Tirando a galabia do armário

Eu tenho quase certeza que foi a Roberta Salgueiro que escreveu isso, mas não achei o texto pra usar como referência: as mulheres preferem a dança do ventre clássica/tradicional e roupinha de duas peças à qualquer dança folclórica. Simples: porque a primeira sustenta o estereótipo de femme fatale e odalisca poderosa, enquanto a segunda, não passa de uma manifestação popular e, como tal, não é rica em arquétipos ligados a Afrodite. [não foi bem assim que ela escreveu sobre isso, tenho certeza, mas é assim que minha mente consegue lembrar e fazer alguma relação com o que estou construindo agora].

E daí que a pessoa que vos escreve adora a dança do ventre tradicional. Pira com as bailarinas antigas e anda completamente apaixonada pela Nagwa Fouad e toda aquela exagerada sensualidade que lhe escapa pelos poros tão naturalmente que dá uma inveja de doer. E daí que eu morra de amores no momento pela Nagwa Fouad, mas tenho a Souher Zaki como musa – porque nela é tudo tão delicado e étereo que eu sonho em morrer só pra nascer de novo com mais condições de ser uma pessoa delicada e poder ter uma dança mais delicada. Pronto.

Pronto? Não. Porque por mais que a Nagwa me fascine e a Souher seja minha maior inspiração, meu momento de maior realização na dança é quando eu danço um baladi (ou quem sabe um shaabi – que tá na moda e povo não entende a diferença). E aí eu tenho que lavar as mãos, os braços e as pernas pra Fifi Abdo – porque sem a ousadia dessa mulher nenhuma de nós teria condições de se sentir plena, poderosa e sexy com uma galabia.

Eu entendo a roupa de duas peças como uma resposta da bailarina ao desejo do que o público quer ver. Público leigo não entende baladi, nem shaabi, nem melea, muito menos khalliji (o pobre coitado é comparado a exorcismo – e olha que o povo nem viu o zaar ainda!).

Eu entendo a necessidade da sedução como fundamental pra existência da humanidade. Mas eu ando meio na contra-mão dessas coisas ao preferir mil vezes dançar de galabia.

Isso. Eu não sou uma bailarina profissional. Não preciso atender aos apelos do mercado porque não vivo dele. E como também não tenho intenção de fazê-lo, está tudo lindo de novo. Também entendo que nem todo mundo pode se dar a esse luxo. E agora, acabo de ficar zangada comigo mesma porque essa ano minha galabia não saiu do armário (tá! Eu sei que isso tá parecendo papo de revelação de orientação sexual, mas não pude evitar! Risos).

Bem, a boa notícia é que eu acabo de me comprometer comigo mesma que de agora em diante, as minhas galabias irão passear bem mais – porque eu me realizo muito mais dançando com elas. E confesso a vocês, meu marido também acha muito mais sexy quando danço de galabia do que de roupinha de duas peças. Por que será? Será que é porque ele prefere me ver coberta? Não, babys, né não… eu bem sei porque é: porque sensualidade tem muito mais relação com atitude do que com a roupa que a gente usa. E eu, de galabia, sou muito mais eu!

Viva a Fifi Abdo, viva a todas as mulheres que dançam de galabia! E apareçam na Tenda de Talentos – porque é sobre isso que vamos falar, é isso que vamos assistir e é isso que vamos dançar!

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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6 respostas para Tirando a galabia do armário

  1. Samara Leonel disse:

    Também amo dançar de galabia. Leo te acha mais sexy com elas porque conhece tua alma. E nada mais sexy que uma alma à vontade dentro de um corpo. Beijos!

  2. Vivi disse:

    Sim, galabia rules!!!!! E viva a dança raiz!

  3. “”mas tenha a Souher Zaki como musa – porque nela é tudo tão delicado e étereo que eu sonho em morrer só pra nascer de novo com mais condições de ser uma pessoa delicada e poder ter uma dança mais delicada. Pronto.”

    Como assim mulher??? Vc não se acha delicada??? Vc é uma delicadeza em pessoa e transmite isso na sua dança….e se vc quer ficar ainda mais delicada não sei como conseguirá….Aiiaiaia…Se vc não é delicada então eu sou uma porta completamente dura….Bjs minha Souher Zaki da Bahia

  4. Roberta disse:

    Galabia é o meu melhor figurino também. Amo, sinto-me poderosa, feliz!

  5. Luísa Ruas disse:

    É… eu me identifico com essa de ficar mais à vontade para dançar de galabaya. Isso porque eu sinto que em alguns lugares algumas mulheres acompanhadas se sentem ameaçadas pela nossa exposição. Também percebo alguns homens enxergando vulgaridade. Especialmente em apresentações mais próximas do público, isso acaba me deixando constrangida e eu fico mais introvertida para não ofender ninguém. Eu sei que isso não tem nada a ver, mas a minha personalidade é assim, por isso acontece. 🙂

  6. Janah Ferreira disse:

    Massa Lory!!!
    E isso cabe em quase todas as situações …quando eu aprendi a dançar e que quando era citado a sensualidade, ela sempre estava relacionada a mjulher mesmo e nunca roupa que ela usava! É uma questão de postura né? Hj em dia nas ruas e na noite vemos isso que vc fala…Pouca roupa a femme Fatale entra em ação rsrsrsrs nem só a Femme Fatale né?
    A Mulher pode até tá de burca que é sensual e Diva…Já vi tantas assim!
    E cá pra mim viu…Um bom Baladi fnuma super Galabia faz minha fera sair pra rua kkkkkkkkkk

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