Reflexões sobre o ensino da dança: sentimento x técnica

Meninas, eu avisei que ia demorar de aparecer, hein?

Pois é, além dos estudos, tem as tais aulas de redação que estão exigindo de mim um refinamento na escrita que não combina nadinha com a maneira como escrevo aqui no (An)Danças. Mas resolvi passar por aqui assim mesmo. Não me contive! Risos!

Queria propor uma reflexão pra gente, principalmente para as meninas que dão aula de dança do ventre, ok?

A partir de quando vocês acham que se deve começar a trabalhar o tema “expressão” ou “sentimento” em sala de aula?

Vou explicar de onde surgiu isso para tentar levar vocês na viagem junto comigo: no final de semana, estava na casa de uns amigos e, a filhinha deles, de uns 2 anos, estava dançando uma musiquinha qualquer do Justien Bierber.

O que me chamou atenção foi o quanto de alegria tinha no encontro daquele corpinho com a música. Naquele momento, ela estava descobrindo possibilidades de se expressar com o corpo que nasciam do sentimento que a música parecia causar nela.

Quando nos tornamos adultos, é óbvio que as amarras já estão formadas, mas, mesmo sem saber bulhufas de salsa, por exemplo, você sente alguma coisa quando ouve uma salsa, ok? E é essa “coisa” que te leva pra pista de dança e faz você se acabar à noite toda numa boate caribenha mesmo nunca tendo executado um passinho básico sequer de dança de salão.

E por que que quando resolvemos aprender a dançar fazemos o caminho inverso? Primeiro aprendemos a técnica para depois sentir a música… (Não que eu concorde com essa metodologia, mas é a linha que a maior parte das professoras de dança do ventre que conheço usam).

O grande problema desta metodologia, no meu ponto de vista, é que, depois de uns 2 anos de aula, a gente pede a aluna que dance sentindo a música, e a menina não sabe o que fazer com isso. Parece que lhe dissemos um palavrão.

Já ouvi meninas me pedirem para ensiná-las a sentir a música. Sinto muito, amores, mas isso não se ensina. Esse é um caminho que você – apenas você – pode fazer.

Alguns depoimentos que já escutei passeiam pela dificuldade de conciliar técnica, improvisação e sentimento.

“E agora? Devo sorrir nessa parte da música?” – me pergunta uma menina que já fez mais de 3 anos de aulas de dança do ventre e domina todos os passos do nosso repertório bellydance básico.

E eu lhe pergunto – “o que você tem vontade de fazer?”. E ela me responde – “não faço a menor idéia do que fazer com o rosto, mas sei o que fazer com o quadril”.

E se essa menina tivesse sido ensinada de outra forma? Se, no seu primeiro dia de aula, lhe tivesse sido feito um convite de viajar na música? De explorar as possibilidades de movimentação que seu corpo fosse sentindo? Será que ela hoje não estaria mais consciente de si mesma?

Sinceramente, creio que dançar é libertar a alma, mas pra isso é preciso muito mais do que adequar um corpo a determinados códigos corporais. É preciso passear pela liberdade de sentir e explorar a música como uma criança de 2 anos: sem certos ou errados, sem tem-que-ser-assim ou tem-que-ser-assado.

Essa é minha opinião mas, sobre ela, tenho muito mais dúvidas e reflexões a fazer do que afirmações.

O meu convite é que pensemos juntas.

O que vocês me dizem de tudo isso?

Beijos e até breve!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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14 respostas para Reflexões sobre o ensino da dança: sentimento x técnica

  1. Vivi disse:

    “O grande problema desta metodologia, no meu ponto de vista, é que, depois de uns 2 anos de aula, a gente pede a aluna que dance sentindo a música, e a menina não sabe o que fazer com isso. ”

    Pedagogia inversa, né? Parte do que está fora, ao invés de partir do que está por dentro.

    Para que facilitar, se é possível complicar.

    tsc tsc tsc….

  2. Elaine Aliaga disse:

    Flor, eu sou da opinião que ambos devem caminhar juntos: sentimento e técnica.
    Agora, como fazer isso? Eis o desafio para as professoras.
    Eu não consigo lembrar das etapas do meu aprendizado em que tudo se uniu, mas percebo claramente que quando me preocupo demais com a técnica nos ensaios para uma apresentação eu acabo me esquecendo do sentimento. Por sorte, sempre que subo no palco esqueço tudo e sou pura curtição. Sou péssima com coreografia, eu estudo as possibilidades, a música e danço o que sinto no momento.
    Sei que isso pode causar horror em muita bailarina excepcional: se eu estiver de TPM minha dança não será a mesma que apresentarei no dia em que estou pulando de alegria. A diferença de sentimento estará clara e estampada em toda a minha movimentação. Sou humana e levo isso para a dança o tempo todo, sem a menor culpa.

  3. Lory….se eu não estivesse passando p/ isso eu diria q/ seu texto é bobagem…Mas infelizmente não é…Realmente ficamos anos só treinando passos e coreografias e acho q/ deixamos de lado o principal de se dançar q/ é exatamente sentir a música…Agora como estou na mudança de nível e a proposta de Lis já é outra (pois não é passar ou revisar passos ou sequências) e sim nós como alunas temos q/ mostrar o q/ aprendemos… e te digo q/ é mto dificil ..principalmente depois de vários anos onde só recebia informação e agora ter q/ passar a informação é mto complicado…mas vamos q/ vamos…tô aprendendo depois de tanto tempo q realmente o q/ importa é sentir a música q/ foi o q/ aconteceu quando vc me mandou akela música…me deu uma vontade de levantar da cadeira e requebrar o esqueleto…É dificil mas com disciplina agente consegue td!!! Espero q/ algum dia alguem crie um método realmente eficaz

  4. Lívia Carine disse:

    Parabéns Lory! Esse blog é disparado um dos que levantam mais questões interessantes e IMPORTANTES na dança do ventre! Desde que comecei a dançar (e isso faz nem 7 meses) cai aqui por acaso e sempre venho aprender um pouquinho (não só com os posts mas com os comentários do pessoal..pelos comentários que conheci o mowashahat)!

    E engraçado que ontem eu tive aula e minha professora falou que tinha ido em um blog e leu algo sobre isso! Sobre o que deve ser ensinado primeiro? Sentimento ou técnica? Ou como ensinar tudo isso? E citou esse exemplo do Justin Bieber! Aposto que foi aqui que ela leu!

    E eu adorei a aula de ontem. Ela colocou duas músicas pra gente ouvir e fechar os olhos e sentir a música. Depois nós conversamos o que cada uma sentiu, ou viu quando a música tocou no nosso coração! A maioria teve respostas bem similares e foi ótimo compartilhar as visões que uma mesma música pode causar nas diferentes pessoas! Tinha gente que tava com cara de “O que ela tá fazendo?”..mas acho que certas coisas nas aulas de DV variam de pessoa p/ pessoa de acordo com o objetivo dela em aula…

    Resumindo: seu post acabou sendo tema de aula numa escola do Rio ontem à noite rs e eu achei muito legal o exercício que fizemos! Eu gosto de dançar em casa “de qualquer jeito”, tipo criança msm, mas admito que qnd fico em frente de qlqr pessoa, tudo some e eu travo, a dança é outra e é mt ruim rsrs A gente vai crescendo e eu acredito q um dia isso vai sumir…mas confesso que só acredito nisso qnd a minha técnica melhorar um pouquinho. Por isso eu também acho que as duas coisas TEM que estar ligadas: técnica e sentimento. Então, nas aulas a professora pode estimular mais esse lado do sentimento, nem que seja passando um trabalhinho de casa rs para escutar uma música e dançar do jeito q quiser, sem espelhos, só sentindo mesmo. Eu sempre danço pro meu público invisível rs e eles adoram, claro =PPP faz parte de uma fantasia também, mas acho que ajuda a pensar nessa coisa de sentimento, de se libertar, expressar, enfim…

    Parabéns!

    • lorymoreira disse:

      Êta que tô me achando depois desse comentário! Risos!
      Legal esse retorno seu, Lívia.
      Muita gente visita o (An)Danças, mas pouca gente comenta – e olha que falta isso faz! Olha como é importante: a escrita e a reflexão propostos aqui (e em tantos outros espaços virtuais da internet) estimulam a criação de outras metodologias de ensino em dança do ventre! Não é demais isso?
      Agora, cá entre nós, a parte desse seu comentário que mais gostei foi a de dançar pro público invisível! Risos!!!! Amei! Vou adotar a medida como conselho para minhas colegas!
      Um abraço e obrigada pela visita!

  5. Lívia carine disse:

    É menina, meu público me adora rs chamo até para as palmas

    Eu sei que os comentários são importantes, sempre que dá tento escrever alguma coisa. Mas às vezes só sugo mesmo. Aliás Lory, comentei com a profª que acabei achando o tal blog que ela falou, já venho aqui a mt tempo, desde que comecei msm. Mas hj eu vim aqui pensando “Nunca li o blog da Lory todo” Eu ja fiz a limpa em muitos blogs e percebi que no seu não. Senti falta de um guia do lado com os arquivos (tipo puxando pro datas, ou pelas tags) pq é assim q eu leio de cabo a rabo os blogs de dança. Beijos

    • lorymoreira disse:

      Lívia, vou olhar como põe isso… eu não sei, mas vou tentar achar. Se conseguir, adiciono no blog, sim! Beijos e obrigada.

  6. LuArruda disse:

    eu ia escrever e escrever, mas esse trecho não sa ida minha mente e, por mim, já responde tudo: ”o único momento em que não posso fingir ser quem eu não sou é quando estou dançando…” to contigo e não abro.

  7. Diana Souza disse:

    Oi Lory, acompanho seu blog e seu trabalho há muito tempo, mas hoje é a primeira vez que comento. Adorei o post! A discussão é perfeita!
    Há mais ou menos 2 anos agonizo nesse conflito, que nasceu de perceber que muitas vezes
    a dificuldade com a execução de uma técnica não é uma limitação simplesmente mecânica. A cabeça “sabe” o que fazer, mas o corpinho não responde! :S
    No caminhar de encontrar respostas percebi a necessidade de aliar o agir ao pensar e SENTIR.
    Hoje, acredito que somente na harmonia desses elementos podemos apresentar uma dança cheia de beleza e graciosidade. Estou dando meus passinhos….
    Maaasssss, na sala de aula, o negócio é mais complicado. Como comentou a Lívia Carine, já sugeri em sala de aula um momento de simples entrega do corpo a musica. Huum… alguns olhares de “acabou o repertório, vc não sabe o que ensinar e tá inventando”. Depois dessa experiência, senti que é preciso haver primeiro uma segurança das alunas, que elas tenham apreendido um repertório mínimo de técnicas. Passei então a adotar uma “brincadeira” que chamo de comando: coloco uma música bem familiar e começo com alguma técnica, digo a/as aluna/s que quem quiser pode sugerir outro passo para todas acompanharmos. É um momento muito bonito da aula, as alunas começam a improvisar e reconhecer quais técnicas já apreenderam. Em turmas mais maduras, dá para nos minutos finais da aula soltar uma música, apagar a luz, ignorar o espelho e pedir a elas para simplesmente dançar livremente.
    Hoje reconheço que isso deve ser depois de algum tempo de aula, pois há também aquelas que dançam unicamente o “seu interior” e “esquecem” da técnica, que é a fronteira para que o que seja apresentado seja dança do ventre.

    Bjooooooossss

  8. Vera disse:

    Penso que desde o início do aprendizado esse tema deve ser abordado pelo professor de dança. Isso significa não tratar o aluno como mero e eterno iniciante. Significa que o professor de dança acredita que realmente o aluno seja capaz de desenvolver técnica aliada a sentimento e expressão. E o aluno percebe quando é levado a sério e acaba ele mesmo acreditando que é capaz. É claro que o tempo de desenvolvimento é diferente para cada um. Percebo também que as pessoas têm mais facilidade de se expressar quando se identificam com determinada música ou estilo, o que nem sempre acontece ao longo do aprendizado. Podemos adorar um professor e ter de dançar um negócio que não tem nada a ver conosco e então o esforço tem de ser maior, mas é bom como exercício e desafio. Penso que a expressão, assim como o movimento, também pede disciplina e deve ser treinada. pelo menos em uma passgem da aula costumo dizer: Não dance como se estivesse em uma aula, mas como se a sala estivesse cheia de gente. Mantenha a atitude, a postura de quem está de fato se apresentando e a expressão do que sente que pode traduzir desta música para o público.

  9. Vera disse:

    Outra coisa: sobre a menininha dançando. Observando minha filha dançar descobri que nada se compara à espontaneidade e naturalidade de uma criança dançando. Aquilo brota como uma coisa mágica. Isso creio que não dá pra o adulto reaprender, infelizmente…

  10. Hanna Aisha disse:

    Oi
    acho que ensinar expressão é uma das coisas mais difíceis e ainda não achei uma maneira exata de fazer isso. Concordo com a Diana, de que deve haver um repertório mínimo de técnica pois assim a aluna se preocupa menos e trabalha mais a fluidez e espontaneidade.
    O que sugiro é sentir mais a música e procurar treinar a expressão sozinha, já que a maioria tem vergonha de fazer isso na frente dos outros, principalmente da professora.
    Beijos

  11. Ana disse:

    Observando alguns posts acima, me dei conta de qual sortuda eu sou. Sou aluna a apenas 1 mês, faço umas 4 aulas por semana, apenas, mas acho que não terei tanta dificuldade na questão de sentir a música, porque sou uma auto-didata. Desde que experimentei me apaixonei e como em tudo na minha vida, parti em busca de mais informações, pode-se dizer que eu fiz um cursinho a parte da história da dança do ventre, origem, transformações, objetivo e quando encontrei esse texto estava pesquisando sobre o sentimento, a expressão, como sentir a música, então busco as traduções das letras, procuro ouvi-las de olhos fechados, prestando atenção nas batidas, nos instrumentos, etc.
    Com o pouco que li, acho que acima de tudo deve existir um respeito pela dança, pela sua origem, acho que devemos encarar, pelo menos eu, como um ritual mesmo. Li também que é a bailarina que desperta a reação do público, então creio que sentir a música tem a ver com que sentimento você quer despertar na plateia, e aí suas expressões, quer faciais, quer pelas mãos, movimentos do quadril, etc vão mostrar o que vc está sentindo e o que vc quer que a platéia sinta. Eu por exemplo, vou dançar para o meu namorado pela primeira vez no dia dos namorados, estou aprendendo a coreografia, mas quero encantar ele, quero que ele sinta como se eu estivesse fazendo uma entrega, uma renúncia de mim mesma para que agora possamos ser nós e não indivíduos, a ideia é como se fôssemos ficar noivos, embora já somos, mas eu quero expressar isso na dança, como se fosse a nossa festa de noivado.

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