Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação II

Dando seguimento à nossa série, vamos falar hoje sobre um dos elementos mais hipnóticos da dança do ventre: a espada.

A danada é, sem dúvida nenhuma, um dos elementos mais difíceis de usar: exige segurança da bailarina, presença em cena, equilíbrio e riqueza de possibilidades de leitura – do contrário, caí na monotonia. Além disso, parece haver em torno dela todo um poder sensual: conbinemos, a espada não poderia ser, fácil-fácil, um objeto de fetiche?

Sim, e talvez por toda essa áurea de mistério e sensualidade o público a adore!!

Mas, por que será que a gente a utiliza tão pouco?

Medo? Insegurança? Ou apenas falta de interesse?

Será que estamos tão bitoladas em dominar 300 músicas clássicas utilizando todo nosso repertório de giros, arabesques e pliês que acabamos optando por deixar de lado uma das performances com maior poder de absorver completamente a atenção do expectador num show de dança do ventre?

Pra começar a mexer nas nossas entranhas, um vídeo clássico e atemporal da mega eterna diva bellydancer brasileira: Nájua.

Confesso para vocês que essa foi a primeira performance de dança do ventre de verdade que vi na minha vida. Por esse motivo, tenho especial carinho por ela. Além disso, é inegável a beleza dessa entrada com esse oito egípcio lindo-de-morrer da Nájua.

Mas também é verdade que, apesar de eu e mais um monte de gente ainda achar linda essa dança da Nájua, a maioria de nós vai dizer que isso está fora de moda e que não se faz mais dança do ventre assim.

Como a intenção dessa série é mostrar que os elementos estão aí e que podem e devem ser utilizados para dar mais dinâmica às apresentações de dv, além de mostrar que é possível fazer com eles uma leitura mais contemporânea, trago pra gente mais esses três vídeos:

Creio que ninguém discordará de mim: a espada fascina. E mais: é possível fazer com ela todo tipo de inovação que passe na sua cabeça, afinal de contas, esse não é um elemento que está ligado a uma tradição folclórica como o bastão, por exemplo.

Você pode escolher fazer uma performance mais sensual com uma música bem diferentona. Pode se arriscar num momento mais tribal de sua vidinha bellydancer e fundir elementos de outras danças durante sua execução. Pode dançar plantando bananeira (brincadeirinha! Mas vai que dá certo?), usar um figurino ousado, explorar seu repertório balético e tantas mais outras idéias mirabolantes que passarem em sua cabeça!

Tudo é permitido na dança com a espada. Ela é tão livre!!!!!!!!!!!

Nós é que parece que desistimos de ser…

Ficar dançando música clássica a vida inteira é entediante e ainda vai matar sua criativa bailarina interna – se é que isso já não aconteceu…

E aí? Empolgadas pra tirar as espadas do fundo do armário?

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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18 respostas para Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação II

  1. Hanna Aisha disse:

    Oi
    sou uma das poucas em que espada não me atrai nem um pouco e concordo que são poucas as danças com ela que me chamam a atenção. Vc não falou da Shalimar Mattar e sua espada acrobática e da Mayara Al Jamila e sua delicadeza aqui no Brasil. São bailarinas legais de se ver.
    Mas, eu mesma… acho difícil eu planejar performance com a espada, mas quem sabe?
    Bom post de incentivo!

    • lorymoreira disse:

      É verdade: tem a Shalimar e a Mayara. Mas quis trazer aqui vídeos novos, coreografias mais ousadas e que desafiassem o senso criativo da galera.

  2. Samya Ju disse:

    Interessante esse ponto de vista: realmente fazer uma BOOOOA dança com espada é para poucas. A bailarina precisa ser ousada e dar asas à imaginação. Quando o resultado dá certo, fica maravilhoso.
    Sempre pensei que a espada fosse o elemento mais fácil, porque impressiona com muita facilidade. Se a bailarina dominar o mínimo de consciência corporal, ela já pode usar esse elemento. Mas esse post me fez pensar . . .
    Bjos

  3. Maíra Magno disse:

    espada eu gosto muito da yasmin nammu mas elas é uma das poucas, e um acessorio dificil de usar pesado e limita muito a movimentação, este ano nas noites do haren teve uma coreografia de espada que eu gostei muito

    • lorymoreira disse:

      É fato: a danada exige bastante. Eu, particularmente, não me encontro muito com esse tipo específico de elemento, mas acho lindo de ver no palco.
      Sim, a Yasmin Nammu é linda com a espada. Mais uma dica aqui pra quem quiser estudar.

    • Hanna Aisha disse:

      Tinha esquecido da Yasmin Nammu que eu já vi ao vivo e é realmente maravilhoso!

  4. Sem dúvidas com a dança da espada fascina. Principalmente as crianças!!!E Mayara arrasa com a espada…a mulher faz miséria!!! Quando a vi dançar pela primeira vez com espada não acreditei q era possivel fazer tantas coisas!!! Td mundo ficou babando!!! Bjss

  5. Vivi Amaral disse:

    Como qualquer outro elemento, um pouco menos o véu, eu dispenso. Mas acho bonito ver alguém que sabe manusear com destreza, casada com a música e a imagem que essa dança passa. Acho que ela requer músicas especiais sim. Certa vez vi uma bailarina dançar com espada num solo de derback aceleradíssimo e foi terrível, nada ali combinava. Agora, essa performance da Irina é terrivelmente boa! Quanta coisa ela nos diz, né? Adoro!

    • lorymoreira disse:

      Hum… espada com derbake? Ousaria dizer que talvez essa apresentação específica que vc viu que não tenha sido boa… mas não acredito que isso seja proibido ou impossível de ser feito. A gente só tem que ter bom senso pra saber o que fica bom ou não. Ou então, na ausência dele, uma amiga de verdade, daquelas que tem coragem de dizer: pára com isso ou eu te mato! Risos!

  6. LuArruda disse:

    aaiin eu amo as clássicas, por mim só dançava elas..rs.. mas adoro inovar de vez em quando, apesar que a espada para mim é sempre dificil, nossa. muito bom ver esses vídeos. estudo já!

  7. Elaine Aliaga disse:

    Florzinha,

    Sobre a bitolação com as clássicas, alguém disse certa vez (não me lembro quem) que a rotina clássica é o supra sumo da dança do ventre, a prova de que você “domina” a bagaça. Aí já viu né, preparadas ou não para tal interpretação, lá se vão todas as belly motivadas realizar a previsível rotina. Você já viu coisa mais monótona que as leituras comumente apresentadas? Sempre a mesma coisa… tá, quase sempre, tem quem arrase. Em uma reflexão que fiz há 2 anos no blog eu pensei sobre essa “prisão” que virou a leitura das rotinas.

    Apesar de os shows aqui de Campinas estarem de causar dor de estômago depois de 10 minutos, ainda tem muita diversidade de elementos, não dá para reclamar. Não que hajam perfomances inesquecíveis mas estão lá, sabe como é…

    Espada, aliás, é o que mais tem! Eu não curto muito espada para dançar, ela não tem a energia que eu comumente emprego em minhas danças, mas é algo que preciso trabalhar. Sinto que ela é o desafio que eu preciso para dar um caracter mais sensual quando desejar. Taí, vou estudá-la mais.

    Para assistir eu curto assim, com moderação. Geralmente me sinto agoniada assistindo pois as bailarinas não passam segurança com equilíbrio e eu meio que capto a apreensão delas. A maioria também apresenta uma leitura tão óbvia, aquela receita de bolo chata, equilíbrio aqui, ali e acolá, carinha assim e assada, um porre. Às vezes as pessoas esquecem que estão dançando e focam tanto no objeto que esquecem de se movimentar ao ritmo da música, de atentar para as marcações e de trabalhar a expressão.

    Tem um vídeo no dvd de 27 anos da Lulu com a equipe da Hadara (se não me engano) onde uma bailarina se destaca com a espada. Ela tem uma expressão serena e poderosa, total domínio do objeto, foi de longe a melhor performance que vi ao vivo com espada na vida (em contraposição à sua colega que quase me matou de agonia com aquela espada descontrolada). Dá uma olhada no vídeo e repara no detalhe, não foi a coreografia inteira com a espada mas foi inesquecível.

    O vídeo da Nájua é um clássico que marcou uma época. Sabe que revendo-o eu acho mais bacana do que achava na época… Aliás, lá pela 3ª vez que eu o assisti eu pensei: preciso de uma espada com bainha. Nunca tive, snif!

    Eu não sou da turma que vai dizer que essa dança está fora de moda, alguns elementos dela nunca sairão (ou nunca deveriam sair). Sou é do time que dirá, que saudade desse tempo!

    Vídeo 1: delicinha de coreografia em grupo. Adoro músicas assim para espada, costumo usar a Mandylion que considero perfeita para a performance, mas não tem nada de árabe.

    Vídeo 2: não é “dança do ventre”, sabemos, mas é tudo de bom! este vídeo foi uma das coisas mais bacanas que já compartilhou comigo. Lembro-me de ficar impressionada com tal leitura quando a recebi, e também de sentir vontade de montar o espetáculo falando sobre os arcanos maiores. Bem, o espetáculo está pronto, agora vem a longa etapa de produção e ensaios, quem sabe ano que vem… Nem preciso dizer que a Justiça será inspirada nessa leitura, né?

    Vídeo 3: o que foi aquela perna trocando o lado aos 30 segundos? Arrasou, já ganhou minha total atenção. Totalmente “selvagem” esta coreografia, linda! Eu não seria capaz de executá-la sem muito trabalho corporal e alongamento, sou travada no chão e nesta movimentação toda que elas fazem. Sem contar que a fenda gigantesca da saia, apesar de ser necessária nesta performance, me causa desconforto, não curto pernocas tão à mostra (neuras, neuras).
    Apoio no queixo? Taí algo que nunca tinha visto, mais um ponto por inovação sem jacuzisse.
    Abridinha de espacate não curti… melhor, até curti, mas não conseguiria fazer, rs. Ondulação abdominal de joelhos com tranquinho? Arrasou!

    Vou agora lustrar minha espada, rs.

    • lorymoreira disse:

      Sou suspeita: adoro esses 3 vídeos. O primeiro pelos desenhos de grupo e pela coreografia ensaiadinha. O segundo pq ele realmente é t-u-d-o de bom e mais um pouco. Não é dança do ventre, mas é tribal – uma dança irmã. E o terceiro pela ousadia, competência técnica e sensualidade.
      Quanto a Nájua, adorooooooooooooooooooo e tb não acho que está fora de moda, mas vc sabe… hj em dia, não é isso exatamente que o povo belly fashion prega…

  8. Angela Carolina Moreira disse:

    Lory, eu sempre gostei de dança com espadas e quando dançava sempre gostei de dançar… Eu sou bem demodê, acho a dança da Nájua a mais bela, mesmo fora de moda dos padrões atuais… Acho que é por isso que perdi o gosto pela DV… Não faz o meu tipo a DV de hj em dia… Eu adoro te ler! Beijos

    • lorymoreira disse:

      Pena que gente como vc, que curte uma dancinha mais tradicional, se desvinculou da DV… a gente perde muito com isso. Não preservar algumas “tradições” não nos torna, nem um tiquinho, melhores artistas…

      • Angela Carolina disse:

        Ai flor eu sempre digo que na DV eu tô fora de moda… A minha dança é fora de moda… Não consigo gostar dessa “nova” era da DV… Aqui em SP então… Eu fico chocada com as coisas que eu vejo, aliás nem procuro mais ver nada… Beijos

  9. Natalia Salvo disse:

    Lory, enlouqueci na dança da Irina. Já linkei lá no meu blog com link pro teu post, que aliás, já atualizei por lá na lista de blogs =)
    Agora, só agora vou olhar os outros… rs. Tenho espada e há muito tempo não danço com ela, já gostei mais… Mas com certeza vou buscar la no armário depois disso. Caramba!!
    Beijocas

  10. lorymoreira disse:

    Flores, assistam tb isso aqui:

    Beijos!

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