Sobre estréias, repetições e músicas que afofam o coração da gente

Bela Saffe, amiga, dançarina e professora de dança do ventre, dança indiana e tribal, me disse certa vez que um dos problemas da dança do ventre é que sempre estamos estreando. E não é que isso é uma verdade?!

Quantas dançarinas você conhece que repetem uma mesma música em apresentações diferentes? Poucas… muito poucas. Ou nenhuma!?

A ideia defendida por Bela (e por outras dançarinas que conheço e que também concordam com essa prática) é que a intimidade com a música e com o palco precisa ser mais bem explorada. Sua história de amor com sua música não deve acabar em uma noite.

Do ano passado pra cá, passei a experimentar esse processo pra saber qual era mesmo desse lance de repetir músicas. E não é que tem sido super bacana?

De primeira, você tem oportunidade de experimentar como se sente dançando aquela música em público e perceber o que deu certo e o que não deu. Da próxima, uma nova possibilidade de reconstruir, na mesma música, uma nova dançarina – porque nunca dançamos igualzinho, por mais coreografa que esteja a peça em questão.

E aqui vai um exemplo meu: em março de 2012 dancei Leylet Hob na Mostra Baiana de Danças Árabes. Foi gostoso e especial.

Infelizmente, não tenho filmagem daquele dia, mas me recordo que errei a entrada, dei uma enroladinha e segui o caminho que tinha construído com Lis, minha professora, para essa música.

No meu evento, em Janeiro deste ano, resolvi repeti-la. Primeiro porque Leylet Hob é uma das minhas músicas preferidas e depois, porque queria vivê-la de novo.

Tentei e consegui me lembrar da coreografia, ensaiei menos do que gostaria e fui lá, dançar, bem mais nervosa que no dia da Mostra. Por que? Porque era meu evento, minha responsabilidade, meus convidados, meu momento – e é muito mais difícil dançar pra quem a gente gosta do que pra um público de desconhecidos.

Enfim. Dancei. E não é que errei a entrada de novo?

Isso me fez refletir sobre coisas pessoais, que vão muito além da dança, e também sobre a necessidade de estudar melhor esse item para o palco. E repare: só foi possível perceber que o erro da entrada na Mostra não havia sido apenas um acidente, mas dizia algo sobre meu processo, porque repeti a mesma música, a mesma coreografia, em eventos e contextos diferentes.

Olha, vou adotar mesmo essa estratégia de repetir performances. Traz um baita aprendizado, dá uma sensação de se refazer, se reinventar e se experimentar de novas formas: de estudar mais a si mesma.

Você deveria experimentar também – porque é muito bom estrear, mas, se manter em cartaz, baby, é muito melhor! 😉

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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13 respostas para Sobre estréias, repetições e músicas que afofam o coração da gente

  1. Vivi Amaral disse:

    Eu concordo com Bela e com você. Na época em que me apresentava constantemente, costumava levar a mesma música para dançar, pelos mesmo motivos que vc traz e acho que isso favorece a performance, não vejo nenhum problema. Com aquela coreografia “Mozart” (como eu a chamo), foi assim e mesmo tendo algumas marcações iguais, sempre mudo algumas coisas ao dançá-la novamente, o que, a meu ver, melhorou a coreografia. Dançar de improviso não faço mais, isso me tria, me tira do foco, só faço isso entre amigas ou alunas, mas no palco não.
    Adorei você na dança, flor. Totalmente gold age!

    bjks, Vi

    • lorymoreira disse:

      Fia, eu gosto do improviso e faço, mas evito fazer uma música inteira de improviso no palco. Não sou tão poderosa assim pra me desafiar tanto. Risos!

  2. Vivi Amaral disse:

    Ops, quis dizer “isso me trai”. 😉

  3. Lucy Linck disse:

    Querida Lory! Lindo post!

    Eu faço assim há alguns anos! Costumo chamar de “a música do ano”. A estreia é sempre no evento da minha grande amiga (uma irmã na dança e na vida!) Michele Pletsch, o “Al Nur”, em Bento Gonçalves. Permaneço com a mesma música, nos diferentes shows que fizer, até o próximo “Al Nur”, no outro ano.
    As vantagens são muitas: cada vez se faz de uma forma diferente, mesmo nos momentos coreografados (eu coreografo momentos, não a música toda); a gente se sente mais “em casa”, porque conhece a música inteirinha, cada batida, cada respiração; dá para “arrumar” o que não deu certo da última vez; enfim, é um aprendizado único para a bailarina!

    E já aconteceu, também, de eu escolher a tal “música do ano” e ela me desencantar de uma forma na segunda vez…que eu a abandono! Nesse caso, nossa relação não deu certo! 😉

    Agora, ando pensando em resgatar algumas músicas que dancei no início dos meus estudos na dança do ventre. Como seria minha leitura musical hoje, depois de tantas vivências e aprendizados? Ui, deu vontade…

    Beijos, linda!

    • lorymoreira disse:

      Uma música só por ano é um desafio e tanto! Vou pensar nisso… Acho que pode ser uma estratégia bem lúcida, principalmente pra mim, que não vivo de dança e tenho tempo limitado para estudar. Mas acho que vou ampliar para duas: uma dança do ventre e uma de folclore… assim não me sinto deixando nada e lado.

      • Lucy Linck disse:

        Boa ideia, Lory! Você verá a riqueza de aprendizado que será!
        E, em tempo: que dança mais linda, hein? Muito bela e antiga, cheirando a naftalina, como eu gosto! 😉

      • lorymoreira disse:

        Florzinha, naftalina é comigo. Vc sabe… risos!

  4. Samara Leonel disse:

    Bom, eu já não me apresento com frequência. Mas sou um bicho tão geminiano que danço duas vezes a mesma música em público e já começo a enjoar. Não me tome de exemplo!!! Hehehe
    Mas passei mesmo pra dizer que você está cada vez mais linda. Na vida e na dança. Adorei a leitura precisa, a expressão doce. Uma bonequinha vintage. Beijo, florzuda.

    • lorymoreira disse:

      E eu, com essa lua e ascendente em áries, nem vou te explicar o quanto enjôo (em velocidade fast) das coisas, né? Rs!
      Obrigada, baby! Beijos!

  5. Bem interessante essa ideia…e flor vc estava totalmente linda ..como sempre…Bjsssssss

  6. Oie, adorei seu post, não sou bailarina de dança do ventre, já fiz aulas durante 2 anos e continuei estudando o assunto e tudo o que envolve este universo cultural. E hoje não consigo passar um dia sequer sem ler algo sobre, ou assistir algo relacionado, ou simplesmente ouvir músicas de dança do ventre ou mesmo música árabe que não seja para dança.
    Eu sempre estou acompanhando teu blog, acho super massa, muito instrutivo e coloca a gente para pensar.
    Adorei esta idéia de trabalhar uma música, acredito que funcione bem deste jeito mesmo, vai-se descobrindo novas possibilidades, novas nuances mesmo que a coreografia já tenha sido montada.
    No mais, vim te agradecer por escrever assim pra gente, tão apaixonada.
    Este vídeo seu amei de paixão, ficou estilo vintage, luxo só!
    Luz e Paz em sua jornada!

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