Sobre a responsabilidade de escrever

Oi, meninas!

Estou meio sumida, é verdade… mas é que não tenho tido grandes inspirações, mas hoje, depois de me deparar com uma coisa esdrúxula, me deu uma vontade louca de escrever sobre a responsabilidade de escrever.

A primeira pessoa a me chamar atenção para isso foi a Daiane Ribeiro, ou seja, o mérito de começar essa discussão é dela.

Ela diz o seguinte: o que você mostra no seu blog, é o que o público verá – de bom e de ruim – a respeito da dança do ventre.

Um detalhe, ou melhor, a cerejinha do bolo: nossos blogs são lidos apenas por pessoas  que já fazem dança do ventre?

Não! Óbvio que não!

Muita gente coloca lá no Google “dança do ventre” e nos encontra porque quer exatamente saber mais a respeito da dança. E olha que bacana! Ela nos encontra!

Mas será que o que a gente tem escrito vem, de fato, construindo uma boa imagem da dança do ventre?

Então, assumo meia culpa.

Muitas vezes o blog é o nosso instrumento de desabafo, de compartilhar nossas frustrações e decepções. Entendo perfeitamente isso. Já usei esse blog aqui pra isso. E não foi apenas 1 ou 2 vezes. Mas hoje, quando estou muito indignada, escrevo para as amigas. Mando um e-mail ou publico no Facebook ou no Twitter porque lá tenho controle de quem me lê, mas aqui isso é impossível!

Agora, imagina… vejo um vídeo (ou um texto , ou qualquer coisa) que destrói toda a construção de formiguinha que vem sendo feita para a valorização da dança do ventre enquanto manifestação artística e, ao invés de compartilhar a minha indignação com poucos, exponho ela abertamente no blog onde centenas de mulheres assistirão aquilo pela primeira vez. Pior ainda é quando essas atrocidades não são acompanhadas de uma reflexão a respeito daquele comportamento/contexto. Mais grave se torna a situação.

Será que depois disso elas vão querer fazer dança do ventre?

Que tipo de serviço estou prestando a minha arte quando me comporto dessa forma?

Pra resumir e abreviar essa nossa conversa, fica uma dica que serve pra mim e para todas as blogueiras de plantão: quer destruir a reputação do seu blog e levar junto a reputação da nossa dança? Então, meu bem, publique o impublicável.

Sejamos mais responsáveis com aquilo que a gente escreve, com a arte que a gente assumiu pra gente e com o público que nos acompanha.

Eu tenho tentado fazer minha parte e gostaria muito do engajamento de todo mundo – amigas, desafetos, desconhecidas. Porque, no fundo, o que a gente quer é a mesma coisa: ver a dança do ventre sendo respeitada.

Que tal se nós mesmas começassemos a praticar?

Essa é uma lição que a gente precisa aprender. E já!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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19 respostas para Sobre a responsabilidade de escrever

  1. Hanna Aisha disse:

    Oi, Lory

    Procuro evitar desabafos no blog mas nunca pensei sob esse ponto de vista da DV em geral, mas sob o ponto de vista da minha imagem apenas. Iniciar desavensas pela internet por conta de opiniões diferentes foi uma vez só e espero que nunca mais.

    Mas fiquei curiosa com a coisa esdrúxula que vc viu… espero que não tenha sido no meu blog!!! :-0

  2. Tati Lamas disse:

    Oie!!!
    Leio seu blog sempre que há atualizações (na verdade ele está listado no meu blog, pois tento fazer dele uma porta de entrada para pesquisa para minhas alunas) e esta postagem me chamou bastante a atenção.
    É bem verdade que notícias ruins e comentários podres se espalham com o vento. Veja, não é somente aquelas que estão procurando por dança do ventre que irão ler estes posts e sim pessoas que tem blogs ou que costumam ler blogs (mesmo que não se indentificando) sobre determinados assuntos. Ora, mas é uma bela maneira de criar polêmicas desnecessárias!
    Eu cheguei a ler alguns blogs deste tipo e parece que cansaram de fazer tricô. Não, eu não achava nada legal o quebra pau que se seguia, tão pouco o post em si, simplesmente pq não acho que uma dança tão manchada como a dventre precise de mais escândalo, não importa de qual ordem.
    Blogs como o seu, da Vera (Amar el Binnaz), da Roberta Salgueiro, entre outros, constroem ao invés de destruir. Isso é mega legal! O meu ainda está engatinhando. No início era um blog de informações exclusivas para quem era minha aluna ou dança no meu grupo. Hoje está mudando e desejo mudanças ainda maiores! Só me falta o bendito tempo!!!

    Continuemos, então, construindo a arte!

    Bjoks

    • Vivi Amaral disse:

      Mais uma observação, com base num dos comentários acima.

      É preciso ter cuidado ao discernir um blog que traz eficazmente contribuição à dança, de um que faz isso só aparentemente. Como bem disse Elaine, postar matérias polêmicas que prestam desfavor á dança e não trazer nenhuma opinião sobre isso, é, de certa forma, endossar o que postou.

      Afiem a criticidade, meninas. 😉

  3. disse:

    Eu faço vááários desabafos no meu blog, mas normalmente não é sobre nada esdrúxulo com relação à DV. De qualquer forma, acho legal refletir mesmo! Às vezes o blog perde totalmente o sentido…

    Beijo, Lory!

  4. Vivi disse:

    Ai que bããããão ler isso!

    A intenção da pessoa é a de chocar, causar, ser comentada, independente do tipo de bizarrice que ela coloca na internet. É a mesma mentalidade daquele diretor de programação de TV que escolhe colocar programas apelativos, burros e de baixa qualidade com o intuito de gerar audiência. Audiência, é isso. A pessoa quer números altos nas estatísticas do seu site, porque isso, talvez, lhe dê alguma popularidade ou respeito (?) frente aos mais ignorantes no assunto.

    É possível perceber a superficialidade de blogs assim quando vemos que os textos postados são rasos de argumentos, ou cópias de outros textos encontrados no www e colocadas ali apenas com o intuito de gerar polêmica (e não de discussão fértil). São posts que prestam um desfavor à dança, pois propagam conceitos que ajudam a confundir e deturpar a formação de quem chega. Ou de reforçar ideias já bem conhecidas como nocivas para a evolução da dança do ventre como arte.

    Considero ser de extrema necessidade apontar esse tipo de atitude nociva nos blogs. Para o bem da imagem da dança e de quem faz seu trabalho de forma séria e profissional.

    bj, sister.

    • lorymoreira disse:

      Eu diria que apontar as “atitudes nocivas” é indelicado e iria dar tanta dor de cabeça, que não creio que valha a pena.
      Já estimular a reflexão sobre esse assunto é saudável.
      Vc não saí por aí apontando os erros dos outros, nem julgando abertamente ninguém (porque não sejamos ingênuos – a gente julga o tempo todo), mas não deixa de pontuar considerações importantes sobre a forma como estamos nos posicionando enquanto sociedade, enquanto pessoas que acabam reforçando padrões de valores e comportamentos que dizemos ser contra.
      É difícil pacas. Cada um tem que fazer seu trabalho, a sua parte e ficar se policiando mesmo.
      Eu que o diga…!

      • Vivi Amaral disse:

        (nós que o digamos, hehehehehe…)
        Só acrescentando….Quando digo apontar, me refiro trazer à tona a situação e sim, como vc dia, propor a reflexão, que às vezes parte de um fato que incomoda, é nocivo. Assim como eu faço no meu blog e como vc faz aqui…. Não é apontar no sentido literal da palavra. ; – )

  5. LuArruda disse:

    descobri isso cedo, muito sem querer, quando falei o que pensava sobre uma grande estrela da dança. não era polêmico, nem superficial, era apenas a minha opinião, mas depois veio a responsabilidade de ter um fã-clube me avacalhando por semanas. enfim, responsabilidade não é só conhecimento e informação, é tbm paz de espírito. mas foi bacana, porque fui obrigada a escrever de maneira assertiva e diplomática, sempre tentando expressar a opinião-pior é ficar em cima do muro, coisa que nunca faço e farei. mas essa reflexão é importante e madura, sempre!

    • lorymoreira disse:

      Mais do que isso, Lú – é ter a noção de que o que a gente escreve é o retrato da maneira como o público verá a nossa arte.
      Eu tb já fiz isso que vc fez. E não foi apenas uma vez.
      Hoje sou mais cuidadosa, mas não deixo de fazer uma crítica se a considero necessária para uma reflexão maior.
      Mas isso é muito diferente de publicar conteúdos impróprios, que desvalorizam a arte da dança do ventre e que não trazem nenhuma reflexão sobre o exposto.
      A gente precisa ter mais cuidado. Nossa responsabilidade é muito maior do que parece.

  6. Elaine Aliaga disse:

    Flor de formosura, eu refleti bastante sobre as coisas que você comentou aqui e em nossas conversas e conclui que o pior desta situação é a pessoa não comentar nem se posicionar.
    Eu lembro de ter feito a mesma coisa em um post sobre o rebolation da Amara no Cairo, pq não sabia mesmo o que pensar. Na verdade, eu ainda não sei. Estou desconstruindo algumas coisas e preconceitos e isto dá uma trabalheira danada, nem tudo eu sei de pronto o que pensar.
    Já houveram momentos em que eu carreguei uma responsabilidade sobre a imagem da dança nas costas e isso não foi saudável, além de profundamente ilusório. No entanto, hoje eu penso mais antes de publicar algo, talvez ainda não seja o suficiente, mas “devagar e sempre” é meu objetivo.
    Agora, de verdade, apesar de você saber muito bem minha opinião sobre este causo, não acho que isto tenha tanta força na imagem da dança do ventre. Ela sobreviverá e a seleção natural se encarregará de separar o joio do trigo.
    Além disso, bailarina que carrega tanto peso e responsabilidade nas costas acaba corcunda, dançando curvada, travando seu processo criativo. Acho saudável a gente abstrair e deixar de se preocupar tanto, certamente teremos menos rugas!

    • lorymoreira disse:

      Talvez me preocupe demais, mesmo. Vc pode ter razão. Mas não quero cair em erros antigos. E acho que, quando a gente escreve, tem, sim, responsabilidade sobre o que faz. E é bem saudável todo mundo lembrar disso.

  7. Shaide Halim disse:

    Lory fadinha, eu gosto tanto quando vc escreve! Fico triste quando seu blog fica abandonadinho… não perca a inspiração jamais!
    E fim… não me meto mais nesses angus, não faço mais parte desse mundo, mas desejo sorte à todas que trabalham duro pela sua arte!
    Tava com saudades de te ler por aqui!
    Beijocas

  8. samya disse:

    Ai, Lory . . . complicado.
    Honestamente, escrevo cada vez menos sobre Dança do Ventre por diversas razões.
    Mas força pra nós, sempre!
    Bjim

  9. laylakhodair disse:

    Lory, deixei uma brincadeirinha pra vc no meu blog. Dá uma olhada no penúltimo post.

    Bjo

  10. Daiane disse:

    Eu, feliz! Este é um assunto que considero importante e escreveste muito bem, com certeza será muito lido e bem acolhido! Obrigada pela citação, mas seu texto ficou perfeito e objetivo, demonstrando bem aquelas idéias que debatemos! Beijão, frô!!!

  11. Nat disse:

    É. Lory… Cê sabe que eu tenho diminuido as ranhetices lá no Dançar ou Não porque muitas coisas sinto que não precisam ser escritas lá. Às vezes prefiro escrever numa folha de papel e depois jogar fora. Hoje em dia tô tentando escrever coisas mais positivas, divulgar um show legal, um curso legal (de graça, de preferência) do que sentar pra reclamar. E olha que eu gosto do negócio. Mas você tem toda razão: é uma ótima chamada pra gente se policiar quanto ao que é dito – e o que é melhor não dizer. A dança tem uma face tão linda, a gente tinha é que botar a boca do trombone pra lembrar ( e não negar) isso!
    Parabéns pela reflexão, mulher!! Beijocas =)

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