia, sabe. Mesmo que não façamos o esquema clássica-percussão-moderno-folclórico, às vezes quando alguém traz uma inovação qualquer para a DV, um monte de gente cai matando em cima, sem mesmo parar p/ considerar se aquilo é a chave contra a falta de originalidade geral. Isso mina a criatividade artística das bailarinas mais talentosas.
    É até por esse motivo que sou adepta da utilização do ballet como um elemento de inovação e reciclagem na DV, desde que obviamente isso não descaracterize a essência da dança oriental.

    =************************

    • lorymoreira disse:

      Pra mim, essa é a questão: “às vezes quando alguém traz uma inovação qualquer para a DV, um monte de gente cai matando em cima”.
      Fico me perguntando se esse não é o motivo principal dessa debandada para o tribal…

      • Carol Murad disse:

        Talvez sim… o que eu mais ouço é tribalistas dizendo que no tribal elas têm mais liberdade de criação.
        Tava vendo um vídeo da Rachel Brice, no qual ela interpreta duas músicas do Louis Armstrong, e bem… sem palavras! E olha que ela fez uma interpretação meio à moda clássica, tipo seguindo os instrumentos de destaque na música, saca.
        Fora alguns “Noites no Além” na KK, o resto não usa de elementos enriquecedores oriundos de outras danças, ou como disse antes, quem usa acaba sendo mal julgada, infelizmente.
        Taí o vídeo da Rachel p/ gente se inspirar: http://www.youtube.com/watch?v=L37NAnc43cY

      • lorymoreira disse:

        Então, Carol… tecnicamente a Rachel é fantástica! Se eu tivesse esse domínio corporal, estava plena de felicidade! Mas, sendo ranhetinha, o que vi nessa performance foi uma música diferente e a mesma Rachel de sempre. Não tomei nenhum susto ou tive alguma boa surpresa.
        Quanto a Khan el Khalili, algumas coisas diferentes, em termo de fusões, vêem sendo feitas naquelas Super Noites do Harém – a coreografia do contemporâneo que pus no post sobre fusões é belíssima. Mas a questão da formatação da dança permanece. Às bailarinas de lá, tudo é permitido. Agora, quem lembra o bafafá que foi quando Luana Mello dançou com uma cadeira? Ou a Isabella, companheira dela de palco, misturou derbake com funk? Que democracia é essa em que a permissão para inovações é tão descaradamente imparcial?

  8. Márcia Mignac disse:

    Como adoraria ler as respostas anteriores, mas meu tempo é curto demais… Minha filhota é meu foco maior. Mas não posso deixar de refletir sobre os motivos pelos quais a Bahia TRIBALIZOU. A minha hipótese mais forte é que o TRIBAL permite maior liberdade em improvisações e fusões, um ESCAPE (talvez?) aos padrões que ditam o mercado da dança do ventre. Talvez se continuasse por aqui também seria uma adepta ao tribal. Afinal não suportaria mais a pressão de ter que dançar igual aos modelos vigentes. E mesmo que o tribal tenha suas referências, ainda está aberto a imúmeras possibilidades de experimentações ABERTAS e não fechadas, como vemos por aí. Fui… beijinhos

    • lorymoreira disse:

      Não sei, Marcinha… sempre fui simpatizante da turma da resistência. Aqui estou. Dou o maior apoio às meninas do tribal, vou às festas, abro e sempre abrirei espaço para elas no Sarau que organizo com Gal. Não só acho a convivência saudável como fundamental pra turma da dança do ventre: lidar e conviver com gente criativa nos incentiva a criatividade. Quanto a mim, resolvi que esse espaço do Sarau será um espaço para experimentações de coisas diferentes em dança do ventre – ainda que dentro do meu estilo borboletinha de jardim, mas tentando sempre surpreender o público. Nada mais entendiante que ficar só vendo entradas clássicas com véu… putz!

  9. Vivi disse:

    Gosto da proposta do tribal, mas, por enquanto, poucos me prendem a atenção. Admiro o trabalho bem fundamentado de uns 4 grupos/bailarinas que já vi (Dai Ribeiro é uma delas),mas o restante me confunde. Acho que o tribal em terras brasileiras está em fase de amadurecimento, tentando se encontrar.

    As hipóteses que vc traz são extremamente pertinentes e, numa primeira olhada, acredito piamente ser o que se passa na cabeça de alguém que deseja sair da DV e rumar para o tribal. Talvez o pensamento comum do meio da DV ainda esteja ‘amarrado’ ao que era dito há quase 1 década, quando a DV tomava força e ganhava espaço tanto na mídia quanto nas academias… Lembra? Pode isso, não pode aquilo – aliás, os “não pode” eram em número bem maior do que os “pode”. Tanta restrição e enquadramento sufoca, aprisiona algo que deveria ser libertador.

    Embora esteja restrita a um dado modelo de movimentação, a DV pode ser tão criativa quanto qualquer outra modalidade de dança. Basta que seus bailarinos façam o exercício de criação, valorizem a expressão, busquem a originalidade… Há caminhos sim a percorrer nesse campo e poucos(as) o fizeram.

    bjbj

  10. Bela disse:

    Oi meninas, tô chegando aqui meio atrasadinha, rsrsrs…
    Bom, só pra dar um depoimento pessoal, não sinto que eu “debandei” pro Tribal. Simplesmente sempre fui tribal, apenas não tinha ainda um nome que designasse esse estilo que eu já praticava de alguma forma.
    Enquanto na DV a maioria fazia solo, eu já pensava em grupo. Por várias vezes, muito antes de saber que tribal existia, os figurinos dos meus espetáculos não condiziam com os de DV, eram rústicos, sem lantejoulas, bem ‘tribais’. E as músicas? sempre gostei de diversificar. Além disso, já fiz aulas de muitos estilos desde criança(balé, moderno, afro, indiana, contemporâneo…) e essas linguagens já estão inseridas no meu corpo, sou Fusion. Enfim, pra mim isso nunca foi um conflito. Aderi ao estilo pq ele corresponde mais às minhas demandas.
    No entanto, continuo dando aulas de dança do ventre e ADORO! Mas, no palco me realizo muito mais com a dança Tribal.
    Ah, tem mais uma coisa em relação ao que Martinha falou da transformação que o Tribal vem processando no corpo dela. Pra mim que dou aulas tanto de DV qt de Tribal, é visível a diferença que o tribal faz no corpo das alunas, deixa os movimentos muito mais claros e o corpo realmente mais flexível.
    Meu próximo work no Capão será sobre as afinidades entre DV e Tribal. Por mais que a gente precise delimitar espaços, elas são artes “irmãs”. Decidir se dedicar mais a uma ou a outra vai do jeito de ser de cada dançarina. Penso que não há muita explicação pra isso… apenas GOSTO.
    bjs bjs

    • lorymoreira disse:

      Me lembro de você dizendo que “era tribal e não sabia”! Risos!
      Essa coisa de onde a gente se realiza é que, no fim das contas, nos mobiliza mesmo.
      Sinto muito seu afastamento da dança do ventre. Embora vc diga que não a tenha deixado. Mas é evidente que sua praia é o tribal: seus investimentos, o brilho de seus olhos, sua pulsação energética, seu amor. E não há o que lamentar quanto a isso – é bom a gente fazer realmente aquilo que ama. Mas, como eu disse, ando me sentindo meio só nesse mundo de lantejoulas: as pessoas andam cada vez mais enquadradas em formatos que eu não quero pra mim. E vc, quando era mais dança do ventre que tribal, fazia uma enoooooooooooorme diferença nesse cenário. E lhe sou muito grata pela formação artística que me deu – se não fosse você, talvez eu também estivesse enquadrada nesse formato vigente e, pior, talvez estivesse enquadrada sem nem ter consciência disso!!

  11. Carla disse:

    Ah, Sandra disse boa parte do que eu penso. Sinceramente ou metaforicamente ou esteticamente se se preferir, para mim, o tribal parece uma dança de anjos decaídos.

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