Se há paixão ainda há cura

Blogs são ferramentas de comunicação. Isso todo mundo já sabe. Blogs estão a serviço do que suas autoras consideram importante: conhecimento, reflexão, divulgação… são inúmeras as possibilidades.

Mas como é triste vermos espaços virtuais que fornecem o pior tipo de conteúdo sobre qualquer tipo de assunto. E mais triste ainda é quando esse assunto nos diz respeito: nossa dança. Essa que a gente ama, cuida, dar valor e se dedica há anos com afinco. Essa que nos tira da depressão – e que também nos coloca nela porque, como toda relação, se constrói pelo ódio e pelo amor.

Atualmente, existe no ar mais um espaço que se dedica a destruir a imagem da nossa dança do ventre – essa dança que pessoas sérias (e outras talvez nem tanto) levaram anos construindo.

Ele não é o primeiro. Certamente não será o último. Mas é assunto do momento nas rodinhas bellydancers.

Eu sou uma pessoa crítica e por isso entendo a revolta e a necessidade de expressá-la. Também entendo que maturidade não é uma coisa que nasce com a gente – é uma coisa que se conquista.

Sabe, meninas, diversas vezes escrevi minha opinião e fui rotulada. Não perdi amigos, não fiz inimigos, mas vivi alguns momentos estressantes e que hoje, sinceramente, não desejaria repetí-los. Não por desacreditar na importância da crítica, mas por desacreditar na capacidade das pessoas de lidar com elas.

No entanto, nunca me envergonhei de nada que publiquei. Sempre procurei ser respeitosa e, mesmo no auge de minha indignação, não investi nenhum segundo do meu tempo em destruir a imagem de quem quer que seja. E um detalhe: todo mundo sempre soube que era eu quem escrevia. Isso foi uma coisa que não abri mão porque acredito que qualquer tipo de crítica só pode ser levada a sério a partir do momento que quem a faz, dá sua cara à tapa, ou, trocando em miúdos, assina seu nomezinho lá no final do texto.

Sou parte de uma geração de blogueiras que começou inspirada numa figura que surgiu do anonimato, que tinha uma crítica ácida, porém inteligente. Aprendi com a experiência dela que o anonimato só fere – fere a quem se esconde atrás dele e fere as pessoas que podem ser injustamente acusadas como autoras.

Aprendi que o anonimato é um recurso frágil, que parece proporcionar uma suposta segurança, mas que, na realidade, mascara o medo de sustentar uma opinião sendo simplesmente quem se é. E se há medo, insegurança e disfarce, nada se sustenta.

Desejo de todo coração que a gente aprenda a ter consciência do poder da palavra. Toda palavra – dita ou escrita – reverbera uma energia e essa energia bate no outro, mas também bate na gente. E, nesse bate-bate, uma coisa, que é importante para todas nós, só se prejudica: a nossa dança.

Me lembro bem de um artigo da Jade que li certa vez, há muita paixão nesses blogs. E eu ainda acredito que, sinceramente, se há paixão ainda há cura.

Caminhemos para a cura.

Um abraço carinhoso.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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12 respostas para Se há paixão ainda há cura

  1. LuArruda disse:

    adorei! e sempre fico a pensar: se você se expõe, está sujeito a tudo. então, é mais do que necessário essa tão almejada MATURIDADE. tanto de quem escreve, quanto de quem lê e se expõe – ou se omite. maturidade é a palavra chave!

  2. Vivi Amaral disse:

    Amore, eu prefiro que o amor cure as coisas… É porque eu acho que a paixão atropela, enquanto que o amor passa observando….
    (cansada desse reino belydancer…)
    Meu beijo. Vi

    • lorymoreira disse:

      Você tem razão: paixão é doença. Mas a parte boa é que ela se cura: seja pelo próprio esgotamento do torpor que nos arrebata, seja porque se transforma em amor… Amore, isso é uma das coisinhas ruins que acontece nesse bellymundo. Foca nas coisas boas para se manter sã. O resto, que se exploda.

  3. Lívia Carine disse:

    Nossa to totalmente por fora, nem sei do que você está falando rs

    • Lívia Carine disse:

      Ah agora já descobri o que foi….
      Pelo pouco que eu pude ver, a pessoa que criou o blog tinha a intenção de fazer algo no estilo de outro blog que se chama Shame on You Blogueira…Confesso que só conheci o tal blog por causa de uma amiga que gosta…Eu não gosto…mas entendo. Enfim…
      Sobre a versão bellydancer do blog supracitado..não vi nada de agressivo no que a blogueira escreveu (mas também não vi o blog todo né…pode ser que haja sim), o problema maior estava nos comentários, pq de fato o pessoal viaja um pouco nessa questão do anonimato que a Internet oferece (assim como vemos nos vídeos do youtube, neguinho xingando bailarinas a troco de nada). O problema do blog, me pareceu, ser esse.

      Agora o pior de tudo, nessa história, é a gente ter que retirar um espaço do nosso “espaço” pra ter que dar lições de bom comportamento pros outros..Isso sim é péssimo (não estou te criticando, estou criticando o fato de precisarmos disso), pq nosso foco deveria ser discutir só a dança do ventre e não o comportamento dos seres humanos em relação aos coleguinhas. Pra mim isso é que é o mais bizarro…

  4. Hanna Aisha disse:

    Sabe que eu desconfio de quem seja? Só não divulgo porque as pessoas são loucas… tô fora. Acabei de me livrar de um encosto.
    Sinceramente? Este tipo de blog não me incomoda, mesmo que eu apareça nele. É o tipo de coisa que certamente não tem gente seria por trás; essas sim, são muito mais numerosas.
    A modinha vai passar. Só autista fica satisfeito com seu mundo.

    • lorymoreira disse:

      Não me incomoda a ponto de me deixar com raiva, mas acho que a gente sempre deve refletir sobre eles, sobre o motivo de seu surgimento e sobre o comportamente humano, independente de se está ou não vinculado à dança. Precisamos incentivar discussões mais ricas em argumentos e conteúdos. Pelo menos, eu penso que sim, mas pode ser ilusão minha mesmo: quem escreve aqui realmente não está interessado em crescimento pessoal.

  5. carolmurad disse:

    Não sei se é a mesma situação desagradável sobre a qual fiquei a par, mas em todo o caso, acredito que isso está muito longe de ser paixão da parte dos envolvidos nisso. Paixão ou amor pela dança pressupõe honrá-la e respeitá-la, e aos seus praticantes, acima de tudo.

    Denegrir bailarinas não é paixão, não é amor à dança, na minha opinião. É exatamente o contrário: é perder totalmente o respeito a essa arte.

    Você pode gostar de tal estilo, e desgostar de outros, tudo bem. Mas nada dá a um indivíduo o direito de achincalhar o trabalho ou a imagem de outro. E francamente, quem é realmente apaixonada por dança nem perde tempo com isso.

    Espero que as pessoas que prestam esse desserviço à dança olhem para si mesmas e percebam a extensão de sua infelicidade. E que dancem e amem a dança de verdade, para serem felizes novamente. Quem dança com amor é feliz, e quem é feliz não precisa ridicularizar a vida/dança alheia.

    • lorymoreira disse:

      Oi Carol, paixão é uma palavra que tem origem latina: patior, cujo significado é sofrer ou suportar uma situação dificil. No meio psicológico, é um sentimento patológico: a pessoa saí de si e, de certa forma, perde sua individualidade graças ao fascínio que outra pessoa/coisa causa sobre ela. Se lhe conforta o coração, acredito que quando a Jade usou tal termo foi tentando dizer, em palavras mais sábias, que há um comportamento doentio em questão. E eu concordo plenamente com ela.

  6. Luísa Ruas disse:

    É sempre muito difícil saber a real origem de uma crítica: reflexão ou inveja. Nem sempre eu consigo ser franca comigo a ponto de saber o que me move, quem dirá outra pessoa! Iniciar esses questionamentos é provavelmente iniciar a cura. =)

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