Sou baladi

DSC_3873Apesar de ter amor declarado pela Souher Zaki, pelas dançarinas Golden Age, por toda aquela áurea antiga e retrô e amar dançar músicas que, como diria a Samy, cheiram a naftalina, sou uma mulher baladi, sim.

Se tivesse de identificar o meu estilo, o meu favorito, o lugar onde encontro minha morada, seria nele.

Do segundo semestre de 2012 ao início do de 2013, me dediquei exclusivamente a estudar mais essa modalidade – com ênfase especial para o taksim baladi. Tive a ajuda preciosa daquele dvd maravilhoso de Dança Baladi da Munira Magharib e das minhas atuais duas professoras de dança do ventre, Cris Azevêdo e Lis de Castro.

Pra quem não sabe, o baladi tem algumas subdivisões, se é que podemos chamar assim. Eu estruturei essas sub-divisões pra, didaticamente, ficar mais fácil falar sobre ele. Tem o taksim baladi, que tem uma estrutura pré-definida e que o Hossam Ramzy explica muito bem em seu artigo, Zeinab – geralmente há solo de um instrumento melódico e brincadeiras musicais entre melodia e percussão; tem o baladi mais tradicional, com canto, com uma cadência mais específica e tem o baladi mais moderno, com músicas mais populares e toda a aproximação com o shaabi.

Dá pano pra manga estudar baladi! Não é tão simples como parece, exige carão, refinamento auditivo, bom senso para dosar leitura melódica de percursiva e variação de movimentos de aceleração e desaceleração.

O mais bacana desse estudo todo foi revelar-me como a mulher que sou através da dança baladi. Com muitas necessidades de refinamento técnico sim (sempre), mas com muito potencial de conquista pessoal através da dança.

Não sou a mulher baladi como a Fifi. Não tenho aquele poder, aquela coisa imponente – mas descobri em mim uma dançarina baladi manhosa, bem feminina e sutil.

Porque quando me vejo dançando um baladi, nem me lembro daquele serzinho tímido, enclausurado no medo de ser verdadeira, amável e sensual – e tomo um susto! A dança me ajudou a revelar uma parte muito bacana minha que eu escondia de mim mesma!

No baladi toda a minha verdade se revela e, com ele, tenho aprendido a respirar melhor, respeitar as pausas, seguir a aceleração do ritmo externo sem perder de vista o meu próprio ritmo interno. E isso não só na dança, mas na vida.

A pausa da vida agora é gerar um bebê. Sim, não tinha escrito isso aqui ainda, mas Caetano deve chegar em Novembro e deu tanto susto aos pais, desde sua anunciação, que precisei dar um tempo nas aulas regulares de dança, respeitando a pausa pra gerar essa vida-presente que vive em mim agora.

Eu nem sabia, mas já esperava ele quando dancei um baladi na festinha da Raksa, em Março deste ano, então, já nascerá batizado! 😉

A vida segue seu fluxo e, assim que possível, a mulher baladi recém-descoberta e recém-empossada de si mesma volta às aulas, aos estudos e aos palcos: mais completa (agora com o título a mais de mamãe) e incompleta (de necessidades de estudo, alongamentos e retomada de condicionamento físico). Tudo junto e misturado. Porque ser baladi, é assumir as loucuras da vida como parte do processo e seguir dançando entre dums e taks.

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Sobre lorymoreira

Baiana, blogueira e apaixonada por música e dança árabe!
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Uma resposta para Sou baladi

  1. Ana Paula F. da Silva disse:

    Ai que lindo seu texto sobre ser baladi, suas sensações. E parabéns pelo bebê que vai chegar, depois do parto conte pra gente o que muda no seu corpo, a maternidade imprimi muita coisa em nossa dança, incluindo o amamentar. Gostei muito mesmo do seu texto, eu sempre gostei do taksim baladi, desde o primeiro semestre de aprendizado, valeu pelo compartilhamento de suas vivências.

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