Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação V

As tacinhas… ah as tacinhas!

Fala sério que quando você ver uma bailarina entrar no palco com elas você já não pensa: “momento soninho da festa”? Hein, Natália? Risos!

Primeiro porque o povo insiste em usar música muito lenta pra dançar a danada. Aí  o risco de ficar linear, chato e tedioso já se instaurou. Depois, o povo insiste em colocar apenas alunas iniciantes pra dançar com as tacinhas.

Nada contra aluna iniciante dançar com tacinhas, mas porque ninguém pega um grupo profissional pra fazer isso?

Sei lá, de alguma maneira se instituiu que tacinha é dança para iniciantes e amadoras, mas esse é um dos erros mais graves que a gente tem na dança do ventre.

Por que? Pensa bem comigo: as tacinhas limitam os movimentos dos braços, então, pra uma apresentação com elas se sobresair, é preciso que a bailarina faça algo bem dinâmico e criativo. Mas alunas iniciantes não têm condição de ousar tanto, certo? Pois é… por isso a maioria das apresentações com tacinhas que você verá no youtube são mais eficazes que o Lexotan da minha vó.

Vou dizer uma coisa para vocês: foi muito, mas muito difícil achar vídeos interessantes para trazer pra cá.

Fuçei o youtube de frente pra trás e de trás pra frente. Pouca coisa passou na peneira.

Sim, e também há aquele mesmo problema citado pela Elaine no post dos candelabros: porque que a gente apaga completamente a luz numa dança com tacinhas?

Gente, deixa meia-luz, mas não apaga tudo. Compromete quem está assistindo ao vivo e inviabiliza o vídeo de ser compreendido no youtube. Muita coisa que poderia ser boa fica sem ser vista. Ou então, pensando bem, nos pouparam de mais uma sessão de chatice (tá… admito! Tô cruel hoje).

Na verdade, a melhor apresentação que já vi com tacinha até hoje não está no youtube, mas é fácil de achar: está num dos DVDs das Super Noites do Harém e, se não me engano, foi coreografada pela super Elis Pinheiro. Elas estão com uma roupa roxa e dançam uma música do Dead Can Dance. É de babar! Juro!

Agora voltando a nossa discussão, a gente precisa lembrar de algumas coisas:

# a tacinha não está ligada a uma tradição folclórica. Ela é uma derivação do candelabro e foi inventada pelas americanas, então, baby, invente mais um bocadinho. Permita-se ousar. Se alguém te disse que você só pode usar música lentinha pra dançar com as taças, esqueça e permita-se.

# sim. Há fogo aceso na sua mão. Lembre-se disso caso invente uns giros. Respingos de cera quente queimam e não agradarão seu público.

# não está segura? Parta pra outra coisa. Não adianta, você não vai conseguir se esconder atrás das tacinhas.

E que tal se inspirar um tiquinho nessas duas danças aqui?

Uma aula da Jufih. Se a gente acreditava que delicadeza + suavidade + tacinhas era igual a tédio, aqui ela desconstrói todo esse conceito. Mostra que é possível, sim, fazer uma performance super delicada e romântica sem fazer a gente cair no sono.

O segredo? Variação de velocidade nos movimentos, variação de níveis de maneira mais rápida (sem aquela coisa de passar 2 minutos no chão e só depois subir), ocupar todo o palco, usar muito bem os giros e cambrês, que dão uma pimentinha a mais no clima de “in love” e, lindamente, não esquecer que tem quadril – ela usa e abusa dele.

O que mais gosto nessa performance são as pausas para a pose do começo e do meio da música. A coreografia não está tão harmoniosa (probleminhas de ensaio), mas tem variações com as tacinhas bem legais para estudar, principalmente uns movimentos quebradinhos que me dão uma idéia de uma leve inspiração na dança tribal.

É isso, gente: é estudar, inventar e ousar mais. Sair das nossas zonas de conforto e se desafiar numa performance com um elemento que é tão lindo, mas tão pouco bem utilizado!

Gostou? Quer saber mais? Ler isso aqui e isso aqui.

Beijocas!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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7 respostas para Dançando com os elementos: tradição, ousadia e inovação V

  1. Samara Leonel disse:

    Outra coisa que valoriza muuuuito a dança da Jufih também é o excelente alongamento e sincronização de braços, além de um giro de punho com muito domínio. Nada mais triste que tacinhas “Horácio”.
    Tinha abandonado as taças como recurso há seculos, mas depois desse post deu até vontade…
    Beijos.

  2. Janah ferreira disse:

    Oi Lory!

    Engraçado aqui em Portugal se usa muito elementos sabia? Eu mesmo em certos bares que danço as tenho 5 entradas e tenho que variar e sempre faço o uso, de snujs, bastão, espada e as velinhas…as pessoas aqui apreciam bastante…acho que pode ter muito haver de não existir por cá aquela coisa de seeeeeeeeeeeeeeeeeeeeempre se dançar o clássico como tem acontecido muito no Brasil, Enfim gosto de dançar por cá por isso a gente sempre exercita um pouco de tudo entra em contacto com tudo! Enfim a perfromance da Jufih meu deus Fantástica ameiiii amei vou ver muuuiiiiitas vezes!!!
    beijo

    • lorymoreira disse:

      Janah, legal vc trazer essa experiência pra dividir aqui com a gente. A dança do ventre do Brasil enriqueceu muito tecnicamente, mas em contrapartida, tem empobrecido nas variações que vemos nos palcos. Dançamos clássicas o tempo inteiro! A diversidade parece que está morrendo…

  3. Maíra Magno disse:

    Jufih e uma deusa qd ela me pediu pra dançar com as taças aqui eu pensei ” ai que saco” mas calei a minha boca eu nunca tinha visto ninguem dançar com taças de uma maneira tão linda, e ao vivo ainda… Um show todo no teatro ficaram hipnotizados, meu namorado acha que ela foi a melhor bailarina que eu ja troce pra Sergipe até hoje. E é excelente professora tb

    • lorymoreira disse:

      Que bom que vc se calou e pagou pra ver, Maí! Do contrário, não teríamos essa performance tão linda pra estudar!
      Essa mulher arrasa!
      Espero que vc leve ela pra Aracajú outra vez e que eu possa ir prestigiar ao vivo!
      Beijos!

  4. Elaine disse:

    Oi Lory, falando por mim, eu sempre usei a dança das taças com iniciantes justamente para que elas desenvolvessem o trabalho de braços, mãos e punhos. Acho que não há elemento melhor para desenvolver as habilidades nesses aspectos que citei.
    Vejo esta questão das iniciantes da seguinte forma: em um show diversificamos, não podemos colocar uma iniciante em um solo de percussão, por exemplo, pois ainda não tem habilidade e domínio do quadril para tal, aí acabam sobrando danças em que elas conseguirão se dar melhor, como as taças e as modernas.
    Em um mundo ideal eu adoraria assistir mais shows apenas com profissionais no palco que façam valer o ingresso mas, infelizmente, por aqui a realidade é muito mais ofertas de shows de escolas e alunas mesmo.
    Adorei a Jufih dançando, ela tem o que eu considero fundamental para uma boa performance com taças: munheca solta. O pulso é o segredo do negócio.
    Claro que não podemos esquecer todo o resto, e me encantou a forma como ela trabalhou as molduras de braços, dosou o quadril… muito boa!
    Este lance de variação de velocidade é o que a Lulu e o Jorge sempre caem matando nas seleções. Segundo eles, são os momentos de impacto, aqueles que quebram a monotonia, que chamam a atenção. Quando a gente vê uma performance como esta a gente percebe que eles tem razão, não é mesmo?
    O segundo vídeo eu não gosto muito não. Tem ideias boas e tal, como você falou, mas a Super Noites 4, como um todo, foi a pior. Haviam grandes talentos, coreografias, figurinos, mas os grupos atuando conjuntamente não tinham sintonia e ensaio. No 5 isso melhorou muito, você vai ver.

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