Meu legado

Estou numa fase bem interessante com a dança e o meu corpo. Talvez por ter achado exatamente o que quero dentro da dança do ventre, pude começar a me aventurar em outras linguagens corporais.

Ainda é cedo. Não posso dizer que tenho uma boa experiência com isso. Mas tem sido fantástico dar ao meu corpo a oportunidade de viver padrões de movimentações diferentes.

Há mais de 7 anos me dedico às aulas de dança do ventre. Esse estilo foi, de fato, a primeira modalidade de dança que consegui aprender depois de traumas de infância com o ballet e o jazz.

Agora, na rota balzaquiana, me surpreendo com uma maneira nova de me relacionar com meu corpo. Sejam nas sequências loucas de dança contemporânea vivenciadas nas aulas de Lis, seja na diversão das aulas de jazz, onde o movimento acontece de uma maneira inesperadamente fluída e vibrante, seja na melhora do meu tônus muscular vivenciado nas aulas de ballet clássico.

É verdade que todo mundo prega a experimentação de outros estilos de dança. Mas apenas agora eu posso dizer o quanto isso é importante para a minha relação com meu corpo.

Prestes a fazer 30 anos, descubro uma nova Lorena: tenho descoberto que posso dançar tudo que quiser.

Sim. Eu posso.

Sem a pretensão de me tornar uma bailarina profissional, sem a obrigação de cumprir um dever, de estar ali por obrigação. Não. Hoje sou movida apenas pelo desejo de dar ao meu corpo outras maneiras de estar e ser no mundo.

Sim, também descobri que os anos de prática de dança do ventre me renderam vícios posturais. Terríveis ou não, os acolho e os amo porque essa também sou eu. E isso nada mais é do que uma afirmação do amor que tenho por cada coisa em mim – pelo que há de bom e de ruim, pelo que há a melhorar e pelo que esse corpinho aqui já conquistou!

O meu desejo é, daqui pra frente, experimentar cada vez mais outras leituras corporais. Sinto que isso me fará crescer – e não estou falando apenas da maturidade na dança, mas da maturidade da alma.

Quero chegar aos 60 anos podendo olhar pra trás e contar o quanto vivi.

Não tenho recursos para viajar pelo mundo como já desejei (e ainda desejo) fazer, mas tenho várias maneiras de fazer minha alma viajar e proporcionar ao meu corpo estar em outras dimensões e lugares através da dança.

Eu amo dançar. E quando o meu corpo já não puder mais fazê-lo, as memórias sensoriais estarão prontas para me lembrar o que já vivi e senti. Esse é o legado que quero deixar para mim mesma na minha velhice – eu dancei. E fui imensamente feliz.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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7 respostas para Meu legado

  1. Hanna Aisha disse:

    Estou em uma outra fase de amadurecimento (não faço outras danças por falta de tempo) fazendo aula particular e procurando me desafiar mais. E a sensação que tenho é de que o meio é e será a melhor parte que o fim desses objetivos todos. Mas posso estar enganada. Só saberei continuando, certo? Muita saúde!

  2. Natalia Salvo disse:

    Achei esse post de uma maturidade e profundidade incríveis. E tô muito feliz com esse teu momento. Lindo!
    Beijocas =)

  3. Denise disse:

    Que t-u-d-o!! Emocionante, Lory!

  4. LuArruda disse:

    ah, por isso que eu digo: ‘como é bom fazer 30!!’ iupiii você vai ver, vem muito mais por aí… segue firme!
    =]

  5. Lucy Linck disse:

    Post lindo demais!
    Imaginei a gente daqui muitos anos, com o mesmo brilho nos olhos e a mesma vontade de dançar… nos divertindo como nunca!
    Dizem que o olhar nunca muda. Porque a alma é sempre bela!
    Beijos, minha amada!

  6. Vivi disse:

    Que bela reflexão, minha amiga.
    A casa dos trinta é boa, muito boa. Para mim foi melhor que a dos vinte (imensamente melhor…).
    É uma idade de repensar um monte de coisas, de almejar outras, interesses que divergem mas que no fundo se completam. Estamos bem fisicamente, acho que até mais bonitas, cabeça melhor, menos ‘deslumbramento’ …

    Espero que a fase dos meus “enta”, que começa ano que vem, seja assim também.

    A dança? Bem, a dança é isso que vc falou! 😉

    bjbj

  7. Elaine disse:

    Delícia de relato, flor!

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