Saldo: 10578 workshops e nenhuma aula semanal

“Dança se aprende, recicla, corrige e evolui diariamente. FAÇA AULA!”

– Esmeralda Colabone –

Tenho conhecido e conversado com muitas meninas que começaram a dança recentemente e ando impressionada com o que parece ser a moda atual entre as novas aspirantes a bailarinas de dança do ventre: consomem todos os workshops, mas não praticam aulas regulares semanalmente.

O resultado dessa equação? Uma dança truncada. Algo que se estabelece entre o desejo de executar um passo que exige uma técnica mais apurada e a falta do estudo da base que lhes permitam estruturar corretamente aquilo que aprenderam nos referidos workshops.

E aqui queria compartilhar minha experiência – porque me sinto meio tia de vocês, sabe?

Sou alguém que faz aulas regulares de dança do ventre há 9 anos com pouquíssimos intervalos de ausências (na soma, talvez meu periódo de não-prática não contabilize nem 6 meses) e que já fez uma quantidade considerável de workshops e oficinas. Por isso, me arrisco a dizer: tenho uma boa experiência como aluna e posso afirmar com toda tranquilidade que 10578 workshops nunca serão capazes de substituir as suas aulinhas semanais.

Fazer workshop é muito bom, mas apenas se você tem condição de estudar o “material” aprendido depois. Para poder estudar você precisa ter duas coisas: condição técnica de acompanhar o que foi ensinado e tempo para dedicar-se a esse estudo.

Se lhe faltam uma, das duas coisas, sinto muito lhe dizer, mas não vai dar certo.

Um wokshop é, muitas vezes, um momento de estar perto daquela bailarina que admiramos, de absorver seu conhecimento e sua técnica no nível máximo para, em seguida, estudar, estudar e estudar e ver o que daquilo cabe na sua a dança, que lhe cabe enquanto a bailarina que você está construindo.

A maioria dos workshops que tenho visto aqui em Salvador não são direcionados para iniciantes, mas algumas escolas o promovem e, em seguida, suas professoras destrincham o material trazido pela bailarina de fora em suas aulas regulares. Esse é o caminho que auxilia a aspirante a bailarina a ir adiante: a sua professora local.

Agora, se você não faz aulas regulares, tem pouco tempo de estudo da técnica e pouco tempo pra dedicação, você está jogando seu dinheiro fora.

Minha sugestão é bem simples: troque seus 10578 workshops anuais por uma boa professora de dança do ventre aí na sua cidade e vá fazer aulas regulares.

Aula regular, como o próprio nome já diz, exige uma constância e se faz, no mínimo, uma vez por semana.

Estando frequente em suas aulinhas semanais e em surgindo a oportunidade de fazer um workshop, minha dica é: converse com sua professora sobre sua condição de acompanhá-lo. Confie nela.

Sua professora pode não ser a maior estrela da dança do ventre no Brasil, mas ela é a pessoa capaz de lhe guiar rumo a um aprendizado mais estruturado e adequado a sua singularidade.

Um beijão e boa sorte!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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10 respostas para Saldo: 10578 workshops e nenhuma aula semanal

  1. Estela disse:

    Parabéns pelo texto e pela bela iniciativa de publicá-lo. Seu posicionamento é muito coerente e só tem a agregar ao mundo da dança.
    Grata!!

  2. Gilciene disse:

    Além da quantidade dos works (concordo contigo em gênero, número e grau), outra coisa que vem me assustando é a quantidade de gente que tem até menos tempo de dança que eu e já está dando aula…enfim, é séria a coisa!

  3. Ananda Savitri disse:

    Bastante elucidativo, Lory! Adorei o texto!

  4. Ane Luiza disse:

    Gostei muito do texto, Lory… concordo plenamente.
    =)

    O que Gilciene comentou também é preocupante… eu estudo, estudo, estudo e chego a conclusão que não sei nada diante do que tenho a aprender. No entanto vejo pessoas super “verdes” na dança e já estão dando aulas.

  5. Vivi disse:

    Ai Lory, já pensei um monte sobre isso, neguinha….E concordo plenamente contigo, mas vamos continuar com esse pensamento….
    Um bailarino se desenvolve através de aulas. Frequentes, não workshops. Eu percebo esse mesmo movimento que vc, e arrisco dizer que existe um motivo para este comportamento: A qualidade dos cursos regulares de dança.
    Muitas mulheres, auto-nomeadas professoras, enrolam suas alunas, digamos a verdade. Vejo escolas dividindo um conteúdo que seria dado em 1 ano, em categorias de básico I, básico II, intermediário I, intermediário II, III, XX…. Então a pessoa demora uma eternidade, o curso se torna extenuante, moroso, chato, e ela, como bailarina, ‘não acontece’.
    Além dessa questão, há a própria metodologia das aulas, que muitas vezes é aprisionante, passiva do ponto de vista da aluna. Desmotiva e depois de um tempo, quem já tem mais de 2 anos na dança, por exemplo, se cansa.
    Estes, na minha opinião, são aspectos que fazem os workshops se tornarem muito atrativos e mais “proveitosos” que as aulas frequentes.O que é uma pena, vamos combinar.
    Não acredito nesse modelo de workshop que a Dança do Ventre vende por aqui. Por que? Primeiro fator: ele é utópico, o que se vende não é o que se entrega. É claro! Não há tempo para se explorar os temas que são propostos com a devida profundida e aproveitamento que seriam necessários. O conteúdo que se vende é dado em dose homeopática, ou mostrado apenas na sua superfície. Nada se aprofunda, se analisa, se destrincha. Segundo fator: não há seriedade ao se definir para qual público o workshop é dirigido. Anunciam que o nível é avançado-profissional, mas qualquer pessoa, de qualquer nível se inscreve e tá tudo bem, na hora a pessoa “dá o seu jeito”, ainda que para isso a sua imaturidade atrapalhe ou atravanque a aula. Terceiro fator, outra vez de natureza fantasiosa. Geralmente, os temas de estudo dos works abordam qualquer coisa que sugira exploração de movimento, como, por exemplo, “construção de taksim”. Ora, imagino que um work assim deveria ser voltado a bailarinos que já tem um tempinho de estrada, que conhecem os movimentos da dança e que portanto, usariam todo o seu conhecimento técnico em exercícios de desenvolvimento e construção coreográfica, um a um, sendo mediado pelo professor. Mas não é isso o que acontece… O que se tem é uma aula de coreografia. Criada pela bailarina que ministra o workshop (se ao menos fosse uma criação coletiva dos pagantes, mas enfim…).
    Claro que exitem exceções. raras, mas existem. Infelizmente, o grosso e o consumível é isso aí.

    • lorymoreira disse:

      Fia, é por isso que sou a favor da experimentação de diversas professoras. Sempre digo às meninas: façam aulas com outras professoras! Primeiro porque é bacana experimentar lógicas diferentes de entender a dança, depois porque cada aluna pode ter a oportunidade de viver uma metodologia que se adequa melhor ao seu funcionamento integral (técnica, emoção, envolvimento com a dança).
      Quanto aos workshops, eu já fui uma voraz consumidora deles. Hoje, não mais. No máximo, um por ano e olhe lá. Justamente por todas essas coisas que vc falou e principalmente pelo lance de ir para aprender coreografia. Na boa? Faço isso em casa pelo youtube! E é de graça!

      • Carla disse:

        Para mim, fazer work era só fazer uma média com a organização do evento, porque, se a pessoa fosse usar aquilo nas aulas, vc poderia aprender “de graça” depois, se não fosse usar…
        Sempre achava tão cansativo e caro.

  6. Carla disse:

    Via isso na universidade… aula não promove.

  7. ana disse:

    Oi, Lory
    estou querendo fazer um worshop para ver se nao desisto das aulas regulares, nao estou conseguindo acompanhar e estou achando que talvez o workshop vai fazer com que eu continue nas aulas.

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