Acontece.

“Esquece o nosso amor, vê se esquece.
 Porque tudo no mundo acontece
 E acontece que eu já não sei mais amar.
 Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
 Mas isso acontece.
 Acontece que o meu coração ficou frio
 E o nosso ninho de amor está vazio.
 Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
 Ah, se eu pudesse
 Mas não quero, não devo fazê-lo,
 Isso não acontece.”

Cartola
 

***

E aí um dia você acorda e a mais improvável das coisas acontece: você não gosta mais da dança do ventre.

Os motivos, subjetivos e variados, ainda lhe parecem poucos para justificar o final desse amor louco e insano que durou anos entre você e a dança.

E como se não bastasse ter que reconhecer para si mesma o fim de um afeto que parecia ser eterno, você ainda precisa lidar com os outros: as colegas de arte, as alunas (quando você é professora), a família e até os menos chegados que estão sempre ali para perguntar porque você não está mais dançando.

Ah! Mas isso vai passar!” – é a frase que você mais escuta. E você ali vivendo a certeza do seu momento, da sua necessidade de mandar tudo para os ares, de queimar todos seus CDs, fazer uma fogueira com seus figurinos e mandar pro espaço toda essa gente chata que insiste que o amor à dança só é verdadeiro se for eterno.

Mas não, meninas, a gente ama e desama. E o mundo continua aí.

A ciência afirma há décadas: paixão não pode durar muito tempo porque paixão é doença (como uma coisa que toma conta de nossos pensamentos o tempo todo poderia ser saudável?). No final, ou vira amor ou acaba.

É que essa coisa toda é mais simples do que parece.

Simplesmente: acontece.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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18 respostas para Acontece.

  1. Vivi disse:

    Pensando sobre isso., porque me identifiquei muito…. Ensaie escrever uns tempos atrás sobre a questão, mas ainda é confuso pra mim, e aí não saiu nada da ponta dos dedos.
    Você bem sabe, amiga….

    • lorymoreira disse:

      Sei, amiga. Nossas conversas também serviram de inspiração pra esse post… as nossas e as minhas com tantas outras pessoas e também comigo mesma…

  2. lauradacunha disse:

    Para tudo! Eu entendi direito e você vai parar de dançar, dar aula e escrever esse lindo blog????

  3. Luísa Ruas disse:

    Aconteceu contigo?

  4. Aveeeeeeeee….isso já aconteceu com vc tbm??? Ou vc andou fazendo uma visita no meu cérebro??? No meu caso ….o amor por outro tipo de dança que me fez voltar a amar a DV!!!

  5. Quando o amor acaba???? Ou quando pensamos q ele acabou???
    Estou começando a perceber q realmente nada é pra sempre e td sempre se renova….Inclusive o amor (td tipo de amor….amor pelo trabalho, pelo companheiro, pela familia, pela dança)!!!
    Porque as vezes não deixamos de amar…..apenas precisamos aprender uma nova forma de amar!!!

    • lorymoreira disse:

      Florzuda, minha opinião/filosofia: a gente deixa de amar, sim. Negar isso, pra mim, não funciona. Se só há amor, o amor não existe. Pra ele existir precisa haver o desamor – pra gente sentir mesmo qual a diferença.

      • Não é negar….mas se vc aceita o desamor e depois volta a amar….é pq nunca deixou de amar….vc só cansou de alguma coisa e achou q o amor tinha acabado….E quando vc percebe q ele naum acabou vc volta a amar de uma forma diferente (talvez com menos intensidade, talvez com mais receio) mas tdas as vezes q vc voltar será de forma diferente….foi o q vc disse no comment abaixo para a Carla …só q com outras palavras

  6. Carla disse:

    Pera aí que fui procurar meu queixo que caiu e já volto para comentar…

  7. Carla disse:

    Ah, não sei se vc está falando de VC exatamente ou se é um delírio sobre o fim, se for o fim para vc de verdade, sentirei falta de suas reflexões.
    Para mim, quando a paixão acaba, não tem jeito. Entendo isso. Comigo: a DV acabou no dia em que estava na coxia e Gal passou por mim, perguntando se eu estava pronta, respondi (não sei se a ela ou só a mim) “só quero que acabe logo”.
    AAAAAAAAAAAAAA, sonhei com vc essa semana. Nossa, agora que lembrei. A gente subia uma escadaria antiga e no topo nós poderíamos fazer uma prova escrita sobre dança (dançarinas), mas vc não queria, porque não estava preparada, não tinha estudado ou algo assim. Ponderava, tentando lhe convencer do contrário, que vc estava muito mais preparada que eu, afinal, seu blog é sobre isso (rsrsrsrs), pegava a prova para ler e dizia que era isso mesmo, que vc tinha toda condição de responder às perguntas, depois, começava a tentar imaginar o que eu responderia, no fim tinha uns avestruzes apanhando e cuspindo leite (isso não foi bom), acordei. kkkkkkkkkkk, Vai entender…

    Admiro muito seu trabalho, viu.

    Beijo!

    • lorymoreira disse:

      Sonho psicodélico. Essa parte aí da avestruz que cospe leite, então…
      Eu nunca tive um sentimento de rompimento tão definitivo assim, Carlinha. Talvez porque, de alguma forma, aceite meus momentos de desamor com muita tranquilidade. Eles me são frequentes e muito próximos. Os acolho, me recolho e, quando sinto que devo, retorno. Isso é bem simples pra mim. Eu não tenho que amar nada pra sempre, nem integralmente. Poder odiar e reconhecer isso faz o amor sempre poder voltar… Não sei se faz sentido pra vc, mas comigo funciona bem assim.

  8. Lucy Linck disse:

    Aconteceu contigo, flor de maracujá?

  9. lorymoreira disse:

    Meninas, não imaginei que esse post fosse causar tantas perguntas direcionadas ao MEU desamor pela dança. O fiz inspirada em diversas conversas que tive ao longo desses anos com parceiras e amigas de arte à respeito desse tema, principalmente sobre a dificuldade de entendermos o que “acontece”.
    Então: sou geminiana com ascendente em áries, portanto, voluvél demais para amar/desamar definitivamente. Tenho momentos de profundo amor, outros de profundo desamor. Até agora essa é a única coisa estável em relação aos meus sentimentos para com a dança do ventre.
    Obrigada por virem aqui, por participarem, se preocuparem, comentarem.
    Um beijinho em cada uma!

  10. Daiane disse:

    Ô Loryzinha. Mó respeito pelo seu momento. Passei por isso algumas vezes, a mais longa, agora na minha última gestação. Fiquei meses sem ver nada de dança, bloqueei o usuário meeesmo, hehehe. Estudei outras danças. Depois de um ano e pouco, umas cutucadas mais fortes e uns vídeos novos, retomei a partir de outubro, muito devagar. Sinceramente, espero que flua com muita sutileza esse momento “bodas de prata” com a dança e a partir de então, entendo que casamento é assim. Tem pequenas mortes e grandes renascimentos, para novas reflexões e atitudes, mais intensas, mais maduras, mais tranqüilas. A cada momento novo, uma proposta diferente, um crescimento absurdo. Fênix do oriente, ora. Hehehehe! Só agora, dançaria um véu wings cheia de contexto, hehehe!

  11. luciana disse:

    suspiro… te beijo. e não pare de escrever, ao menos,

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