Esquisita

Eu em performance com o jarro

Eu sou esquisita. Mas existe gente esquisita que nem eu no mundo bellydance e isso me consola.

Não estou falando de um tipo de esquisitice que quando a gente vê, pensa: “meu Deus, de onde saiu essa louca?”. Não desse, mas daquele tipo de gente esquisita que gosta de coisas que parece que estão completamente fora de moda.

Gente envolvida com uma dança do ventre mais sentida, mais miudinha… Menos impactante, é verdade, mas revestida de um afeto que fala direto ao coração.

É verdade que nem sempre tantos giros, nem sempre tantos arabesques, mas aquela coisa feminina, delicada e, porque não, brejeira?

Porque essa coisa de ser mulher fatal não tem nada a ver comigo. Muito menos essa postura de “sou a poderosa” ou “estou pouco me lixando pra você”. Mentira total. Eu me importo, sim, com o que as pessoas vão sentir quando eu estiver dançando. E não acredito em ninguém que afirme o contrário.

Eu não sirvo ao modelo atual de bailarina do ventre. Sou uma mulher comum: instável, impaciente, chorona, insegura. Tenho pavor de insetos voadores, não gosto de mostrar minha barriga e não tenho piercing no umbigo. Tenho, sim, problemas de auto-estima e uma história corporal composta por momentos bem difíceis e em constante processo de superação.

Não me identifico com essas roupinhas da moda, com corpo excessivamente à mostra, nem com saia colada. Adoro me sentir uma princesa naquelas saias que dançam, dando voltinhas e piruetas sem precisar que a gente se esforce. Não curto aqueles quilos de brilho, nem de strass. Um bom tecido, um bom caimento e um pequeno detalhe cativam pra sempre meu coração.

Mas gosto tanto de dançar!

Gosto de músicas divertidas e das que falam de amor: não importa de que época elas são. Oum Khaltoum sempre abala minhas estruturas: choro horrores escutando El Hobbi Kulu e Enta Omri. Um shaabi sempre deixa meu dia mais feliz e sou fã incondicional da Nancy Ajram.

Tenho paixão pelas bailarinas de dança do ventre dos filmes em preto e branco. Queria o olhar e os braços da Samia Gamal, o quadril da Taheya Karioca e a elegância da Naima Akef.

Das bailarinas atuais, minhas principais referências de estudo não estão cotadas para o próximo workshop em São Paulo, muito menos prestaram seleção pra Khan el Khalili.

Não tenho fan veil, nem poil veil, nem véu duplo, nem véu wings. Um bom véuzinho de seda já me faz muito feliz!

Ainda acredito que dança do ventre se faz com os elementos mais tradicionais, mesmo aqueles que foram totalmente inventados por nós, ocidentais, como, por exemplo, as tacinhas. Tem coisa mais fofa?

Tá… acho bindi o supra sumo do esquisito. Fora isso, vivo a dança do ventre de alguns anos atrás ao mesmo tempo em que me beneficio de algumas novidades desta época.

Realmente… eu não ando de acordo com a moda, mas com aquilo vai no meu coração. Se eu quiser, danço Shik Shak Shok na próxima festinha. Se quiser, também danço a música árabe do momento… seja ela fácil ou poderosa. Por que cafonice, pra mim, é não poder se divertir com coisas de tempos diversos. Talvez o nome disso seja realmente esquisitice, mas talvez seja outro: liberdade.

Inspirada no post da Yasmine Amar.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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19 respostas para Esquisita

  1. Hanna Aisha disse:

    Baby

    estamos em sintonia; meu próximo post é um pouco sobre isso.
    Beijos e luz!

  2. Samara Leonel disse:

    É por isso, minha flor, exatamente por isso, que eu faço sempre questão de ler o que você escreve e ver o que você dança. Sempre.

  3. jamile disse:

    Lory, me arrepiei!
    sim, o nome disso é Libertade, mesmo que essa palavra soe “esquisito” para algumas pessoas!!!

  4. Yasmine disse:

    Ai que linda!!! Somos as “ET´s” do mundo “bellydance” (nomezinho que tbem nao engulo hausuahsuhas) Amei seu post, até me emocionei com ele! Muito bom encontrar minha tribo! 😉

  5. Vivi disse:

    Assumir um estilo, que diverge do que é dito como “certo” (entre aspas, e se pudesse, as colocaria gigantes!, rs) não é ser esquisito, é ter consciência de quem vc é na dança. reflete maturidade. Aí é que está a graça da coisa. Ser você mesma e ter a sua forma de expressar-se é ajudar a criar pluralidades dentro de uma linguagem artística. Se isso não acontece, fico tudo sem graça e em pouco tempo não há mais o que se ver. Vide a pintura… Picasso, Miró, Renoir, Dali, Da Vinci, Modigliani…. Estilos diferentes, que agradam uns e não a outros, mas todos verdadeiros na forma como expressam como sentem o mundo. Isso é o segredo de tudo, para ser feliz, para ter sucesso, para convencer….

    Hoje, vivemos uma época de muito virtuosismo na dança do ventre, de muita plástica e roupa cara, mas de pouco compromisso com a criação artística, que atinge o público de forma a ‘despentear’, nem que seja de leve, as suas emoções..Se essa for a regra a seguir, então me desculpe, não faço mais parte desse meio. Se penso em dança como Arte, e tenho claro o que seja ARTE, pactuar com isso se caracteriza como uma das mais agressivas heresias.

    Acredite no que faz vc feliz, porque isso é a sua verdade. E sendo a sua verdade, convence a quem quer que seja, quer concordem com vc ou não.

    (continuo aqui, pensando com você, minha querida amiga….)

  6. lorymoreira disse:

    Meninas, vocês me fazem me sentir completamente acompanhada na minha loucura de nadar contra a maré… Adorooooooooooooooooooooo! 🙂

  7. Diana Souza disse:

    Lory, adorei o post! kkkkk
    Me identifiquei completamente! Quase tive uma crise bem recentemente na minha
    última apresentação: “com que roupa, eu vou, para o samba (a dança) que você me convidou?” kkkk Eu adorooo roupa de bustiê e cinturão, e me vi quastionando: “meu Deus, ainda pode traje bellydance de cinturão e bustiê?” kkkkkk Bom, mas para quem hoje usa um cabelo BlackPower, isso não é nada! kkkkk adorei!

  8. Lucy Linck disse:

    Lory querida!
    Fiquei completamente encantada com esse post…fiquei com os olhos cheios d’água.
    Sim, somos esquisitas. E nunca deixaremos de ser, porque a dança é algo que nos faz nosso coração e nossa alma vibrar, é para isso que dançamos. Simples assim. E é na simplicidade que somos diferentes.
    Beijos, minha flor de maracujá mais preciosa, nesse mundinho tão cheio de strass!

  9. Maíra Magno disse:

    opa, bem vinda ao clube

  10. LuArruda disse:

    gente, escrevi e vim aqui e..é o mesmo tema a minha postagem! acho que estamos nos conectando Às mesmas sensações… os semelhantes se atraem! adorei teu post, me sinto irmã! um beijo, obrigada pro escrever tanto de você e eu me reconheço tanto em ti!

  11. Carla disse:

    Acho que tem um lado da dança que talvez não esteja contemplado no post ou talvez sejam coisas que estejam misturadas. Qd vc diz que prefere coisas que não estão na moda, tudo bem, seu sentimento se afina com “esquisitices”; mas qd vc diz que não se sente uma mulher dessa ou daquela maneira, penso que não necessariamente vc precise ser poderosa ou qualquer outra coisa, só fingir ser e sem problemas com isso, pq é uma expressão artística, uma representação, não precisa ser verdade, é só estar com disposição de representar aquilo, isso é muito difícil. Separar as coisas é difícil.
    Já pensou se todos casais de tango tivessem que sentir de verdade aquilo que expressam? Ui! Grande dificuldade essa na dança a dois, muita gente não aguente, confunde.
    Uma vez eu fui dançar e estava me sentindo a garota superpoderosa (sinceramente ainda não sei se é junto, separado ou tudo misturado, rsrsrs), daí, vem uma dessas de opinião que o sexo deve estar fora da DV, que a sedução deve estar fora, que vc não deve se iludir com este mundo purpurinado, que DV deve ser cabeção, eu não falo de make, nem de figurino, só papo intelectual, afinal, vamos dançar com a barriga pra fora e queimar o sutiã ao mesmo tempo, e me diz: “hj vc tá que tá , hein?”, e me olhou de cima a baixo, para me colocar no meu devido lugar.
    Agora pense numa pessoa que não estava nem aí para fazer carreira com a DV, que nem sabia (e continuo não sabendo) que existe uma moda “atualizável” neste universo: Eu! Repressão total aquele comentário.
    Eu lhe conheço e sei que não é seu caso, que vc tem um coração generoso e um olhar muito amoroso (é incrível como vc tira fotos lindas da minha pessoa, esse é seu olhar, sei disso, é seu coração), mas, sabe, e se a expressão mais verdadeira da pessoa for se sentir a tal (por 10 minutos que seja ou só em cena), usar purpurina no corpo, bindi, pagar um curso para dançar pro marido, usar a roupa da moda e querer ganhar um título da Khan el Khalili, botar silicone, botox, moça, um monte de gente “livre” vai achar um horror e vai gastar um monte de tempo falando mal, nem que seja pelas costas, ou de maneira bastante cruel como deu a entender a ilustre dançarina (e talvez ela nem quisesse dizer o que de fato deixou transparecer, vai saber, né?).
    É clichê o que vou falar: é um exercício esse de achar o que é seu mundo, mas é outro tentar fazer justamente o contrário, representar o que não se é em primeira mão.
    Qd fazia aula de tango, aprendi que se pode sentir coisas profundas com uma música. Eu não sou triste, nem melancólica, talvez eu seja muito baladi, pra usar uma expressão deste universo, só que aquela música apertava minha alma e eu deixava.

    Nunca deixei a DV me fazer a superpoderosa, foi um erro.

  12. Oi Lory!!! Eu sou mais uma esquisita no clube… tenho dez anos de dança, sempre com a mesma professora. Essa semana fui convidada para fazer um solo no show de final de ano dela…. um taksim de alaude e violino, uma musica que remete a toda a minha história de dança…. Dancei, o que aprendi, veúzinho pra entrada, pé no chão e quadril acompanhando o instrumento… todo mundo amou e adorou…. mas para o mercado eu sou limitada em repertorio de movimentos, ultrapassada, parada no tempo.
    Quero fazer a prova pra tirar o DRT. Terei que fazer aulas com outra professora para aprender os arabesques, braços e giros de ballet, e outras modernidades que a banca carioca entende como mínimo obrigatório para uma bailarina ter o registro profissional. Nem comecei as tais aulas ainda, mas já me sinto vendendo minha alma e minha dança para o demônio da Padronização. Jogando e aprendendo a jogar…. Coisa triste, deprimente, não deveria acontecer num meio artístico…Meu consolo?? Depois que conseguir meu DRT vou poder dançar COMO quiser… Beijos, amei seu post, me identifiquei com cada palavra….

    • lorymoreira disse:

      Oi Flor… sabe, estava pensando outro dia sobre isso. Gosto da dança mais tradicional, sim, mas não quero negar a mim mesma a possibilidades de aprender os passinhos da moda. Talvez nunca os use, mas eles nos abrem, às vezes, outra possibilidade de (re)conhecimento do nosso corpo.
      Minha professora atul é uma bailarina bem moderna. Usa diversos elementos de outras danças e, embora eu não me veja dançando como ela, adoro suas aulas, seus desafios e as possibilidades inusitadas de leitura que ela faz. O legal de tudo isso é estimular a criatividade e não se impôr um formato de dança. Experimentar, sim, de tudo um pouco, mas respeitar seu estilo e aquilo que lhe é singular. Isso, eu não abro mão nunca.
      Beijos e boa sorte!

  13. Ro Salgueiro disse:

    Amei o post, Lory. Também me sinto assim, só que adoro brilho. Há tempos não lia nenhum textinho sobre dança do ventre e fiquei felicíssima por ter retornado aqui. Feliz ano novo, lindona!

  14. Lorena disse:

    Olá! Tb me chamo Lorena e faço dança do ventre há 1 ano. Estava navegando pela internet procurando bons sites para estudo e o nome do seu blog “(An)danças da Lory” me chamou a atenção. Que bom ter te achado, está sendo um prazer ler seus posts! Me identifiquei muito com você, com seus escritos e pensamentos.

    Tenho me dedicado muuuito à dança, faço aulas, assisto vídeos, pesquiso na internet… enfim, faço de tudo que posso para aprender mais e mais. Mas as vezes penso mesmo em desistir porque penso “Isso não é pra mim!” Amo dançar! Nunca tinha dançado antes na vida, mas sempre tive essa vontade, desde criancinha, sempre fui fascinada, mas meus pais diziam que era para eu parar de sonhar, que a vida não era conto de fadas da Disney não e que aula de dança era coisa de filha de rico, que não era meu caso!!! Por isso, depois de anos de frustração, aos quase 30, resolvi dançar, que se dane! Que se dane se vou começar “velha” para os padrões, que se dane se minha mãe vai dizer que estou perdendo tempo e dinheiro, se meu noivo vai dizer que estou pagando mico, se meus amigos vão rir e dizer que tenho barriga e celulite, que se dane se nunca dançei nada antes, se nunca fiz ballet, nem jazz, nem dançei em quermece que fosse.. nada importava, agora sou adulta, tenho meu dinheiro, minha profissão (sou advogada), me sustento, e não preciso da aprovação dos meus pais e nem do dinheiro deles para estudar dança. Por isso fui!!!! Fui dançar!!!! Aaaahhhh, eu devia ter feito isso antes! Como eu amo a dança do ventre, as danças árabes folclóricas… me sinto tão feminina! Não me sinto sensuaaaaaal, tipo sexy.. Ao contrário, me sinto meiga, delicada, macia, e por isso mesmo fascinante, divina, mágica! Seduzo, eu creio, mas é tãããããão natural, é com o jeitinho e com o olhar que não tem intenção explícita de seduzir, mas que hipnotiza, me dizem..rs. Recebo alguns elogios, as pessoas dizem “Você dançou lindamente, você estava linda dançando, você arrasou…” Mas a cada dia que estudo percebo que realmente meu estilo não é esse estilo atual “bellydance”, de casas famosas de chá, e de “selo bailarina padrão” daqui ou acolá, e de roupas assim ou assado de custam caríssimo…. Minha professora bem que tenta, tá insistindo para eu estudar ballet ou jazz, diz para eu fazer assim ou assado, colocar um “pliê”, “arabesque”, “deturnê”,”anvertê” sei lá mais o quê na minha dança, me indica “coisas” e “lugares” e “pessoas” para comprar, para ir, para conhecer, enfim; sei que ela faz isso com a melhor das intenções, mas sei lá, não me encaixo muito nesse mundinho padrozinado pelo americano, como diria meu pai, não.

    Bom, Lory, foi um prazer conhecer seu blog!
    Adorei!
    Um abraço pra você, beeeeem apertado,
    com boas vibrações e ótimas energias para 2012!!!!
    Bauces!

  15. Nathalia disse:

    Esquisitas! aah eu também sou e muito,apesar de ter minhas “modernices” 😛
    viva as bailarinas esquisitas! elas encantam *-*

  16. Lorena, faz teeeempo que me inscrevi aqui, mas fazia teeeeeeeeeempo que não vinha te visitar.
    Adoro seu modo de escrever! Obrigada por se mostrar para nós!

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