Cozinhar e dançar

Faz algum tempo que escrevi sobre ensinamentos que podemos tirar para nossa dança baseados na animação Ratatouille.

Novamente tenho mais uma possibilidade de reflexão pra gente fazer articulando as ações cozinhar e dançar. Dessa vez o filme em questão é “O Sabor de uma Paixão” (The Ramen Girl).

Pra situar: Abby, após se debandar dos Estados Unidos para Tóquio atrás do namorado, leva um tremendo fora dele. Deprimida e sem saber o que fazer de sua ida a Tóquio, resolve que aprenderá a cozinhar lamén (um prático típico japonês). Pede ajuda a um dono de um pequeno restaurante perto de sua casa mas, apesar de muito esforço, não consegue fazer seu lamén ficar bom o suficiente.

Sem saber mais como fazer para que a moça aprenda, o chefe resolve levá-la para conversar com a sua mãe, uma senhora idosa e sábia.

Eis a cena (infelizmente não encontrei no youtube legendada em português mas que com um pouco de atenção, dá pra pegar o espírito da coisa):

Não é preciso muita explicação para saber aonde quero chegar né?

Os conselhos da senhora japonesa sugerem que o segredo da boa comida não está na técnica elaborada, mas no sentimento e amor que você coloca nela. Na dança não é diferente. Por mais elaborada que a técnica esteja, se ela estiver vazia de emoção, fica sem graça, insossa. É como cumprir uma receita. Por mais que se faça tudo certo, às vezes falta o verdadeiro sentimento da conexão da bailarina com a alma da música.

Deve aprender a cozinhar de um lugar muito mais tranquilo, de um lugar mais profundo de você. Cada porção de lamén que prepara é um presente para seu cliente. A comida que serve para seu cliente deve se tornar parte dele – deve conter teu espírito. Seu lamén deve ser uma expressão de amor puro“.

Troca os verbos cozinhar por dançar e me diz se não dá super certo?

Bom apetite! Ops… boa dança! 😉

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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4 respostas para Cozinhar e dançar

  1. LuArruda disse:

    foi isso que fiz no meu solo esse ano. respirei fundo antes de entrar e dancei com meu coração cheio de alegria, celebrando minha nova condição de ‘mamãe’. só ouvi a música varias vezes na semana e dancei de improviso! e olha: foi tudo de bom, eu gostei, me amei dançando e isso é o que vale!
    🙂

  2. Samara Leonel disse:

    Dá supercerto se você trocar por qualquer verbo.
    O fato é que as pessoas fazem tudo hoje em dia visando obter algum proveito – seja cozinhando, dançando, qualquer coisa. Ninguém que se doar, ninguém quer se expor.
    Essa é a forma de ser japonês que muitos japoneses esquecerem. A técnica de transformar sua dor em nutrição para o outro.
    Talvez até essa que te escreve.
    Beijo.

  3. Lívia Carine disse:

    Legal! De fato isso faz diferença…
    Mas tbm fico me questionando aqui…eu vejo algumas bailarinas das quais respeito, sei da grande técnica que possuem, fico admirada as vezes, pela beleza, graciosidade de movimentos…mas não consigo assistir mais que alguns segundos, as vezes minutos…sempre penso que talvez ela não me prende, porque não me envolve, não me emociona. Mas elas têm grande ibope…isso também é uma coisa subjetiva né? Coisa de energia, sei lá!

  4. Luísa Ruas disse:

    Teu blog é muito bom! Parabéns. Estou revirando ele e adorando. 😉

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