Em homenagem a vocês, professoras de dança do ventre

Meninas, sinto muito orgulho de vocês – por seguirem nesse caminho tão instável e de pouco reconhecimento.

Dança não é futilidade, mas é supérfluo e, como tal, topo de lista quando precisem ser feitos cortes no orçamento.

Alunas se matriculam e abandonam um curso a todo instante. Nunca se sabe quantas aparecerão na sala de aula por mês. Por conta disso, os planejamentos financeiros são sempre um mistério a ser desvendado.

O dinheiro também é muito pouquinho. Se você cobra o justo, não tem aluna. Se cobra menos, não se sustenta.

Ser professora de dança do ventre é viver na corda bamba. E pior, ter que lidar com uma concorrência desleal de jovens mestras que cobram a metade do preço de mercado para derrubar você. Por isso, também é preciso jogo de cintura: não dá para armar guerras conta essas loucas. É preciso ter, acima de tudo, ética.

Ter ética, viver na corda bamba, engolir sapos, ser política. Eu não sabia, mas cheguei a conclusão de que para ser professora de dança é preciso ter um coração saudável e  artérias fortes e resistentes!

É preciso também investir tempo e dedicação. Preparar uma aula bacana, ter ciência das dificuldades e do potencial de cada aluna, saber administrar questões subjetivas dentro de um coletivo.

É preciso ter criatividade, sabedoria, paciência e entusiasmo. É preciso acreditar na sua aluna. Mesmo naquela com menos potencial para se desenvolver – é ela quem mais precisa de seu olhar de amor e incentivo.

Também é preciso saber o que dizer e o que não dizer. Saber dosar a realidade de fora da sala de aula para não espantar ou assustar a menina.

Prepará-la para o entendimento da cultura do povo egípcio, das diversas influências estrangeiras, do contexto da dança no nosso país. Prepará-la para o palco, para enfrentar seus maiores medos, seu choro e seu riso. Seu descontrole e seu entusiasmo.

Acolhê-la com amor e ser dura na hora que for necessário. Ser um pouco amiga, um pouco mãe, um pouco general.

Segurar na mão e saber a hora de dizer “se joga. Se você cair, estou aqui”.

Ajudar a desvendar cada porção mulher adormecida, entendendo e respeitando as singularidades de cada uma.

Estudar 5.000 novas formas de explicar a mesma coisa e fazer isso com o maior amor e entusiasmo do mundo!

Se reconhecer na aluna e incentivá-la a buscar sua própria linguagem corporal, revelando os trejeitos que lhes são únicos e podem ser potencializados.

Meu carinho, meu afeto, meu respeito e meu profundo agradecimento a todas vocês – que ajudam a deixar as nossas vidas mais coloridas e prazeirosas.

Feliz dia do professor e um abraço beeeeeeeeeeeeeem apertado!

Post especialmente dedicado a Bela Saffe, Cris Azevedo e Lis de Castro. Amo vocês!!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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8 respostas para Em homenagem a vocês, professoras de dança do ventre

  1. Lis de Castro disse:

    Nossa, Lory! Você não sabe como é maravilhoso acordar e se deparar com tanto carinho e sim, reconhecimento. Vivo desse jeitinho mesmo, flor! Tem dias que fico tristinha, desmotivada, mas tem outros que são de uma alegria sem tamanho… e o meu coração sempre fica com os sorrisos satisfeitos, rs. É uma labuta que nos ensina a ter sabedoria em muitas questões da vida, é um aprendizado constante. Contribuir para o crescimento das suas pequenas sem medir esforços é como amor de mãe mesmo, é incondicional. Obrigaaada, minha amiga querida e aluna dedicada, que enche qualquer pró de orgulho! Mais um presente que a dança me trouxe, como não amá-la? Beijo no seu coração \o/

  2. Samara Leonel disse:

    Falou e disse, flor.
    Muna, Karina, Daiane, Fernanda. Sou grata a cada uma delas, cada uma delas me ajudou muito a ser quem sou, ainda que meu nível de estudo não seja assim, uma Brastemp.
    Aproveito para agradecer também à Carol e à Sayo, porque ser profe de dança cigana também não é nem um cadinho mais fácil…

    Beijocas.
    (PS: Tenho uma encomendinha pra ti, mas com a greve dos correios, como faz?)

  3. Maíra Magno disse:

    perfeito!

  4. Marta Cardim disse:

    Lindo!!
    “Estudar 5.000 novas formas de explicar a mesma coisa e fazer isso com o maior amor e entusiasmo do mundo!” isso é incrível, fico encantada com essa capacidade,desprendimento e acima de tudo amor pelo que faz! !
    Aproveito o gancho para também agradecer e parabenizar a todos que passaram por mim e deixaram seu conhecimento, professores, amigos, mestres!
    Bejão Lory!!!

  5. Lucy Linck disse:

    Lindo demais, Lory!
    Beijos, com carinho!

  6. Q texto maravilhoso Lory….Não sou professora mas já tive algumas pra dizer q é desse jeito msm…viu!!! E parabéns a essas guerreiras por conseguir suportar td isso!!!

  7. Carla disse:

    Legal este post, vc poderia escrever um sobre como é difícil permanecer aluna. Acho DV é uma das coisas que mais intensamente modificam uma mulher, por isso acho que o povo desiste tb, tem que ser forte.
    Ah, tb difícil é na hora que o “general” assume, kkk, nunca é um pouquinho, qd ele vem, vem que vem, daí, fia…mas é mesmo de se agradecer por tudo, até pelo “general”, que é preciso aprender a devolver para o posto de “soldado raso”, não é?

  8. LuArruda disse:

    que linda! obrigada! ^^ me senti reconhecida e valorizada aqui.

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