Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação IV

Para o post sobre candelabro tive que pedir um help. Primeiro porque não entendo bulhufas de dança com candelabro. Nunca tive um, nunca fiz aulas, nem nunca tive vontade de dançar. Sempre faltou tesão mesmo.

Como faltava em mim essa faísca pelo elemento, pedi a Elaine, do blog Tagarelando sobre dança, que fizesse esse post pra mim.

Creio que foi uma decisão bem acertiva. Elaine fez uma baita pesquisa de vídeos e trouxe alguns pontos de vistas bem legais pra gente pensar e avaliar em relação à utilização desse elemento.

Divirtam-se, meninas! E obrigadão Elaine!!!!

***

Esse tal Shamadan… por Elaine Aliaga


Atendendo ao pedido da amiga Lory estou aqui para falar sobre o candelabro, um elemento muito bonito e que agrega bastante aos shows.

Como o objetivo não é falar “aquilo que sempre se diz” sobre o candelabro, vou começar citando a forma como eu gosto de dançar, e também de assistir, performances com esse elemento.

Uma boa “música de cobra” (lenta, sinuosa, com marcações suaves, mas nada de “pancadão”), figurino que cobre o ventre, cabelos protegidos da parafina por um véu ou lenço, muitas ondulações de quadril e braços, muita suavidade e delicadeza.

Apesar de serem essas as minhas preferências, não deixo de admirar algumas danças bem feitas que não sigam tais características, como essa:

O que eu mais gostei nesse vídeo, confesso, foi o cenário. Porém, gostei também do figurino e da dança da bailarina.

Entretanto, tem coisa que eu, decididamente, não acho adequado às leituras com candelabro, como um sorriso estalado e escancarado (acho que não tem a “energia” da dança). Assim como também considero fundamental uma certa penumbra para que o efeito da luz das velas seja perfeito.

Veja bem, eu disse “penumbra”, não escuridão. Sim, porque na pesquisa que realizei nos vídeos do Youtube, para escolher quais colocar aqui, eu vi muita dança com escuridão plena, só aparecendo os pontinhos de luz da vela, onde não se via absolutamente nada da dança e da bailarina. Perde-se, aí, completamente o propósito.

Ainda falando do que não acho legal acontecer: giros rápidos. Nas músicas mais agitadas (que eu nem cogitaria para um candelabro, enfim…) algumas bailarinas se empolgam e na ânsia de acompanhar a música e mostrar o quanto são habilidosas no equilíbrio do candelabro giram rápido demais quase apagando as velas ou, por vezes, apagando mesmo.

Quando eu digo “equilíbrio” estou ciente que o candelabro não é como a espada nesse quesito; no entanto, exige um controle da movimentação da cabeça, caso contrário ele despenca sem piedade ou “desencaixa” e respinga parafina em todo o corpo (vai por mim, é péssimo dançar com os pingos caindo em você, eu já vivenciei isso e não pretendo repetir, rs).

A relação da bailarina com qualquer um dos elementos precisa ser natural. Eu costumava brincar com minhas alunas e dizer que se elas queriam dançar bem com o candelabro, precisariam acordar, almoçar, jantar e dormir com ele. Excetuando o exagero, claro, eu acho que a naturalidade necessária para a dança com qualquer elemento vem dessa relação constante e da intimidade com o instrumento/elemento.

Essa naturalidade faz toda a diferença, não há nada pior do que bailarina com o pescoço tenso, rígida, travada… dá uma aflição!

Minha referência na dança com candelabro é a Ju Marconato, eu sempre a vejo realizar muitas performances em vídeos (como os da Super Noites). Sua dança se caracteriza por uma leitura mais moderna, utilizando-se de diversos tipos de música, com o ventre descoberto, retirando o candelabro durante a dança e concluindo-a sem ele. Como a Lory já falou da Ju no artigo anterior, irei ilustrar com um vídeo da Nesrine que eu gostei bastante e que foi um dos melhores que assisti no Youtube, e segue exatamente o “estilo” dela:

O candelabro dá um efeito visual muito bonito e é muito apreciado pelo público geral. Eu acho impactante quando mais de uma bailarina entra em cena ou quando um candelabro é acompanhado por várias bailarinas dançando com taças, acho que fica um visual muito bonito:

Uma curiosidade interessante é que as bailarinas brasileiras buscam apresentar-se com candelabros menores e com velas cortadas ao meio (ou ainda menores), enquanto diversas estrangeiras utilizam-se de candelabros que mais parecem lustres e costumam colocar velas inteiras e grandes, o que fica, no mínimo, muito exótico.

Falando de exótico…

Notei uma tendência em alguns vídeos mais folclóricos de utilizar-se os snujs nas performances com o candelabro. Confesso que prefiro não misturar as coisas, acho que, dessa forma, perde-se o efeito mais bonito, e o propósito, da dança com candelabro. No entanto, alguns vídeos são bem legais em diversos outros pontos:

As bailarinas mais místicas gostam de associar o candelabro à ideia de “iluminar” o ambiente, e, portanto abrem o show com a dança. Eu acho que, independente do significado ou de tal cresça, o candelabro é uma ótima dança para abrir um espetáculo pois, além de concentrar a atenção do público, por utilizar-se de músicas mais lentas e sinuosas (novamente, dentro da proposta que eu considero mais interessante), o ideal é inserido quando todos estão atentos e dispostos.

Para sua performance ser um sucesso, é importante, além de muita intimidade com o elemento (horas e horas de estudo e ensaio, não tem caminho curto nesse caso), esteja sempre atenta a correntes de ar. Por vezes, quando não dançamos em teatro, podemos nos deparar com uma porta ou janela aberta que apagam as velas e comprometem o efeito visual do fogo.

Outro aviso importante é para as motivadas em excesso: candelabro usa fogo, fogo é perigoso, pode queimar seu cabelo, sua roupa, o cenário. Lembre-se do que “os mais velhos” sempre diziam, quem brinca com fogo acaba se queimando. Atenção pouca é bobagem!

No mais, incendeiem as plateias por aí…

Elaine Aliaga

elaine@elainealiaga.com.br

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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8 respostas para Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação IV

  1. tribalbahia disse:

    Uma vez fui numa festa cigana e ví uma das apresentações de dança mais bonitas e emocionantes de toda minha vidinha. Ví Dominique dançar com o candelabro, ví a alma de Dominique dançar e foi divino!

    • lorymoreira disse:

      Dominique é a melhor bailarina que já vi com um candelabro nessa minha vidinha. Pena que ela nunca filmou nenhum dessas danças dela!

  2. Samya disse:

    Adorei o texto! Beijos

  3. Amei o post…realmente o video das estrangeiras são um pouco “exóticos”…mas uma apresentação com candelabro é sempre intrigante…parabéns meninas!!!

  4. Lívia carine disse:

    Eu nunca comento nos blogs q visito com frequencia, mas hj só li post q deu vontade de comentar.

    Primeiro pq o post da Elaine ficou show e eu tb adoro o blog dela, leio sempre.

    Segundo pq eu tbm nao gosto de candelabro. mmass concordo com muitos pontos da Elaine q nao tinha me dado conta por causa da maioria dos videos q ja vi e nao gostei. “Eu acho impactante quando mais de uma bailarina entra em cena ou quando um candelabro é acompanhado por várias bailarinas dançando com taças, acho que fica um visual muito bonito:”…É pra ser impactante, verdade. Entao tbm concordo com a história de ser na entrada do show…adorei essa história de tacinhas e candelabro…apesar de nao ter gostado tanto da dança exemplificada ( da mulher com candelabro)

    Eu acho o candelabro uma coisa MUITO esquisita!! Eu nao entendo muito bem o motivo dele, o q aquilo acrescenta de fato..e ai acho tudo muito nada a ver! Mas há exceções (visto alguns vídeos q a Elaine caprichou aí). Mas é bem visual, confesso. Se bem utilizado até q não é de todo mal. Eu tenho pra mim q nunca estudarei esse acessório rs Tipo Lory, q nao se interessa…

    Mas o maiiisss q eu acho mesmo sobre o candelabro é essa coisa de dançar feliz, ou músicas felizes com ele: parece q a mulher é uma sei lá, nem sei o nome, uma serviçal q tá chegando com uma bandeja de frutas, ou de porco, uma imagem meio medieval vem a minha cabeça sabe, meio nada a ver. Como se a mulher estivesse servindo um jantar e ao mesmo tempo entretendo um senhor feudal da vida ou um sultão…e na verdade só falta a bandeja de frutas e o porco com maçã na boca..não estão lá, mas eu os vejo (qnd dança feliz, sorrindo)

    E Candelabros gigantes com velas gigantes…nem preciso dizer minha opinião.
    Ah achei legal q nunca tinha passado na minha humilde cabecinha na cera caindo na bailarina: muito amor à arte hein colega!!

    Abs.

  5. Vivi Amaral disse:

    Muito bom!
    Fia Elaine falou uma coisa e quero ressaltar: a dança do candelabro, apesar de todas as variações que ganhou, é folclórica e a gente não deve se esquecer disso. Pede ventre coberto, pede galabia. É uma dança de cortejo, cerimoniosa e na cultura árabe simboliza a luz no caminho do(s) homenageado(s), como eu e todos nós já sabemos. Hoje, as apresentações possuem um caráter quase circense, bailarinas usando roupa de 2 peças, música inadequada, enfim, algo desvirtuado de seu propósito. Não falo de liberdade artística, falo de respeito à cutura.

    Eu gosto dos candelabros gigantes, tem um efeito lindo e em grupo é hipnotizante!. Mas também fico o tempo todo temerosa da bailarina se queimar, ou queimar o que há em volta! rsrs….

  6. Hanna Aisha disse:

    Oi
    demorei para postar pq demorei a ver todos os videos.
    Adoooooro candelabro, mas dançá-lo hoje em dia em teatro é proibido (pelo menos no Rio), diminuindo as chances de apresentações.
    Acho que dançá-lo precisa de contexto e gostei muito do texto da Elaine. E achei as estrangeiras exóticas também, não me agradaram tanto.
    E candelabro para mim… tem que ter rolamento no chão! E não acho necessário véu na cabeça.
    Beijos

  7. Wera lúcia disse:

    Que lindo ….. conteuto expressivo, educador.
    Obrigada por acrescentar em meu estudo.
    Por vezes, contamos com a colaboração de terceira pessoa, ambiente com espelho pequeno ou sem…..e acontece de o candelabro não ficar bem encaixado ou pendente, e, ohhhhhhhhhh…….todo cuidado é muito pouco, assiste com razão o medo.
    beijos.
    wera

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