De quantos caracteres se faz um post?

Estou recolhida. Foram muitas tempestades em pouco tempo e agora é um momento muito meu: deixar as coisas se acalmarem aqui dentro e também em torno de mim.

Sinto uma pena ver o blog que gosto tanto largado ao vento, mas também sinto que aqui é um espaço que devo usar, sobretudo, com responsabilidade e a habitual paixão pela dança.

A recomendação médica é que eu fique, pelo menos, 30 dias sem praticar nenhuma atividade física. Isso, obviamente, inclui dançar. Dou-me conta de que essa é uma tarefa difícil de cumprir. Mas ficar 30 dias sem fazer aulas é até mole… Complicado mesmo é ficar 30 dias sem nem poder me remexer na cadeira quando escuto uma música boa. [Deprê]

Na tentativa de me acalmar e aproveitar o tempo fui passear pela net e por diversos blogs que estão no ar com a temática da dança. Confesso a vocês: haja desapontamento.

No ar, encontrei mínimas propostas de reflexão acerca da dança oriental. Sobram posts que são muito populares, mas que não aprofundam nenhum tipo de questão importante: maquiagem para bailarinas, sorteios de tudo que é coisa, posts superficiais que objetivam “avaliar” e colocar em evidência a profissional X ou Y, além de muito blá blá blá desprovido de um conteúdo consistente.

Senti saudades horrorosas da época que a Roberta Salgueiro atualizava constantemente o Yallah e dos posts provocadores do “Danças Exóticas” da Luana Mello. Eu podia não escrever, mas sempre tinha alguma coisa boa para ler e alguma discussão bacana para participar.

O que será que aconteceu? Esgotamos todas as possibilidades de discussão? Acho que não… Espero que não.

Eu realmente não sei o que está acontecendo com a gente, mas espero que seja provisório, assim como a minha impossibilidade temporária de dançar.

O fato é que há um esvaziamento nas discussões virtuais. Falta-nos posicionamento político diante das poucas propostas que possuem um pouco mais de substância. Estamos num vazio de sentido que, sinceramente, me assusta.

Há quem diga que sempre pode piorar. Darei uma de otimista (que nem é meu forte, mas que tenho tentado aperfeiçoar) e direi que chegamos ao fundo do poço da escrita reflexiva. A parte boa é que, se realmente chegamos lá, só teremos agora, o caminho de volta: o caminho para a luz. Saindo da caverna, com olhos cegos pela luminosidade, mas lúcidas, provocadoras e conscientes. Ser bailarina é muito mais do que saber dançar, é ter ciência de seu papel social.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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16 respostas para De quantos caracteres se faz um post?

  1. Samara Leonel disse:

    Olha, Lory, ao que me parece, os idealistas cansaram e o resto foi arrumar um jeito de pagar as contas. O meio é muito desgastante mesmo, vaidades, lantejoulas e falta de respeito. Acho que luz do fim do túnel só com uma nova geração. Tem que entrar sangue novo.
    Mas é bom te ver de volta.

  2. Dê Almeida disse:

    Ô, Lory! Eu tava com saudade das suas reflexões…
    Quando vai ter mais raqsat em pauta?
    Espero que você melhore logo, porque esse lance de não poder dançar é barra pesada.
    Quanto à questão dos blogs, concordo com você. Tem tantos blogs cheios de amenidades, futilidades e tããão cheios de acessos, né?
    É raro ver gente que se compromete em estudar e viver plenamente a arte que se propõe a praticar.
    Eu desisti do meu primeiro blog de dança… mudei tudo e passei a usá-lo pra minha outra função que é a de professora de filosofia. Mas acabei não aguentando. Fiz outro, acredita? Acho que esse recurso virtual é uma forma de extrapolar minhas angústias e amadurecer com elas.

    QUE BOM QUE VOCÊ VOLTOU!

    Beijo

    • lorymoreira disse:

      Menina, o Raqsat em Pauta está meio amarradinho esse semestre, mas, se Deus quiser, já já a gente desamarra ele. Risos!
      Fui lá ver seu blog. Não tinha visto ainda! Boa sorte nesse novo espaço: que ele lhe sirva de via de reflexão para a valorização da arte da dança.
      Beijos!

  3. Lory, meu doutorado se propõe a pensar sobre o que pode o blog? – E desmontar os fetiches sobre os seus usos. Faço uma longa reflexão dos blogs de dança e logo partilharei com vocês minha opinião. Existe um processo de esvaziamento e dessubjetivação do sujeito com o uso das mídias. Que trato como dispositiivos do capitalismo. Também sinto o mesmo desapontamento de você. Fica com DEUS e aproveita o tempo de reclusão para o corpo se reafazer. Beijinhos.

    • lorymoreira disse:

      Márcia, que delícia de tema, hein?
      Quando puder, nos apresente o resultado dessa pesquisa!
      Vai ser muito bom ter mais consistência para essa discussão.
      Um abraço apertado!

  4. Vivi Amaral disse:

    Mal ou bem (mais bem do que mal, rs) ainda temos alguma coisa. O seu blog, o meu, o da Elaine, o da Márcia, a Ro ainda posta (mesmo que seja um post por semestre, mas posta….). Mas concordo que a apatia para pensar sobre dança, sobretudo nos blogs que se propõe a falar de DV, é desanimadora. E tirando nós e mais 6 dúzia de pessoas, parece que ninguém mais sente falta disso. Para que pensar DV, se o mais importante dela demanda ações bem menos desgastantes? Vide as revistas do meio, que poderiam ser uma excelente ferramenta para o desenvolvimento de um pensamento crítico em dança, mas tratam apenas da “perfumaria”.

    Blog que vive sorteando coisa está gritando por seguidor. Passo longe. Avaliações de blogueiras “entendidas” de dança, sobre bailarina X ou Y, geralmente não são sérias e costumam estar repletas de clichês/ideias senso-comum. Aplaude quem tem menos informação/conhecimento que as próprias autoras. Ou quem precisa de gente lhe puxando as miçangas (pra não dizer o saco). A tal da troca de interesses.

    Olha, melhor eu parar por aqui… rs. Você me conhece.

    • lorymoreira disse:

      Fia, evito julgar essa coisa doida de sorteio, por exemplo. Sei lá. Poderia até ser legal, mas se tornou uma febre e alguns blogs se perderam nessa, sabe?
      O que sinto falta é que os espaços virtuais estimulem mais a reflexão.
      Acho que a gente tá perdendo tempo com tanta discussão de coisa pequena que não sobra espaço para um papinho cabeça e tals.
      É legal falar de maquiagem. Também é legal escrever sobre nossas impressões (eu mesma adoro fazer isso), mas isso não deveria ser o nosso foco, entende? Pelo menos, essa é a minha opinião. Mas tem aquela coisa… a galera escreve baboseira, o povo joga confete, a baboseira vira luxo. Cada classe tem a representatividade que merece. Não chegamos nisso à toa. Merecemos. Com certeza.

  5. Hanna Aisha disse:

    Olá

    Meninas, muita calma.

    Acho que ao mesmo tempo que está acontecendo tudo isso que vocês disseram, também está acontecendo uma grande vontade de academização e intelectualização da Dança do Ventre que eu nunca vejo ir além das discussões virtuais, principalmente através de blogs.

    Acho que existe lugar para todas: as que estudam muito, as que querem profissionalizar, as que querem comprar, as que querem se divertir etc etc etc e temos blog para tudo isso.

    O importante é cada uma que tem a responsabilidade de um blog saber qual é sua identidade e seu propósito; os seguidores interessados no seu perfil irão chegar a você mais cedo ou mais tarde.

    Antes de qualquer coisa, todas nós buscamos a Dança do Ventre, inicialmente, por entretenimento de uma forma geral para nós mesmas. Se passamos a levar isso mais sério mais adiante, como em qualquer profissão, é uma questão apenas de fazer a sua parte. Ou vocês acham que a maioria do Conselhos Nacionais/Regionais de variadas profissões são sérios?

    Beijos a todas! Melhoras, Lory!

    • lorymoreira disse:

      Flor, concordo com você que tem público para todo tipo de proposta. Minha questão aqui é para onde foram as propostas reflexivas porque não as vejo mais. E isso é bem diferente de academizar a dança do ventre.
      Em relação a processos de mudança por conta dessa tal “academização”, não creio que seja por essa via que vamos mudar nosso contexto – a academia só provoca a reflexão, caberá a nós pôr qualquer discussão e ação em prática.
      Infelizmente, a minha opinião é a de que, no nosso caso, temos purpurina demais e reflexão de menos. Vejo a galera de outras modalidades de dança bem engajadas em propostas políticas e sociais enquanto nós caminhamos à margem de tudo isso. Depois reclamamos de discriminação e desvalorização social… Contrassenso, não?
      Bom… quanto ao seu exemplo referente aos Conselhos Profissionais, creio que esse é um bom não-exemplo, não? Bom exemplo do que não fazer.
      Beijocas e obrigada pela participação! Ótima oportunidade da gente esticar mais um cadinho essa discussão!

  6. Maíra Magno disse:

    eita lory, ta na mare baixa ne? relaxa isso acontece e passa, depois volta e tal.
    Olhe eu como sou libriana e preguiçosa ja aceitei as coisas como são e nem me incomodo mais.
    Agora esse lance de comparar a Dv com outras modalidades mais intelectualizadas é uma barca furada, veja o próprio apelo visual da Dv não oferece lá muito espaço pra racionalizações e debates críticos. Certas danças como a contemporânea, são conceituais, ou seja, nego só dança , teoricamente, se pensar o corpo e o movimento antes, o ballet, vem de uma tradição classica tem um catatal de instruções e hierarquias. Quem é mais “cabeça” normalmente ou não se atrai pela dv ou vai fazer outra coisa, eu já vi isso com tanta bailaria, tanta aluna que ganha gosto por dançar e vai fazer contemporãneo pq é mais intelectualizado ou teatro pq é mais subjetivo.
    Eu acho que nós é que somos os peixes fora d’agua, querendo pensar, criticar e analizar uma linguagem que na maioria esmagadora das vezes as praticantes so querem rebolar, ser sexy, feminina, bonita, gostosa ( a isso tudo eu tb quero!)
    Então como eu já percebi a muuuuito tempo que sou minoria, faço o meu e nem me incomodo, não me regulo por baixo , mas tb não me preocupo com quem segue o bolo. Já disse isso aqui algumas vezes e não é onda não, nem me incomodo meeeeeeeeeeesssssmo, o lance é muito maior que todas nos que estamos aqui, então qd não tem geito, geito esta dado.

    • lorymoreira disse:

      Perae… para tudo: “o próprio apelo visual da Dv não oferece lá muito espaço pra racionalizações e debates críticos“;
      Eu acho que nós é que somos os peixes fora d’agua, querendo pensar, criticar e analizar uma linguagem que na maioria esmagadora das vezes as praticantes so querem rebolar, ser sexy, feminina, bonita, gostosa“.
      Acabo de constatar que vc tem toda razão: tem horas que não sei mesmo o que estou fazendo na DV… E, sendo assim, fico com o título de esquisita e peixe fora d´água com o maior orgulho.

      • Maíra Magno disse:

        hehehehehe, sad but true, agente mora num pais onde samba forro, funk, danças de muito apelo sexual usam figurinos muito parecidos com os nossos,com lantejolas e decotados com sutien e perna de fora, é normal que atraia o mesmo tipo de publico

      • Carla disse:

        Taí, tb acho, quero ser gostosa, mas de uma maneira profunda, kkk, não é ser gostosa para consumo, mas é saber que além de sabidas podemos sim ser atraentes. Vejo muito essa repressão à mulher por todos os lados, tem sempre alguém querendo dizer como uma mulher deve se comportar, uns resumem tudo ao ser gostosa e mulher serve para isso, outros acham que mulher que é mulher deixa até o cabelo branco e aceita dignamente seus cabelos brancos, sua celulite e flacidez. Para mim a graça é que mulher pode ser o que quiser! Inclusive siliconada! Às vezes a hora da DV é a hora de descobrir o corpo, pq tem gente vive do pescoço para cima. Qd comecei a dança do ventre, descobri que nada do que fazia na faculdade fazia sentido, rsrsrs, e olhe que amo minha formação, mas tinha uma outra dimensão da vida que simplesmente estava atrofiada em mim e que é do domínio do feminino. Cara ser cabeção tem limite. Quer dizer o lugar de pensar talvez seja esse do blog, mas não escolheria fazer dança porque se pensa a respeito dela, mas porque vem por todo meu corpo e não pela cabeça.

  7. Lívia Carine disse:

    Eu como iniciante vou falar o que acho, mas da posição em que estou!
    Eu leio os blogs de dança do ventre por diversos motivos, mas o principal é informação.
    E aí é o que alguém aí em cima falou, tem infomação de vários tipos: tem a opinião de alguém (que me faz refletir sobre se aceito aquilo ou não, se concordo, também conheço bailarinas por causa dessas opiniões, penso sobre coreografias, passos, sentimento, técnina com a opinião alheia, formo a minha é claro), tem os mais reflexivos (que não deixam de ser opiniões também, né? Que trazem questões mais profundas que me ajudam a situar a dança do ventre no contexto mais geral da arte, da dança, a pensar sobre este aspecto e como posso ser uma ferramenta útil nesse processo, aliás, se estou sendo uma..etc), tem os informativos propriamente ditos (que trazem apresentações, sem críticas, de bailarinas, ou de estudo mesmo, de ritmos, cultura árabe, acho que esses são claros no que me oferecem). Leio principalmente os que me identifico e acho que me acrescentam alguma coisa.

    Não acho que vocês sejam peixe fora d’agua não. Sinceramente fiquei até entristecida com esse comentário. Pensar não faz mal nenhum, ao contrário é o grande motor da humanidade.. A dança do ventre tem essa questão de chamar pra si pessoas poucos reflexivas? Não sei…como disse sou inexperiente. Ao que tudo indica, parece que sim. Mas parece também que a dança vem se modificando E MUITO, graças a ferramenta da internet e a possibilidade de estudos que ela proprocionou com os vídeos, os foruns, os blogs, enfim… Pode ser para o mal? Pode…mas isso é algo muito variável…A verdade é que há um canal privilegiado para ocorrer MUDANÇAS. Se vocês se atrairam pela DV e são pessoas reflexivas, críticas, isso é um sintoma. Significa que não é inerente à DV atrair “gente burra” (só pra resumir o troço). Acho que talvez vocês estejam presas demais com os resultados imediatos de uma ação…ou do campo (raio) de ação de um comentário no blog. Sério, sou historiadora, e não consigo pensar que o que ocorre nos blogs hoje não gerará o fruto das mudanças num futuro que considero até próximo e que aliás já vejo o fruto quando leio um pouco da História do desenvolimento da DV no Brasil e o impacto de certos canais online nesse “mundinho” (aí, minha imparcialidade grita, para o bem ou para o mal).

    Na faculdade de educação sempre ouço que nosso trabalho pode parecer ingrato mas devemos dar aula com nossa paixão por aquele conhecimento. Você pode não estar atigindo 50 pessoas, mas atingiu uma. E para aquela pessoa aquilo faz toda a diferença. Faz a diferença para mim os blogs existirem. Seria muito ruim que vocês desistissem. Vejam que vocês são a semente de futuros blogs de pessoas que leram aqui, pensaram a partir daqui e terão essa msma vontade e inquietação diante do que ama. Esses blogs são pessoas…pessoas que poderão ser professoras, que formarão alunas…não é utopia não. É sério…

    Vocês são peixe fora d’agua em UM nicho da DV…por exemplo, para mim vocês são uma referência, ao menos de opinião. As gostosas, as sexys e burras rebolativas são outro nicho: elas são os nossos peixes fora das nossas águas. Se as nossas águas serão um mar, um rio, uma lagoazinha..só o esforço pode conseguir resultados e só o tempo responderá…

  8. LuArruda disse:

    cansaço,decepção, junta tudo né?! é um mix de desapontamentos…tbm tenho saudade dessas gurias… mas fico feliz quando vejo as remanescentes – poucas, mas existem. aproveita a pausa pra deixar a mente divagar, e depois volta, com tudo. estarei esperando. bjs

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